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Células-tronco embrionárias e os mitos modernos

August 26th, 2010 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa

No mínimo desde Comte, aprendemos já no jardim de infância que nossos tempos modernos (ou pós-modernos, hiper-modernos ou qualquer coisa que o valha) são o ápice da humanidade (que por sua vez serão ultrapassados por nossos sucessores que, mesmo antes de nascer, já exibem sua gloriosa contribuição para nossa perfectibilidade). Assim, nossos conhecimentos e nossa ciência estão em tal patamar de “evolução” (ahn, palavra maldita que significa “progresso”, mas que estranhamente também significa “fim (télos)”, “bem” e “verdade”, tudo ao mesmo tempo) que nos arremessa anos-luz à frente de nossos pobres antepassados. Com isso, compreendemos também – nós, os gloriosos modernos – que esta ciência foi aos poucos tomando lugar de explicações toscas do mundo, baseadas em crenças horrendas que, vejam só, eram dogmáticas e completamente refratárias à qualquer tentativa de penetração do nosso órgão-mór, a Razão. E enfim, aquelas figuras interesseiras e tendenciosas que guiavam nossos antepassados através destas trilhas obscuras e danosas – os sacerdotes – foram substituídas pelos arautos do mundo novo, os cientistas.

Os cientistas merecem uma ou outra palavrinha. Sabe-se lá o porquê, os cientistas, ao adentrarem naquele recinto sagrado, o laboratório – o novo Santo dos Santos – revestem-se automaticamente de uma aura, imediatamente reconhecida pela sociedade, que por sua vez faz deles os Sumos Sacerdotes sobre os quais colocamos todas as nossas confianças. É sabido que os Sumos Sacerdotes entravam, uma vez por ano no Santo dos Santos para pedirem expiação de todos os males do povo, bem como de seus próprios. No entanto, os nossos mais excelsos sacerdotes são estranhos. Vejamos um exemplo:

Acabo de ler uma entrevista na qual um destes senhores cientistas, pesquisador de células-tronco, inclusive das embrionárias, comenta um certo embargo propugnado por um juiz, que, ao menos temporariamente, parece obstruir seus estudos ou o uso de seus resultados. Pois bem, este gênio, arauto da razão diz algumas coisas que incautos não percebem. Assim, vamos a elas:

1. A relação dos sacerdotes com o dinheiro foi sempre vista como problemática. Mas não a dos neo-sacerdotes. O próprio cientista entrevistado lamenta que a pausa nas pesquisas afeta muito os cientistas que recebem financiamento para suas pesquisas. É claro que você pensa na corrida contra o tempo empreendida por esse quase-voluntário trabalhando em favor da humanidade, para salvar milhões de vidas. Mas deveria pensar que os cientistas recebem milhões em verbas que vão ao encontro de sua ganância propriamente humana – como a minha e a sua. Chega a ser patético o fato de que a figura do idealista em busca da verdade esteja tão em desuso, mas não quando este idealista veste um jaleco branco numa sala branca. Os interesses são todos “científicos” e “em prol do desenvolvimento”.

O senhor cientista chega a dizer que a decisão judicial foi motivada por interesses eleitorais e de contexto, e não por uma convicção ética. Claro, a suspeita acerca de interesses não revelados deve pairar sobre todos, exceto sobre ele, nosso super-heroi casto e puro, quase um mártir irreconhecido.

2. Se este é o guardião da Razão, quero ser uma Besta. Perguntado sobre se achava que a interrupção duraria muito, o cientista responde (sou obrigado a citar):

Eu me sinto otimista e espero que seja coisa de alguns meses. O bloqueio judicial é muito condicionado pelas eleições deste outono, e portanto é possível que desapareça depois dele. O problema de fundo é a interpretação que o juiz fez de uma lei de 1996. Durante os próximos meses os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA vão analisar a fundo como contorná-la ou reformá-la. Mas pretender frear essas pesquisas com minúcias legais não passa de uma fantasia mental. Quando aparecerem as primeiras terapias acabará a discussão: ninguém pode ser contra a cura.

O “argumento” é simples: vai durar pouco porque, quando ficar visível que funciona, “acabará a discussão”, afinal, “ninguém pode ser contra a cura”. Chega a me embrulhar o estômago ter que analisar o “argumento”.

