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Artigo Pastoreando – 10

fevereiro 8th, 2010 | Comente | Postado em Igreja

Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus-Pai Todo-Poderoso

TintorettoTheAscension O sexto artigo de nossa Profissão de Fé está intimamente ligado ao anterior e o desenvolve, explicitando os maravilhosos efeitos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em sua primeira parte, professamos a Ascensão do Senhor (At. 1,9). Tal evento não é apenas uma manifestação fantástica, mas exibe a nós a sua glória tremenda. Como nos diz São Pio X, o Cristo ascende aos céus para tomar posse de seu Reino merecido por sua morte, como também para preparar o “lugar” de nossa glória, para ser nosso Mediador e Advogado junto ao Pai e enviar Seu Santo Espírito aos apóstolos.

Nas Escrituras, vemos diversos relatos de homens que foram arrebatados ao céu: o profeta Elias que subiu numa “carruagem de fogo” (2 Reis. 2,11); o profeta Habacuc carregado pelo anjo (Dn. 14,35); Filipe levado pelo Espírito (At. 8,39) e a própria Mãe do Senhor, Maria Santíssima, cuja Assunção solenemente celebramos. Contudo, diferentemente de todos estes, que foram arrebatados e carregados por Deus, Jesus Cristo ascendeu aos céus por seu próprio poder e glória, por ser Deus e Homem Ele mesmo e por Sua distinta Realeza. Ele é o Rei cujo Reino não pertence a este mundo mas que, justamente por isso, quer que O sigamos, de coração e de mente, à habitação celeste.

Na segunda parte do artigo, ao professarmos que o Cristo toma assento ao lado de Deus-Pai, queremos nos aproximar, por meio de uma imagem sensível, de uma realidade fundamental. O Cristo Ressuscitado fixa-Se de uma vez por todas em Seu lugar de glória desde toda a eternidade. Cumprida sua missão salvífica, o Senhor retorna ao Pai em toda sua glória, importância e dignidade, expressa pela imagem do “sentar-se à direita”. É aí que Jesus é colocado “acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver nesse mundo como no futuro” (Ef. 1,21).

Roguemos então ao Cristo, Rei dos Céus e Salvador nosso, para que, guiados por ele, possamos nós também alcançarmos a eternidade junto do Pai.

 

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 9

novembro 24th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja

 

Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia

anastasisO quinto artigo da nossa Profissão de Fé é, talvez, aquele que mais nos parece obscuro mas que,  no entanto, apresenta o mistério central de nossa Salvação e que por isso deve ser contemplado e meditado em toda sua imensa extensão de significado. Como nos diz São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé” (1Cor. 15,17).

Como se pode notar há duas verdades veiculadas neste artigo que, embora possamos dividir para melhor explicar, estão intimamente ligadas.

A primeira diz respeito à descida de Jesus Cristo à mansão dos mortos. Com a Paixão e Morte do Senhor em vista de sua Ressurreição, a própria morte é aniquilada e as portas do Céu nos são abertas definitivamente. Assim, a Igreja ensina que é para abrir também as portas aos mortos que O precederam que afirmamos a descida de Jesus à morada dos mortos. Os efeitos salvíficos do Cristo são, portanto, atemporais, isto é, não se limitam como todos os outros eventos, ao presente em que ocorrem e ao futuro que se dá a partir deles, mas estende-se por toda a extensão da história da humanidade, inclusive para aqueles que O precederam a fim de que todos conheçam o Verbo Encarnado para nossa Salvação. Sua visita aos mortos que para nós é tempo de silêncio e vigília, corresponde no ciclo litúrgico ao Sábado Santo.

