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Artigo Pastoreando – 13

August 2nd, 2010 | Comente | Postado em Igreja

Continuando com a série de sucintas explicitações sobre os doze artigos do Credo, para o jornal da Paróquia Jesus Bom-Pastor da Diocese de Santo André, São Paulo.

*  *  *

Creio no Espírito Santo

vitralespiritosanto

Ao professarmos nossa fé no oitavo artigo, temos como finalidade primeira manifestarmos nossa crença na Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Mas não só. Expressamos nossa crença em todos os Seus atributos e em todas as Suas ações na criação. Cremos que o Espírito Santo é Deus com o Pai e o Filho porque dEles procede. O ensinamento da Santa Igreja nos ajuda vislumbrar um pouco mais deste mistério, fazendo-nos ver que o Santo Espírito é o Amor Eterno entre o Pai e o Filho. Desse modo, o Espírito não só é eterno como as outras duas Pessoas da Trindade, mas o é porque é consubstancial a Elas, ou seja, procede do íntimo da relação entre as duas primeiras Pessoas da Trindade sendo então da mesma natureza, portanto, sendo Deus mesmo.

O Santo Espírito, conforme dizemos no Símbolo Niceno-Constantinopolitano, é o doador e animador da vida pois é Deus mesmo que procede do Pai e do Filho, e portanto, com Estes, deve ser igualmente adorado e glorificado. É também o Espírito Santo quem move os profetas e os escritores sagrados, fazendo-os ver a realidade segundo os “olhos” de Deus, assim como infunde o Amor e a presença de Deus na liturgia e na vida da Igreja como um todo.

Como nos ensina ainda S. Tomás de Aquino, há cinco grandes benefícios que nos vêm pelo Espírito Santo. É a Terceira Pessoa da Trindade que, por ser a processão eterna do Amor de Deus, nos limpa de nossos pecados, ilumina nosso intelecto, nos assiste em nossas tentações e nos impele à obediência aos mandamentos, fortalece nossa fé na Vida Eterna e nos aconselha em nossas dúvidas e tribulações, mostrando-nos a Santíssima Vontade de Deus.

Peçamos então, humildemente, que o desça sobre nós o Espírito Santo, fonte do Amor e da Misericórdia de Deus posto que, como nos alerta São Paulo, “ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser no Espírito Santo.” (1Cor 12,3).

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 12

April 27th, 2010 | 3 Comentários | Postado em Igreja

De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos

O sétimo artigo do Credo expressa, por fim, os últimos atributos do Cristo dos quais damos testemunho de fé. Ensina-nos a Mãe Igreja que Nosso Senhor tem três funções ou ofícios fundamentais, a saber, ser nosso Redentor, nosso Protetor e nosso Juiz. Nos artigos precedentes, contemplamos e compreendemos como por meio de Sua gloriosa Paixão, Morte e Ressurreição Ele nos traz a Salvação bem como, subindo ao Céu, no protege e advoga por nós. Assim, no presente artigo, professamos que Jesus Cristo é o Justo Juiz que julgará toda a humanidade.

 

Giotto, Juízo Final

Há dois aspectos fundamentais que devemos compreender ao professarmos este artigo. O primeiro deles é sobre a segunda vinda do Senhor. Na plenitude dos tempos, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade veio para nos redimir e nos trazer a Salvação. No fim dos tempos, ou como nos diz as Escrituras, no “Dia do Senhor” (cf. 1 Tes. 5,2) Ele virá uma segunda vez para nos julgar. É o próprio Senhor quem nos diz que ninguém conhece o dia (cf. Mt. 24,36), por isso devemos estar preparados e juntos dEle. O segundo ponto é o julgamento em si mesmo, que também podemos compreender em dois momentos. Mas o que devemos entender pelo epíteto de “Juiz”?

Cremos que, após a nossa morte, cada um de nós se apresenta diante do Senhor que, com misericordiosa justiça, escrutinizará toda nossa existência, nossos atos, pensamentos, palavras e omissões. Para além do juízo individual, que chamamos de particular, cremos também no julgamento último de toda a humanidade. Mas por que, ao lado do juízo particular, a Igreja ensina o juízo geral?