Toda a possível “discussão” é, aos olhos do nobre doutor, uma questão que, de antemão já está resolvida. Há aqui uma premissa oculta que assevera que “se algo funciona, então seu uso está eticamente justificado”. Alguém aí precisa da explicação? Além da falácia que é o ocultamento da premissa, por si mesmo, ela é altamente discutível. É possível pensar em inúmeros artefatos ou medidas que “funcionam” mas são deploráveis quanto ao seu valor. E não me venha citando o fim nobre de “salvar vidas”. Se houvesse uma pandemia causada pelos ursos panda (o trocadilho foi absolutamente incidental), nada mais justificado do que exterminá-los. Mas ai daqueles que o propusessem. Exterminar uma espécie de bichinhos tão lindos, dóceis e indefesos em benefício dessa raça humana depravada, o que! Seria um meio inadmissível, embora para um fim desejável (segundo alguns, bem poucos).

A tática de remodelar o problema indesejável em torno de algo obviamente desejável é tudo, menos racional. Quem será contra a cura!?… Mas, bem, não era essa a questão, senhor. Mas, caso seja por aí que o senhor deseje ir, talvez a pergunta adequada seja: Quem será a favor da cura a qualquer preço?

 

PS: Nos artigos relacionados há um outro que comentarei depois. Adianto que seu raciocínio é de um nível que deveria fazer com que a cientista que o pronuncia perdesse o diploma… do pré-primário.







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Luiz Felipe Pondé – Abel

August 16th, 2010 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa

 

CARO LEITOR, sou um pobre de espírito. Não daquele tipo que herdará o reino dos céus, como afirma Jesus no "Sermão da Montanha". Não há lugar pra gente como eu no reino dos céus. Por uma razão simples: não amo ninguém mais do que a mim mesmo. E isso é mortal. Sempre foi. Os mentirosos é que tentam dizer o contrário. Não partilho da nova "ciência do egoísmo", essa que se traduz em livros e revistas que buscam "novas formas de espiritualidade" centrada no amor próprio. Ou nessa coisa horrorosa chamada "autoestima".

Tampouco fiz de mim um budista light, desse tipo que parasita as religiões orientais com a intenção de inventar uma espiritualidade que sirva ao clássico egoísmo moderno, numa salada mista de energias hindus com Jung barato. Antes de tudo, recuso o budismo light por um mero senso do ridículo que habita essas formas mesquinhas de espiritualidade.
Com isso quero dizer que não trocaria o reino dos céus por alguma forma quântica de paraíso egoísta, ao sabor da espiritualidade de livrarias de aeroporto do tipo "O Efeito Sombra", cujo subtítulo é "Encontre o Poder Escondido na sua Verdade", dos "guias espirituais" Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson, perfeito para almas superficiais amantes de toda forma de espiritualidade mesquinha.

O que é uma espiritualidade mesquinha? Fácil responder essa. Espiritualidade mesquinha é, antes de tudo, uma forma de crença que deforma a face do crente, iluminando seus caninos ocultos. Aquela que sempre medita com o objetivo de nos tornar mais poderosos e bem-sucedidos. Essa praga espiritual está em toda parte porque, simplesmente, não conseguimos entender que, para salvarmos nossa vida, temos que perdê-la. Jesus tinha razão.
O principal obstáculo para se libertar do mal é o "eu". Essa peste que contamina todo ato humano. Como vampiros de Deus, queremos fazer até da "sombra" (do mal em nós) um serviçal de nosso sucesso.

Sou um pobre de espírito. Passo horas temendo o abandono, o desprezo e a indiferença. Comparando meus pequenos sucessos com os mais infelizes do que eu. Ainda bem que eles existem. Rezo para que o mundo me ame. Em meus pesadelos sempre sou o último dos amados do mundo. Quando encontro alguém melhor do que eu, perco o sono, quero destruí-lo. Sua respiração me sufoca. Sua generosidade me humilha. Seu sorriso é uma prova de que fracassei em amar o mundo.

Que o leitor apressado não pense que estou numa crise de autoestima. Que o leitor crente nessas formas de espiritualidade mesquinha não aplique psicologia barata ao que digo, tentando justificar tudo que lê com alguma hipótese acerca do cotidiano de quem escreve. Você não me conhece. Mas seguramente conhece a miséria que vos falo: quem ama alguém mais do que a si mesmo?

Não vale jogar na cara dos outros amores maternos e paternos ou filiais. Na era do "direito à felicidade do indivíduo", até a ciência já está provando (vide o diagnóstico apresentado pelo caderno Equilíbrio desta Folha no último dia 3/8) que ter filhos é um mau negócio.