A segunda e gloriosa verdade deste artigo é a Ressurreição do Senhor, propriamente dita. Com ela consuma o Tríduo Pascal e o projeto amoroso de Deus para nós. Ela marca o ápice dos tempos. A Ressurreição é a declaração definitiva de Deus ao gênero humano: ao problema da morte, recebemos a resposta da vida plena, cujo sinal já nos era apresentado na abertura das sepulturas quando da Crucificação (cf. Mt. 27,52) e à questão do afastamento de Deus, está dada a supressão do pecado e a Aliança eterna com Ele para que sejamos partícipes da natureza divina (1 Pd. 1,4), já vislumbrada na ruptura do véu do Santuário (cf. Mt. 27,51). Assim, Deus está plenamente acessível a todos nós para que, tomando parte da Aliança por Cristo Jesus, possamos gozar da Vida e do Amor que nunca se esgotam.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 8

novembro 9th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja

 

Padeceu sob Pôncio Pilatos: foi crucificado, morto e sepultado

 

crucificacao tintorettoO quarto artigo do Símbolo Apostólico sintetiza diversos aspectos fundamentais da nossa fé na  medida em que reúne elementos fundamentais da nossa Salvação.

Em primeiro lugar, há uma indicação de natureza histórica: O julgamento e a condenação de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma determinada localização na história humana, a saber, foi na época em que Pôncio Pilatos governava a Judéia. Contudo, a importância da presença de Cristo em nossa história a ultrapassa infinitamente. Ele vem ao encontro da humanidade no tempo para nos remir de uma falta supratemporal, ou seja, de nossa ofensa infinita a Deus. Como nos diz São Tomás de Aquino, Cristo ofereceu-se em sacrifício em nosso favor por duas razões: a primeira, para ser o remédio para o pecado e, a segunda, para servir de exemplo para como deve ser a nossa própria vida, a saber, de total entrega a Deus Pai. Assim, para exaurir nossa culpa, foi necessário que a própria Segunda Pessoa da Trindade se oferecesse em sacrifício por nós. Do mesmo modo que em Adão – primeiro homem – todo o gênero humano pecou, em Cristo – novo Adão – todos fomos justificados.

Uma vez morto, e morto verdadeiramente, o Senhor foi sepultado conforme os costumes judaicos. Contudo, aquilo que é o centro do artigo não pode deixar de ser outro que não a Cruz.

O Senhor foi crucificado, isto é, padeceu de uma forma violentíssima para que, ao contemplarmos o horror de sua morte, pudéssemos também nos escandalizarmos com nossos pecados. Devemos ver então, no Crucificado, todas as virtudes humanas em sua máxima expressão, bem como o amor de Deus para conosco em todo seu esplendor. É também de Seu lado ferido que nasce a Igreja, como nos lembra São João Crisóstomo, que nos ensina a reconhecer na água que dele escorre, o santo Batismo que nos assimila ao Senhor, e no Seu preciosíssimo Sangue, a Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida eclesial. Contemplemos o Senhor na Cruz, o Deus que se esvazia por nós e adoremos o mistério que nos salva.

Um abraço.
Gabriel Ferreira

 

P.S.:  Veja uma das mais fortes crucificações, a de Tintoretto, em imagem de alta definição aqui.







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Artigo Pastoreando – 7

outubro 5th, 2009 | 2 Comentários | Postado em Educação, Igreja

Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria

El_Greco_-_Anunciação O terceiro artigo do Símbolo dos Apóstolos traz a matéria de fé referente ao advento da Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. É importante notar que, assim como chama atenção São Tomás de Aquino, o cristão não crê simplesmente em Deus ou em Seu Filho, mas deve crer que o próprio Verbo de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem e armou sua tenda entre nós (Jo 1, 14) para nossa Salvação.

O Filho de Deus fez-se então, verdadeiro homem sem que fosse perdida sua natureza divina. Cremos então que Jesus Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Contra os erros que apareceram sobre esta verdade de fé, a Igreja sempre afirmou que em Cristo co-existem sem confusão nem mistura as duas naturezas, ou seja, em tal admirável união permanecem resguardadas as ações e propriedades de ambas as naturezas.

O artigo afirma também que a Encarnação é fruto da ação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. Contudo, sabemos que em toda obra de Deus – desde a Criação até o fim dos tempos – está presente a Trindade toda inteira. Como devemos compreender esta afirmação, então? A Escritura sempre põe em relevo certas propriedades de Deus atribuindo-as ora a uma das Pessoas, ora a Outra. Ao Pai é atribuído o poder supremo sobre todas as coisas, ao Filho a Sabedoria e ao Santo Espírito, o Amor. Como a Encarnação é a expressão máxima do Amor de Deus pelo mundo, a Encarnação é apontada como ação do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35).