Se o Cristo é o Redentor da humanidade e inaugura a nova Criação, sua missão se plenifica na completa reconfiguração de toda a humanidade. Assim, nós mesmos, como indivíduos, só podemos encontrar nossa plenitude na plenitude da nova Criação, da Jerusalém Celeste, completada pela Segunda vinda gloriosa. Do mesmo modo, mesmo as consequências de nossas ações continuam reverberando no mundo – através de nossos atos, exemplos e influências sobre os outros – mesmo após a nossa morte. Assim, tudo isto só encontra seu fim no término do mundo, no fim dos tempos em que todo o gênero humano será julgado, sendo reservada aos justos a visão beatífica de Deus e, aos condenados, sua privação eterna.

Peçamos portanto a Deus que possamos ganhar Sua misericórdia e que nunca nos afastemos das boa obras, da penitência, da esmola e da caridade, verdadeiros remédios, como nos diz S. Tomás, para nos prepararmos para a presença diante do Senhor, Justo Juiz.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 11

February 8th, 2010 | Comente | Postado em Igreja

Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus-Pai Todo-Poderoso

TintorettoTheAscension O sexto artigo de nossa Profissão de Fé está intimamente ligado ao anterior e o desenvolve, explicitando os maravilhosos efeitos da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Em sua primeira parte, professamos a Ascensão do Senhor (At. 1,9). Tal evento não é apenas uma manifestação fantástica, mas exibe a nós a sua glória tremenda. Como nos diz São Pio X, o Cristo ascende aos céus para tomar posse de seu Reino merecido por sua morte, como também para preparar o “lugar” de nossa glória, para ser nosso Mediador e Advogado junto ao Pai e enviar Seu Santo Espírito aos apóstolos.

Nas Escrituras, vemos diversos relatos de homens que foram arrebatados ao céu: o profeta Elias que subiu numa “carruagem de fogo” (2 Reis. 2,11); o profeta Habacuc carregado pelo anjo (Dn. 14,35); Filipe levado pelo Espírito (At. 8,39) e a própria Mãe do Senhor, Maria Santíssima, cuja Assunção solenemente celebramos. Contudo, diferentemente de todos estes, que foram arrebatados e carregados por Deus, Jesus Cristo ascendeu aos céus por seu próprio poder e glória, por ser Deus e Homem Ele mesmo e por Sua distinta Realeza. Ele é o Rei cujo Reino não pertence a este mundo mas que, justamente por isso, quer que O sigamos, de coração e de mente, à habitação celeste.

Na segunda parte do artigo, ao professarmos que o Cristo toma assento ao lado de Deus-Pai, queremos nos aproximar, por meio de uma imagem sensível, de uma realidade fundamental. O Cristo Ressuscitado fixa-Se de uma vez por todas em Seu lugar de glória desde toda a eternidade. Cumprida sua missão salvífica, o Senhor retorna ao Pai em toda sua glória, importância e dignidade, expressa pela imagem do “sentar-se à direita”. É aí que Jesus é colocado “acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver nesse mundo como no futuro” (Ef. 1,21).

Roguemos então ao Cristo, Rei dos Céus e Salvador nosso, para que, guiados por ele, possamos nós também alcançarmos a eternidade junto do Pai.

 

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 10

November 24th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja

 

Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia

anastasisO quinto artigo da nossa Profissão de Fé é, talvez, aquele que mais nos parece obscuro mas que,  no entanto, apresenta o mistério central de nossa Salvação e que por isso deve ser contemplado e meditado em toda sua imensa extensão de significado. Como nos diz São Paulo, “se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé” (1Cor. 15,17).

Como se pode notar há duas verdades veiculadas neste artigo que, embora possamos dividir para melhor explicar, estão intimamente ligadas.