Pais e mães são mais estressados do que adultos sem filhos. E é a mesma ciência que agora "descobre" a miséria dos pais, que a cria, em grande parte, com suas demandas "cientificas" de aperfeiçoamento da função parental. Ninguém mais sabe ser pai e mãe sem a palavra de uma especialista. Como sempre digo, a mania de criar um "homem" melhor vai nos destruir a todos.
Como idiota digital que sou, busco rapidamente na internet alguma nova teoria científica ou política que prove que ninguém é melhor do que ninguém. Que nos reúna num ato de mediocridade comum. Alguma nova técnica de treinamento em recursos humanos que devolva a mim minha falsa glória. Meu objetivo é fazer inveja a Deus.

Entendo Caim em seu ódio por Abel. Ao contrário das bobagens que afirma Saramago em seu livro "Caim" -críticas típicas de quem nada entende acerca da tradição bíblica porque permaneceu infantil espiritualmente-, Caim não suportou o fato de que Abel era melhor do que ele e por isso o matou. Existe algum Abel aí ao seu lado?







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Os tais dos valores – Luiz Felipe Pondé

October 21st, 2009 | 3 Comentários | Postado em Educação, Imprensa, Opinião

 

RECEBI MUITOS e-mails por conta da "Vovó das Havaianas", a coluna de 5 de outubro, onde comentei o comercial "maldito" da "vovó que gosta de sexo". Mas, afinal, por que se ofender com isso?

A queixa dos ofendidos, em situações como essa, normalmente cai sobre essa coisa de que, hoje em dia, se fala tanto quanto se fala em cabala da Vila Madalena, energias, aquecimento global e outros clichês, isso é, os tais dos "valores".
Frases como "hoje não existem valores" soam tão ridículas como "sofro porque os unicórnios estão sendo extintos". Quando alguém começa falando "porque a crise dos valores hoje em dia…", eu já sei que o resto é blábláblá. Por acaso alguém acha que o mundo já foi melhor? Há 500 anos existiam "valores" mais válidos? Respondo: não, o mundo nunca foi bom. E mais: se há 500 anos havia "valores" mais válidos é porque simplesmente havia menos opções na vida. Muitas opções, muita mistura, muitas viagens, muita gente diferente, muita terapia…
muita incerteza. A própria ideia de "escolha de valores" implica num "mercado de valores".
Todo mundo se acha "progressista", "emancipado", "ético", adora dizer que gosta de mudanças morais, mas contanto que o mundo caiba em sua salinha de TV. O relativismo só serve para se achar índio fofinho.

Quer deixar alguém com vergonha: mande ele ou ela elencar a lista de "valores" que julga certa (não vale coisas do tipo "não matarás" porque essa ideia é de Moisés…). Ninguém é repressor, mas todo mundo tem seu chicotinho à mão. O moralismo barato nunca esteve tanto em voga. Falando mal da propaganda me sinto como um agente do bem enfrentando os demônios do mundo. Mas todo mundo quer que a economia gire, o dinheiro circule e venha parar em suas mãos. Para isso acontecer, tem de ter consumo. Ah, como é difícil esse mundo de gente grande.
Ouvi dizer que umas 200 leis andam por aí querendo controlar a propaganda. Ouvi também falar de uma lei que obriga a ter, nas fotos, algo como "esta foto não é real" a fim de libertar as meninas da beleza "artificial". Alguém pode me explicar o que vem a ser a "beleza natural"?

Ninguém pode controlar o modo como se "forma" o padrão de beleza sem se tornar um fascista. Pois bem, aí está o photoshop ético. Ridículo, como aliás todo esse furor legislativo. A ideia de uma propaganda "construtiva" em termos de "valores" é de inspiração fascista. Quem vai dizer quais são os "valores construtivos"?

Se tomarmos por evidência o que as pessoas falam, todas têm ótimos "valores", ninguém corrompe ninguém, ninguém trai ninguém, ninguém mente para ninguém, todo mundo ensina aos filhos o bem. Veja a pesquisa recente publicada no caderno Mais! desta Folha (dia 4 passado): segundo a pesquisa, nós vivemos numa Escandinávia, todo mundo é muito ético.
Aliás, sobre essa bobagem da Escandinávia ser vista como modelo ético, recomendo a leitura do romance do dinamarquês Christian Junguersen "A Exceção" (ed. Intrínseca). Nesse maravilhoso livro, um grupo de mulheres que trabalham num centro em Copenhague de combate e investigação de genocídios (olha só: elas são do bem!) se põe a perseguir e destruir uma delas, apenas porque as outras pensam que ela é suburbana, careta e tem uma família "Doriana".