Neste artigo também afirmamos a virgindade de Maria Santíssima. Devemos sempre ter em mente que os atributos e graças de Maria são sempre por conta de sua Santíssima maternidade. Ao professarmos a virgindade de Maria cremos que Deus, assim como criou do nada tudo o que existe, fecundou sobrenaturalmente a Santíssima Virgem sem o auxílio ou concorrência de nada para além de Sua Vontade. O Cristo é, assim, verdadeiramente o novo Adão, que inaugura de novo a humanidade unida com Deus agora em Aliança indissolúvel. Jesus Cristo é, portanto, verdadeiramente Deus que assume em tudo a condição humana, exceto o pecado para a Ele tudo reconduzir (Ef. 1, 10) nEle fazer novas todas as coisas (Ap. 21, 5).

Contemplemos o Mistério da Encarnação pedindo a Deus que possamos nos aproximar cada vez mais de seu Amor.

 

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 6

agosto 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja

E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor

 

Cristo Pastro

Se no primeiro dos artigos de nossa profissão de fé afirmamos nossa crença em Deus Pai, pelo   segundo artigo damos nosso assentimento às primeiras verdades referentes a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, verdades estas que se estenderão até o sétimo artigo. Este artigo ainda pode ser subdividido em três momentos aos quais devemos nos atentar ao proferi-lo.

Normalmente nos referimos a Nosso Senhor Jesus Cristo como se a palavra “Cristo” fosse parte componente de Seu santíssimo Nome cujo significado, em hebraico, é Salvador. Contudo, isso não é correto. Ao dizermos que Jesus é o Cristo, já veiculamos uma verdade de fé muito profunda, a saber, que aquele Homem verdadeiro é Messias que havia de vir, o Ungido. O termo “Cristo”, em grego, significa justamente aquele que é ungido com óleo (Crisma, em grego). No Antigo Testamento, os reis, sacerdotes e profetas eram ungidos como sinal de sua eleição e precedência. Jesus, como o Rei dos Reis, Sumo Sacerdote e o próprio Deus falando a nós, é dito o Ungido por excelência, o Cristo.

Cremos também que a Segunda Pessoa da Trindade, Jesus Cristo, é o Filho único de Deus. Só ele é “nascido do Pai antes de todos os séculos”, ou seja, antes mesmo que existisse o tempo, pois é “gerado, não criado”, como professamos com o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Jesus é o Filho Único de Deus porque só Ele é da mesma substância do Pai, tem Seu Ser, Sua eternidade e Sua glória. Todavia, o Filho, seguindo o projeto de Amor do Pai, estende também a nós a possibilidade de nos inserirmos nesta relação única ao nos associarmos a ele pelo Batismo a ponto de podermos chamá-Lo de irmão e a Deus de Pai.

Assim, consequentemente, se Jesus Cristo é “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro”, a Ele pertencem não só a glória, a sabedoria e a eternidade, mas também o poder e o domínio sobre toda a Criação. Tudo o que há é obra também da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, bem como, especialmente, a Salvação dos homens. Por isso, é justo e necessário reconhecer e proclamar com fé que Jesus Cristo é o Senhor.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 5

agosto 3rd, 2009 | Comente | Postado em Igreja

Dando continuidade às minhas pequenas reflexões sobre o Credo, aqui vai a minha coluna deste mês.

* * *

Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra

pai-capelasistina

O primeiro dos doze artigos do Credo, reúne em uma só asserção os principais atributos de  Deus e da primeira Pessoa, o Pai. Devemos lembrar, antes de tudo, que a onipotência e a co-laboração na criação também pertencem às demais Pessoas da Santíssima Trindade. Contudo, o Pai aparece em primeiro lugar pois, como nos diz São Pio X, Ele não procede de nenhuma das outras Pessoas mas é, justamente, Aquele de quem o Filho e o Espírito Santo procedem. Há quatro pontos fundamentais nesta primeira afirmação das verdades de fé.