A primeira diz respeito à descida de Jesus Cristo à mansão dos mortos. Com a Paixão e Morte do Senhor em vista de sua Ressurreição, a própria morte é aniquilada e as portas do Céu nos são abertas definitivamente. Assim, a Igreja ensina que é para abrir também as portas aos mortos que O precederam que afirmamos a descida de Jesus à morada dos mortos. Os efeitos salvíficos do Cristo são, portanto, atemporais, isto é, não se limitam como todos os outros eventos, ao presente em que ocorrem e ao futuro que se dá a partir deles, mas estende-se por toda a extensão da história da humanidade, inclusive para aqueles que O precederam a fim de que todos conheçam o Verbo Encarnado para nossa Salvação. Sua visita aos mortos que para nós é tempo de silêncio e vigília, corresponde no ciclo litúrgico ao Sábado Santo.

A segunda e gloriosa verdade deste artigo é a Ressurreição do Senhor, propriamente dita. Com ela consuma o Tríduo Pascal e o projeto amoroso de Deus para nós. Ela marca o ápice dos tempos. A Ressurreição é a declaração definitiva de Deus ao gênero humano: ao problema da morte, recebemos a resposta da vida plena, cujo sinal já nos era apresentado na abertura das sepulturas quando da Crucificação (cf. Mt. 27,52) e à questão do afastamento de Deus, está dada a supressão do pecado e a Aliança eterna com Ele para que sejamos partícipes da natureza divina (1 Pd. 1,4), já vislumbrada na ruptura do véu do Santuário (cf. Mt. 27,51). Assim, Deus está plenamente acessível a todos nós para que, tomando parte da Aliança por Cristo Jesus, possamos gozar da Vida e do Amor que nunca se esgotam.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 9

November 9th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja

Padeceu sob Pôncio Pilatos: foi crucificado, morto e sepultado

crucificacao tintorettoO quarto artigo do Símbolo Apostólico sintetiza diversos aspectos fundamentais da nossa fé na  medida em que reúne elementos fundamentais da nossa Salvação.

Em primeiro lugar, há uma indicação de natureza histórica: O julgamento e a condenação de Nosso Senhor Jesus Cristo tem uma determinada localização na história humana, a saber, foi na época em que Pôncio Pilatos governava a Judéia. Contudo, a importância da presença de Cristo em nossa história a ultrapassa infinitamente. Ele vem ao encontro da humanidade no tempo para nos remir de uma falta supratemporal, ou seja, de nossa ofensa infinita a Deus. Como nos diz São Tomás de Aquino, Cristo ofereceu-se em sacrifício em nosso favor por duas razões: a primeira, para ser o remédio para o pecado e, a segunda, para servir de exemplo para como deve ser a nossa própria vida, a saber, de total entrega a Deus Pai. Assim, para exaurir nossa culpa, foi necessário que a própria Segunda Pessoa da Trindade se oferecesse em sacrifício por nós. Do mesmo modo que em Adão – primeiro homem – todo o gênero humano pecou, em Cristo – novo Adão – todos fomos justificados.

Uma vez morto, e morto verdadeiramente, o Senhor foi sepultado conforme os costumes judaicos. Contudo, aquilo que é o centro do artigo não pode ser outro que não a Cruz.

O Senhor foi crucificado, isto é, padeceu de uma forma violentíssima para que, ao contemplarmos o horror de sua morte, pudéssemos também nos escandalizarmos com nossos pecados. Devemos ver então, no Crucificado, todas as virtudes humanas em sua máxima expressão, bem como o amor de Deus para conosco em todo seu esplendor. É também de Seu lado ferido que nasce a Igreja, como nos lembra São João Crisóstomo, que nos ensina a reconhecer na água que dele escorre, o santo Batismo que nos assimila ao Senhor, e no Seu preciosíssimo Sangue, a Eucaristia, fonte e ápice de toda a vida eclesial. Contemplemos o Senhor na Cruz, o Deus que se esvazia por nós e adoremos o mistério que nos salva.

Um abraço.
Gabriel Ferreira

P.S.: Veja uma das mais fortes crucificações, a de Tintoretto, em imagem de alta definição aqui.