Ninguém fala a verdade quando é perguntado sobre "valores". Óbvio que não: seria como ficar nu em público. A tendência a projetar uma autoimagem de gigante ético é tão normal quanto cobrir as partes íntimas do corpo. É mais ou menos como se perguntar: é verdade que sua mãe é amante do vizinho? Ela é, mas você não vai contar.

Por exemplo, uma reunião de pais numa escola é um desfile de pessoas que são absolutamente seguras quanto aos "valores" que passam para os filhos. Mentira. Pura piada. Quando muito, os pais veem os filhos à noite. Só não terceirizam os filhos quem não tem dinheiro ou mulheres sem inquietações profissionais ou libertárias, ou seja, as "coitadas" que as outras acham que são "apenas mães".

Se dependesse desses "santos", o mundo já estaria salvo só de ouvi-los cantar o hino aos "valores de seus filhos". A vida cotidiana se dá aos pedaços, aos trancos e barrancos, com fragmentos de consciência e a custa de muito esforço. Ninguém sabe com certeza o que está fazendo, quando está fazendo, em meio a tudo que faz ao mesmo tempo, o tempo todo.
Enfim, suspeito que esse papo de "valores" serve para evitarmos falar de coisas mais sérias.







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Excesso populacional ou O homem como praga

June 16th, 2009 | 3 Comentários | Postado em Filosofia, Imprensa, Opinião

Em uma entrevista dada à edição de julho próximo da revista Cosmopolitan (visto a partir do LifeSiteNews.com), a atriz americana Cameron Diaz declarou magistralmente que

 

“We don’t need any more kids. We have plenty of people on this planet.”

 

Como aponta a matéria do LifeSite, a atriz já tem um memorável histórico de excelentes opiniões acerca dos assuntos correlatos, como quando declarou ser favorável ao aborto pelo genial argumento que faz sucesso em conversas de salão – nas quais pensar seriamente equivale a ser banido –, o qual parte do “inalienável” direito das mulheres sobre o próprio corpo.

Entretanto, o que mais me incomoda neste tipo de declaração não é a ignorância acerca damulhereflor queda das taxas de natalidade, sobretudo no ocidente (veja também aqui), mas um pressuposto um tanto irrefletido que, há pouco tempo não passava de clichê ou frase de efeito, mas tem se tornado uma espécie de axioma, a saber, que o homem é uma praga mundial e que seu crescimento populacional é um perigo horrendo para o planeta.

A primeira falácia que impregna o tal axioma a partir do qual se deduz que estamos sobrando no planeta é a de que a Terra está agonizando. Já tratei disso aqui. O ponto fundamental é que os maiores afetados pela má conservação do planeta não é o planeta – que continuará firme e forte vagando pelo espaço –, mas nós que poderemos deixar de existir. Vai daí que, no máximo, somos uma ameaça a nós mesmos e não à Terra que existirá tranquilamente sem nós e os pandas.

Mas o que é pungente é o crescente esvaziamento da dignidade própria ao ser humano de modo que ele passa agora a ser visto como excessivo ou nocivo para a boa ordem das coisas. Em geral, os grandes problemas sociais não advêm da falta de recursos frente a uma demanda que não pode ser suprida devido ao seu enorme tamanho. Os problemas que se ocultam por detrás de clichês como o da superpopulação são, em verdade, éticos. Num nível superior, tentativas meramente intra-históricas de resolver tais problemas, ou seja, sem fazer referência a um pensamento antropológico-filosófico e ético sério está, a priori, fadado ao fracasso. Dito de outro modo, a simples redução do número de pessoas no planeta não é suficiente – e certamente nem necessária –, para dar conta dos problemas da humanidade.

Derivar dessa falsa construção a ideia de que o homem é nocivo à bela ordem do mundo é o mote fundamental dos discursos contemporâneos que acabam por nivelar o homem com os outros entes naturais, movidos em geral por um fisiologismo tacanho e por clichês neo-pagãos. Favor não confundir com a visão dos filósofos gregos que viam uma unidade profunda na Physis que, obviamente, incluiria o homem. É óbvio para Aristóteles e, arrisco dizer, para qualquer um dos referidos filósofos que o homem pode distanciar-se pelo lógos e por aquilo que poderíamos chamar de liberdade ou capacidade de deliberação, patentemente não presente nos animais e nas plantas.