O primeiro deles é que cremos em Deus. No dia-a-dia dizemos “Deus” sem nos atentarmos para o que a palavra aponta. Primeiro, ao professarmos a crença em Deus, escrito inclusive com letra maiúscula, queremos dizer que temos fé em um Deus único (e não um deus entre outros deuses). Cremos que Ele é Deus e, portanto sumamente perfeito e sumamente bom e em Quem todas as qualidades superam muitíssimo nosso entendimento.

Em seguida, que Ele é também Pai. Em um primeiro sentido, que Ele é Pai da segunda pessoa da Trindade, Seu Filho. Assim também, é o Pai de toda a humanidade, já que a cria e a sustenta e, por último, é Pai de modo especial daqueles que se tornaram seus filhos adotivos por estarem associados a seu Filho por excelência, Cristo Jesus.

Ele também é Todo-Poderoso ou Onipotente. Por ser Deus, fonte e origem de tudo o que existe e sumamente perfeitíssimo, nEle não há distinção entre sua vontade, seu pensamento e a realidade. Só Deus é o Senhor de tudo o que há porque sua santíssima vontade é absolutamente soberana. Com isso também queremos professar que em Deus não há pecado nem erro, já que estes não são “poderes” ou possibilidades, mas justamente falta deles. Ou seja, sendo Todo-Poderoso, não há em Deus nenhuma imperfeição.

Por fim, o Deus único e nosso Pai é fonte e origem de toda a criação. Criar, neste sentido, só pode ser atributo de Deus pois significa criar a partir do nada. Aqui, céu e terra querem significar a totalidade de tudo o que há. É Deus Ele mesmo quem cria e sustenta todo o universo e todas as demais criaturas que nele existem. É então porque em Deus todas as suas qualidades são inseparáveis, que elas aparecem reunidas em um único artigo. Devemos então perceber que não é possível separar em nossa fé, nenhum dos pontos do primeiro artigo sem prejuízo de nosso entendimento de Deus e de nossa relação com Ele.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 4

julho 1st, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

Abaixo, minha 4ª contribuição ao jornal da paróquia Jesus Bom Pastor que, apesar de sucinta, é feita com um especial carinho e devoção. A primeira meditação sobre os 12 artigos da Profissão de Fé.

* * *

CREIO, CRER

A profissão de fé cristã se inicia com uma afirmação que perpassa todos os artigos subsequentes: creio. Há aqui duas coisas muito importantes.

A primeira delas é que o Credo é composto, como já dissemos anteriormente, por artigos e não por partes isoladas ou por princípios, axiomas ou teses. São artigos (do latim articulus) porque são articulados, como membros que se ligam e formam uma entidade única não passível de separação. É por isso também que o Credo é dito símbolo (do grego symbolon), pois é uma união não aleatória de elementos que se completam. Assim, é com a mesma crença e a mesma fé, sem distinção, que professamos tudo o que se segue.

Mas o “Creio” no início do símbolo de fé não é meramente uma afirmação formal sobre o que virá, como se fosse desprovido de conteúdo e só apontasse para a importância dos outros momentos. Ele mesmo já veicula uma grande verdade de fé, a saber, que é possível a nós, seres humanos, crermos. Dizer “creio” já é manifestar que desde a criação o homem foi querido por Deus de um modo especial. É só ele, dentre todas as criaturas, que recebe o sopro divino (pneuma, ruah, espírito; Gn. 2,7). É só ao homem que Deus, desde o início, já comunica algo de Si, elevando o homem como a mais querida das criaturas e, de certo modo, já antecipando Seu movimento de comunicar-Se e entregar-Se ao homem manifestando Sua vontade através dos patriarcas, dos profetas e, no ápice dos tempos, assumindo Ele mesmo a natureza de tal criatura, em Cristo Jesus. A possibilidade de dizer “Creio” já é, portanto, em si mesma, condição para crermos nas demais partes articuladas e inseparáveis que compõem nossa profissão de fé mas também uma das secções deste corpo articulado que, quando compreendido, antecipa as demais. É só porque Deus, em seu infinito Amor, nos fez capazes de dialogar com Ele, em suma, de dizer Tu para Deus, é que somos os destinatários da Revelação de seu Filho cuja motivação última é a de que nenhum de nós nos percamos.