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Artigo Pastoreando – 8

October 5th, 2009 | 2 Comentários | Postado em Educação, Igreja

Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria

El_Greco_-_Anunciação O terceiro artigo do Símbolo dos Apóstolos traz a matéria de fé referente ao advento da Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. É importante notar que, assim como chama atenção São Tomás de Aquino, o cristão não crê simplesmente em Deus ou em Seu Filho, mas deve crer que o próprio Verbo de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade se fez homem e armou sua tenda entre nós (Jo 1, 14) para nossa Salvação.

O Filho de Deus fez-se então, verdadeiro homem sem que fosse perdida sua natureza divina. Cremos então que Jesus Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Contra os erros que apareceram sobre esta verdade de fé, a Igreja sempre afirmou que em Cristo co-existem sem confusão nem mistura as duas naturezas, ou seja, em tal admirável união permanecem resguardadas as ações e propriedades de ambas as naturezas.

O artigo afirma também que a Encarnação é fruto da ação da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo. Contudo, sabemos que em toda obra de Deus – desde a Criação até o fim dos tempos – está presente a Trindade toda inteira. Como devemos compreender esta afirmação, então? A Escritura sempre põe em relevo certas propriedades de Deus atribuindo-as ora a uma das Pessoas, ora a Outra. Ao Pai é atribuído o poder supremo sobre todas as coisas, ao Filho a Sabedoria e ao Santo Espírito, o Amor. Como a Encarnação é a expressão máxima do Amor de Deus pelo mundo, a Encarnação é apontada como ação do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35).

Neste artigo também afirmamos a virgindade de Maria Santíssima. Devemos sempre ter em mente que os atributos e graças de Maria são sempre por conta de sua Santíssima maternidade. Ao professarmos a virgindade de Maria cremos que Deus, assim como criou do nada tudo o que existe, fecundou sobrenaturalmente a Santíssima Virgem sem o auxílio ou concorrência de nada para além de Sua Vontade. O Cristo é, assim, verdadeiramente o novo Adão, que inaugura de novo a humanidade unida com Deus agora em Aliança indissolúvel. Jesus Cristo é, portanto, verdadeiramente Deus que assume em tudo a condição humana, exceto o pecado para a Ele tudo reconduzir (Ef. 1, 10) nEle fazer novas todas as coisas (Ap. 21, 5).

Contemplemos o Mistério da Encarnação pedindo a Deus que possamos nos aproximar cada vez mais de seu Amor.

 

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 7

August 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja

E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor

 

Cristo Pastro

Se no primeiro dos artigos de nossa profissão de fé afirmamos nossa crença em Deus Pai, pelo   segundo artigo damos nosso assentimento às primeiras verdades referentes a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, verdades estas que se estenderão até o sétimo artigo. Este artigo ainda pode ser subdividido em três momentos aos quais devemos nos atentar ao proferi-lo.

Normalmente nos referimos a Nosso Senhor Jesus Cristo como se a palavra “Cristo” fosse parte componente de Seu santíssimo Nome cujo significado, em hebraico, é Salvador. Contudo, isso não é correto. Ao dizermos que Jesus é o Cristo, já veiculamos uma verdade de fé muito profunda, a saber, que aquele Homem verdadeiro é Messias que havia de vir, o Ungido. O termo “Cristo”, em grego, significa justamente aquele que é ungido com óleo (Crisma, em grego). No Antigo Testamento, os reis, sacerdotes e profetas eram ungidos como sinal de sua eleição e precedência. Jesus, como o Rei dos Reis, Sumo Sacerdote e o próprio Deus falando a nós, é dito o Ungido por excelência, o Cristo.

Cremos também que a Segunda Pessoa da Trindade, Jesus Cristo, é o Filho único de Deus. Só ele é “nascido do Pai antes de todos os séculos”, ou seja, antes mesmo que existisse o tempo, pois é “gerado, não criado”, como professamos com o Símbolo Niceno-Constantinopolitano. Jesus é o Filho Único de Deus porque só Ele é da mesma substância do Pai, tem Seu Ser, Sua eternidade e Sua glória. Todavia, o Filho, seguindo o projeto de Amor do Pai, estende também a nós a possibilidade de nos inserirmos nesta relação única ao nos associarmos a ele pelo Batismo a ponto de podermos chamá-Lo de irmão e a Deus de Pai.