O novo discurso antropológico é então quase um pedido de desculpas por nossa existência e procura estupidamente resolver problemas humanos esvaziando o homem justamente de suas singularidades que tornam possível a ele decifrar e solucionar problemas. Bem-vindo à contemporaneidade.







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O presb?tero e o s?culo

February 13th, 2009 | 2 Comentários | Postado em Igreja

 

Mission?rio devolve t?tulo honor?fico ao presidente da It?lia

O presb?tero Aldo Trento ? respons?vel por uma cl?nica para doentes terminais

ROMA, sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- O sacerdote Aldo Trento ?, desde 1989,aldotrento um dos mission?rios mais conhecidos da Fraternidade de S?o Carlos Borromeu do Paraguai. Ele tem 62 anos e ? respons?vel por uma cl?nica para doentes terminais em Assun??o.

Em 2 de junho passado, o presidente da Rep?blica Italiana, Giorgio Napolitano, havia lhe conferido o t?tulo de Cavaleiro da Ordem da Estrela da Solidariedade. Nesta quarta-feira, o sacerdote devolveu o reconhecimento a Napolitano, por n?o ter assinado o decreto que teria detido o protocolo m?dico para Eluana Englaro.

?Como posso eu, cidad?o italiano, receber semelhante honra quando o senhor, com sua interven??o, permite a morte de Eluana, em nome da Rep?blica Italiana??, pergunta.

?Tenho mais de um caso como o de Eluana Englaro ? relata Aldo Trento. Penso no pequeno V?ctor, um menino em coma, que aperta os punhos; a ?nica coisa que fazemos ? dar-lhe de comer com a sonda. Diante destas situa??es, como posso reagir frente ao caso de Eluana??

?Ontem me trouxeram uma menina nua, uma prostituta, em coma, deixada na porta de um hospital; ela se chama Patr?cia, tem 19 anos; n?s a lavamos e limpamos. E ontem ela come?ou a mexer os olhos?, afirma.

?Celeste tem 11 anos, sofre de leucemia grav?ssima, n?o havia sido tratada nunca; trouxeram-na para mim a fim de que fosse internada. Hoje Celeste caminha. E sorri.?

?Levei ao cemit?rio mais de 600 destes enfermos. Como se pode aceitar semelhante opera??o, como a que se fez com Eluana??

?Cristina ? uma menina abandonada em um lixo, ? cega, surda, treme quando a beijo, vive com uma sonda, como Eluana. N?o reage, s? treme, mas pouco a pouco recupera as faculdades?, acrescenta.

?Sou padrinho de dezenas destes enfermos. N?o me importa sua pele putrefata. O senhor teria que ver com que humildade meus m?dicos tratam deles.?

Aldo Trento diz experimentar uma ?dor imensa? pela hist?ria de Eluana Englaro: ?? como se me dissessem: agora levaremos embora seus filhos enfermos?.

Para o mission?rio, ?o homem n?o pode se reduzir ? quest?o qu?mica?.

?Como pode o presidente da Rep?blica oferecer-me uma estrela ? solidariedade no mundo? Assim que recebi a estrela, eu a levei ? embaixada italiana no Paraguai.?

?Aqui o racionalismo cai, deixando espa?o ao niilismo ? comenta. Dizem-nos que uma mulher ainda viva j? estaria praticamente morta. Mas ent?o ? absurdo tamb?m o cemit?rio e o culto ? imortalidade que animam a nossa civiliza??o.?







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Dignitas Personae

December 13th, 2008 | Comente | Postado em Igreja, Links

Ontem, dia 12 de dezembro, veio a p?blico o documento Dignitas Personae, elaborado pela Congrega??o para a Doutrina da F?. E em breve, v?m os absurdos da imprensa onisciente.


Por enquanto, leia a s?ntese do documento
. Texto na ?ntegra, em portugu?s.

E logo posto comentando sobre aqueles absurdos.

Leia tamb?m
O que ? o Catolicismo?
Bento XVI sobre a Justifica??o
Obama sobre religi?o e pol?tica ou Sobre Ser e Parecer

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Migalhas eleitorais

October 14th, 2008 | 2 Comentários | Postado em Opinião

Postei sobre a “pol?mica” suscitada pela estrat?gia da campanha de Marta. Veja l?.


Leia tamb?m
De costas para o futuro… em dire??o ao Eterno
Ahn, os jornalistas
Pecados capitais da imprensa
Alguns fragmentos sobre educa??o

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