Por isso, ao dizermos “Creio” na profissão de fé, meditemos sobre a própria Fé, dádiva divina a nós que, não só nos torna capazes de participarmos de Sua vida, mas também de experimentarmos, por si mesma, o Amor inesgotável de Deus por nós.







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Artigo Pastoreando – 3

abril 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

 

Olá a todos.

Na primeira de nossas contribuições, dissemos que iríamos nos dedicar a explicar e clarificar alguns elementos de nossa fé. Assim (e até para seguirmos o nome de nossa “coluna”), firmadas as bases nas citações bíblicas que comentamos anteriormente, quero hoje iniciar uma série de pequenos textos catequéticos. Para isso, nada mais primordial do que refletirmos sobre a própria catequese ela mesma.

A própria palavra já nos abre inúmeros sentidos e nos apresenta uma série de reflexões que, na maioria das vezes, desprezamos ou pomos de lado. A palavra “catequese” é proveniente do grego kata, isto é, através de, por meio de, e échêin, ouvir. Assim, catequese tem o sentido primeiro de instrução através do ouvir. A importância de seu sentido de atenção e escuta, que pede uma atitude de seguimento obediente, ou seja, de discipulado, é colocada mais em relevo por São Paulo, no versículo 17 do capítulo 10 de sua carta aos Romanos. Nos diz o Apóstolo: “Assim, a fé vem pela audição e a audição se faz pela palavra de Cristo”.

O termo original não nos deixa dúvidas. São Paulo nos diz que a fé vem ex akóes, pela audição. É sensível como hoje nos sentimos incômodos na posição de ouvintes. Tal postura está sempre ligada àquela de submissão, de passividade, a qual nos costuma inspirar, antes de mais nada, uma revolta surda. É assim no cotidiano, mas também na catequese, na homilia do padre e na penitência que a Igreja nos pede, como aquela da Quaresma pela qual acabamos de passar. Desejamos ser sujeitos, agentes, tomarmos a frente, antes de sermos ouvintes atentos e obedientes. Mas ao cristão cabe outra atitude. A escuta e o seguimento não é um perder-se num mutismo estéril mas, antes, é ouvir o que o Cristo tem a nos dizer e deixar que Sua palavra frutifique em nós. É para o próprio Deus feito homem que somos chamados a inclinar os ouvidos. Dessa forma, a catequese atenciosa e maternal da Igreja, em seus documentos, nas homilias dos sacerdotes e nos ensinamentos em geral não quer nos submeter, mas elevar-nos.

Coloquemo-nos próximos ao Senhor Ressuscitado, confiantes e atentos à sua Palavra de Verdade e Salvação.

Um abraço.







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Artigo Pastoreando 2

abril 25th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

Caríssimos. Abaixo, o segundo dos pequenos textos.

 

* * *

 

Na edição passada, comentamos a citação retirada da Carta de São Pedro que nos chamava ao conhecimento e à defesa de nossa fé. Penso que aquela citação está em estreita conexão com outra, agora de São Paulo se dirigindo aos Efésios, capítulo 4, especificamente os versículos 13b e 14. A comunidade de Éfeso passou por diversas tensões e, justamente por conta disso, o Apóstolo diz:

"até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. 14. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores."

Quero apontar justamente aquilo que penso ser o centro do conselho de São Paulo: devemos atingir a maturidade, termos uma fé adulta, em oposição àquela de criança, frágil e que é levada por qualquer vento de doutrina. Novamente aparece aqui a relação radical – de raiz –, entre o aprofundamento e a maturidade da fé e o seguimento do Senhor. É assim que podemos chegar "à estatura de Cristo". Nos nossos tempos atuais, assim como entre os Efésios, vivemos nós também em meio a crises e tensões que desafiam nossa maturidade em matéria de fé. Por vezes somos infantis e displicentes com o que não devíamos e adultos e arrogantes quando não nos seria lícito. Se por um lado devemos nos fazer crianças na postura de escuta e confiança em Deus, verdadeiramente entregues a Ele, por outro lado permanecemos na meninice irresponsável em nossos compromissos e conhecimentos das coisas de Deus e de Sua Igreja. E como crescer na fé senão pela oração em conjunto com a escuta atenciosa da Palavra de Deus que emana das Escrituras e do Magistério da Igreja?