Assim, consequentemente, se Jesus Cristo é “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro”, a Ele pertencem não só a glória, a sabedoria e a eternidade, mas também o poder e o domínio sobre toda a Criação. Tudo o que há é obra também da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, bem como, especialmente, a Salvação dos homens. Por isso, é justo e necessário reconhecer e proclamar com fé que Jesus Cristo é o Senhor.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 6

August 3rd, 2009 | Comente | Postado em Igreja

Dando continuidade às minhas pequenas reflexões sobre o Credo, aqui vai a minha coluna deste mês.

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Creio em Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra

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O primeiro dos doze artigos do Credo, reúne em uma só asserção os principais atributos de  Deus e da primeira Pessoa, o Pai. Devemos lembrar, antes de tudo, que a onipotência e a co-laboração na criação também pertencem às demais Pessoas da Santíssima Trindade. Contudo, o Pai aparece em primeiro lugar pois, como nos diz São Pio X, Ele não procede de nenhuma das outras Pessoas mas é, justamente, Aquele de quem o Filho e o Espírito Santo procedem. Há quatro pontos fundamentais nesta primeira afirmação das verdades de fé.

O primeiro deles é que cremos em Deus. No dia-a-dia dizemos “Deus” sem nos atentarmos para o que a palavra aponta. Primeiro, ao professarmos a crença em Deus, escrito inclusive com letra maiúscula, queremos dizer que temos fé em um Deus único (e não um deus entre outros deuses). Cremos que Ele é Deus e, portanto sumamente perfeito e sumamente bom e em Quem todas as qualidades superam muitíssimo nosso entendimento.

Em seguida, que Ele é também Pai. Em um primeiro sentido, que Ele é Pai da segunda pessoa da Trindade, Seu Filho. Assim também, é o Pai de toda a humanidade, já que a cria e a sustenta e, por último, é Pai de modo especial daqueles que se tornaram seus filhos adotivos por estarem associados a seu Filho por excelência, Cristo Jesus.

Ele também é Todo-Poderoso ou Onipotente. Por ser Deus, fonte e origem de tudo o que existe e sumamente perfeitíssimo, nEle não há distinção entre sua vontade, seu pensamento e a realidade. Só Deus é o Senhor de tudo o que há porque sua santíssima vontade é absolutamente soberana. Com isso também queremos professar que em Deus não há pecado nem erro, já que estes não são “poderes” ou possibilidades, mas justamente falta deles. Ou seja, sendo Todo-Poderoso, não há em Deus nenhuma imperfeição.

Por fim, o Deus único e nosso Pai é fonte e origem de toda a criação. Criar, neste sentido, só pode ser atributo de Deus pois significa criar a partir do nada. Aqui, céu e terra querem significar a totalidade de tudo o que há. É Deus Ele mesmo quem cria e sustenta todo o universo e todas as demais criaturas que nele existem. É então porque em Deus todas as suas qualidades são inseparáveis, que elas aparecem reunidas em um único artigo. Devemos então perceber que não é possível separar em nossa fé, nenhum dos pontos do primeiro artigo sem prejuízo de nosso entendimento de Deus e de nossa relação com Ele.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Artigo Pastoreando – 5

July 1st, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

Abaixo, minha 5ª contribuição ao jornal da paróquia Jesus Bom Pastor que, apesar de sucinta, é feita com um especial carinho e devoção. A primeira meditação sobre os 12 artigos da Profissão de Fé.

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CREIO, CRER

A profissão de fé cristã se inicia com uma afirmação que perpassa todos os artigos subsequentes: creio. Há aqui duas coisas muito importantes.

A primeira delas é que o Credo é composto, como já dissemos anteriormente, por artigos e não por partes isoladas ou por princípios, axiomas ou teses. São artigos (do latim articulus) porque são articulados, como membros que se ligam e formam uma entidade única não passível de separação. É por isso também que o Credo é dito símbolo (do grego symbolon), pois é uma união não aleatória de elementos que se completam. Assim, é com a mesma crença e a mesma fé, sem distinção, que professamos tudo o que se segue.

Mas o “Creio” no início do símbolo de fé não é meramente uma afirmação formal sobre o que virá, como se fosse desprovido de conteúdo e só apontasse para a importância dos outros momentos. Ele mesmo já veicula uma grande verdade de fé, a saber, que é possível a nós, seres humanos, crermos. Dizer “creio” já é manifestar que desde a criação o homem foi querido por Deus de um modo especial. É só ele, dentre todas as criaturas, que recebe o sopro divino (pneuma, ruah, espírito; Gn. 2,7). É só ao homem que Deus, desde o início, já comunica algo de Si, elevando o homem como a mais querida das criaturas e, de certo modo, já antecipando Seu movimento de comunicar-Se e entregar-Se ao homem manifestando Sua vontade através dos patriarcas, dos profetas e, no ápice dos tempos, assumindo Ele mesmo a natureza de tal criatura, em Cristo Jesus. A possibilidade de dizer “Creio” já é, portanto, em si mesma, condição para crermos nas demais partes articuladas e inseparáveis que compõem nossa profissão de fé mas também uma das secções deste corpo articulado que, quando compreendido, antecipa as demais. É só porque Deus, em seu infinito Amor, nos fez capazes de dialogar com Ele, em suma, de dizer Tu para Deus, é que somos os destinatários da Revelação de seu Filho cuja motivação última é a de que nenhum de nós nos percamos.

Por isso, ao dizermos “Creio” na profissão de fé, meditemos sobre a própria Fé, dádiva divina a nós que, não só nos torna capazes de participarmos de Sua vida, mas também de experimentarmos, por si mesma, o Amor inesgotável de Deus por nós.







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Artigo Pastoreando – 4

May 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja

Na edição passada, fizemos algumas considerações sobre a catequese, seu sentido e sua importância profunda. A partir desta edição do Pastoreando, vamos iniciar um comentário sobre os conteúdos da catequese.

Durante a história da Igreja tais conteúdos foram reunidos, com fins pedagógicos, em catecismos, isto é, em pequenos escritos, como a Didaché ou em volumes grandes como o Catecismo de Trento ou Romano. Merece ainda menção especial o belíssimo catecismo elaborado pelo papa S. Pio X, já em nossos tempos. Atualmente, temos o Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo papa João Paulo II a partir da motivação advinda do Concílio Vaticano II.

Tal como é organizado hoje, o Catecismo da Igreja é composto de 4 partes que, se não pretendem esgotar todo o conhecimento possível sobre o que crê a Igreja, querem dar conta do básico que todo fiel deve conhecer para bem vivenciar a sua fé, a saber, são: a explicitação da nossa Profissão de Fé (o Credo que rezamos na missa), a exposição da doutrina sobre os sacramentos e a Sagrada Liturgia, a reflexão sobre o agir cristão a partir dos Dez Mandamentos e, por fim, a oração cristã na reflexão e exposição sobre o Pai-Nosso. Como já podemos perceber, estão aí presentes as dimensões principais da vida da Igreja e, portanto, da nossa.

A primeira parte, o Credo, divide-se por sua vez em 12 artigos. A Tradição, que credita o símbolo que comumente usamos aos Apóstolos (por isso chamado “Símbolo Apostólico”), por vezes se refere a tal divisão como sendo originária do fato de que cada um dos apóstolos teria sido responsável pela proposição de um dos artigos (como Pseudo-Agostinho, Rufinus e mesmo Santo Ambrósio). Independentemente da confecção, está aí uma das mais antigas coleções de teses nas quais a Igreja de Cristo crê. São os doze artigos:

1. Creio em Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;

2. E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor;

3. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria;

4. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;

5. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;

6. Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso;

7. Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;

8. Creio no Espírito Santo;

9. Na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos;

10. Na remissão dos pecados;

11. Na ressurreição da carne;

12. Na vida eterna. Amém.

Assim, para começar, a partir da próxima edição vamos comentar e refletir, ainda que brevemente, sobre cada um dos artigos.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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