Atingir a estatura de Cristo é assumir plenamente a nossa fé com firmeza de propósito e inteligência adulta. Se a vida às vezes nos bate em ondas, que nossa fé e nossa adesão à Igreja não se sujeite aos percalços mas que esteja acima dos ventos enganadores como farol seguro para nosso caminho.

Um abraço.







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Artigo Pastoreando 1

abril 23rd, 2009 | 2 Comentários | Postado em Igreja, Opinião

Há dois meses fui convidado por um grande amigo sacerdote a escrever pequenas contribuições ao jornalzinho de sua paróquia, o que tenho feito com prazer. Embora não sejam grandes em tamanho e em envergadura teórica, vou postá-los aqui. Talvez sejam de alguma valia. Segue, então, o primeiro dos três que já escrevi.

* * *

É com imensa alegria que escrevo estas linhas que inauguram esta coluna. Desejo fazer deste espaço uma oportunidade de reflexão e crescimento, tanto para vocês, que me leem, quanto para mim que escrevo. Muitos assuntos e temas serão tratados aqui. Também, com o tempo, vamos nos conhecendo melhor. Contudo, desejo sempre ter em vista o seguimento daquilo que nossa Igreja nos aponta. Assim, pretendo comentar desde notícias e temas ligados à nossa fé, até responder questões sobre a Santa Doutrina, quando me for possível.

É neste sentido que desejo começar com alguns poucos comentários acerca de uma citação das Escrituras que, penso eu, deve estar sempre no horizonte de nossas reflexões e orações, como baliza para nossa vivência pessoal e comunitária.

Ela está no versículo 15, do terceiro capítulo da primeira carta de São Pedro (1Pd. 3,15). Nesta carta, São Pedro se dirige aos cristãos "eleitos que são estrangeiros e estão espalhados" em vários lugares (v. 1). Entre várias admoestações, está no versículo 15 aquela que primeiro nos interessa: "Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito."

Neste versículo, São Pedro nos convida a estarmos sempre prontos, ainda que com mansidão, a defender a nossa fé e a dar a razão de nossa esperança. As palavras usadas no texto grego original não deixam dúvidas: "apología", defesa, discurso com a finalidade de justificar e "lógos", razão, discurso encadeado e racionalmente compreensível. Desse modo, São Pedro nos convida a conhecer de maneira mais profunda e professar conscientemente aquilo que Cristo e sua Igreja nos ensinam.

Entretanto devemos ressaltar mais um aspecto interessante desta passagem. São Pedro coloca este chamado à defesa e à explicação da nossa fé para aqueles que nos pedem, em profunda conexão com a santificação de Cristo em nossos corações, bem como com a nossa segurança e capacidade de ultrapassar os temores e vacilos em nossa vida de fé. A superação de nossos receios e temores só pode se dar se santificamos realmente Cristo em nossos corações, o que, por sua vez, depende de um conhecimento profundo de nossa fé, que se desdobra também na nossa firme capacidade de a professarmos e de a justificarmos publicamente, junto aos nossos irmãos que não a conhecem ou que a atacam, sempre com "suavidade e respeito".

E como crescer na fé senão pela oração em conjunto com a escuta atenciosa da Palavra de Deus que emana das Escrituras e do Magistério da Igreja? Quantas vezes não somos tentados ou mesmo atacados por doutrinas e idéias vãs ou vemos algumas pessoas serem levadas por elas? Quanto conhecemos da nossa própria fé, do Credo que em toda missa professamos? E da história de nossa Igreja? Santificamos o Senhor em nossos corações pela firmeza do conhecimento de nossa fé? Que importância damos à catequese?

Na próxima edição, comentarei o chamado que São Paulo nos faz à fé adulta.

Um abraço.







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