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Os novos intelectuais da USP

fevereiro 8th, 2010 | 2 Comentários | Postado em Educação, Imprensa

Assim como fiz no ano passado, posto algumas fotos da “recepção” dos calouros da USP. Clique para ampliar.

 

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Para ver as restantes, clique aqui.







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A nova elite intelectual do país

fevereiro 9th, 2009 | 4 Comentários | Postado em Educação, Imprensa, Opinião

 

? deliberando sobre o futuro e mostrando a que veio:

 

bichosusp

 

Veja as outras fotos aqui.

 

UPDATE:

Sugest?o do nosso amigo ?talo, mostrando que essa gente descolada de universidade ? hype e sem preconceito (mau mesmo ? esse povo de Igreja):

bichosusp2

 

E mais uma amostra de amor ? educa??o, ? cidadania e ? civilidade:

 

bichosusp3

 

Leia tamb?m
Na escurid?o
Alguns fragmentos sobre educa??o







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Dia Nacional do Livro

outubro 29th, 2008 | Comente | Postado em Educação, Links, Livros

Hoje, quarta-feira, dia 29 de outubro ? o Dia Nacional do Livro. Segundo o IBGE, a data foi escolhida por ser a data de anivers?rio da Funda??o Biblioteca Nacional. Nada melhor para comemorar o dia do que ler. Assim:

- Como voc?s podem ver na barra ao lado, comecei a exibir o que estou lendo;

- Aqui, a obra completa de Machado de Assis, online e gratuita. E mais v?rios links para sites de ebooks;

- Leia aqui algumas considera??es sobre Educa??o;

- Veja algumas fotos de livros que garimpei pela rede;

- Aproveite e doe uns livros gratuitamente;

Mais sugest?es? Deixe nos coment?rios.

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Sexta de Livros

outubro 10th, 2008 | 2 Comentários | Postado em Livros

Obelisco de Livros

obeliscolivros.jpg

A pequena Morro Reuter, cidade ga?cha colonizada por alem?es, est? situada a 60 quil?metros do norte da capital, Porto Alegre. ? l? que pode ser encontrado o Obelisco de Livros, cria??o do artista Gustavo Nakle, bem em frente ? sede da prefeitura. (leia mais aqui).

Veja tamb?m
Outros livros
Como me tornei est?pido
E o pouco que l?…
Alguns fragmentos sobre educa??o

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Sobre Obrigatoriedade da Filosofia – II

outubro 5th, 2008 | Comente | Postado em Educação, Filosofia, Opinião

Dando continuidade ao artigo do meu amigo Francisco, aqui vai a segunda parte:

*
No breve exame a respeito das expectativas pedag?gicas que inspiram e justificam a Obrigatoriedade do Ensino de Filosofia, constatou-se, escondido nas entranhas das id?ias, a prolifera??o de uma peculiar vis?o degenerativa de mundo. A ing?nua manifesta??o de uma mera opini?o a respeito de algumas id?ias, evidentemente, n?o d? conta de perceber qual o manancial filos?fico que alimenta e gerencia as condi??es de sentido pr?prias dessas id?ias.
? primeira vista, de fato, deve causar certa estranheza pensar como que algu?m hoje, ou em qualquer momento da hist?ria, se op?e ? id?ia de “filosofia como pr?tica de cidadania”. Afinal de contas, qualquer estudante minimamente atento aos seus manuais de filosofia sabe da rela??o entre o tema do nascimento da filosofia com a origem da polis (cidade-estado) grega. E s? esse fato, abundantemente constatados nos livros de hist?ria, j? bastaria pra justificar uma poss?vel rela??o entre filosofia e pol?tica ou, desculpe a redund?ncia, filosofia e cidadania. E se quisermos ir mais longe, da rela??o entre educa??o e pol?tica.
No entanto, os problemas n?o s?o assim t?o simples e, como vimos, as frases de efeito n?o s?o de forma alguma id?neas. N?o dizem na maioria das vezes o que deveriam exatamente dizer. Pelo contr?rio, escondem atr?s de si profundos mecanismos de desarticula??o de sentido alicer?ados e inspirados por concep??es filos?ficas j? completamente ultrapassadas e contestadas na suas estruturas l?gica e ontol?gica, bem como – caso algu?m duvide da capacidade dessas articula??es – testadas e fracassadas por suas experi?ncias hist?ricas. Dizer atualmente, por exemplo, “a filosofia como pr?tica da cidadania” n?o tem nada a ver com a concep??o de filosofia formulada, por exemplo, em sua origem, e menos ainda tem a ver com as concep??es de pol?tica, cidadania e, conseq?entemente, educa??o. Hoje, essas concep??es, est?o fundadas em pressupostos filos?ficos que requer um exame mais atento, no entanto, o problema ? que esses pressupostos est?o todos eles camuflados por uma verdadeira pandemia de cultura ideol?gica que impossibilita e impede qualquer aproxima??o de seus reais fundamentos; examinar cuidadosamente a l?gica e a estrutura m?nima da realidade dos seus princ?pios ? uma tarefa arrisca justamente porque se corre o risco de ser engolido pelo poder de desarticula??o de sua l?gica degenerativa e ser contaminado pelo seu pr?prio veneno.
De qualquer maneira, n?o ? dif?cil constatar, o primeiro resultado da analise ideol?gica que est? por tr?s da frase “a filosofia como pr?tica de cidadania” ? uma tese muito difundida nos nossos dias – conseq??ncia de uma s?rie de quest?es relacionadas ? hist?ria das id?ias cujas ra?zes profundas est?o no in?cio do s?c. XIX e o epicentro o s?c. XX, que n?o cabe aqui um estudo exaustivo – e aparentemente muito simples, que diz: “todos os homens s?o fil?sofos”; cujos seus fundamentos ainda mais distantes amparam-se numa outra id?ia, n?o t?o simples assim, de que “o homem ? um sujeito de autonomia cuja raiz, desse enraizamento, ? o pr?prio homem”, ou seja, de “que o homem ?, para o homem, o ser supremo”; nesse sentido, a ?nica finalidade da pedagogia deve necessariamente ser a do desenvolvimento dessa autonomia e da consci?ncia cr?tica. Tanto ? verdade, que uma das t?picas frases de efeito de grande notoriedade nos c?rculos do botequim intelectual ? “a filosofia desenvolve a consci?ncia cr?tica”. Essas teses foram amplamente incorporadas e difundidas por sistemas pedag?gicos cuja fun??o era a doutrina??o cultural. At? porque s? poderiam mesmo se configurar como doutrina??o cultural j? que se examinadas a fundo n?o d?o conta de uma an?lise rigorosa. De qualquer maneira, foi a partir dessas teses que se engendrou todo um arsenal degenerativo de edemas cognitivos a partir do qual se reduziu qualquer empreendimento filos?fico a uma pr?xis pol?tica, restando n?o s? ? filosofia, mas a toda e qualquer forma de empreendimento intelectual, de educa??o e forma??o humana uma dimens?o n?o mais aberta, que busca compreender, a partir de uma concep??o forte e genu?na, o sentido da miser?vel finitude humana, pelo contr?rio uma educa??o radicalmente fechada em si mesma e enraizada na historicidade do pr?prio homem e da natureza configurada numa rela??o meramente material e est?pida.
Aparentemente essas no??es nada t?m de problem?ticas e parece n?o ferir o bom senso cr?tico pedag?gico. Qual seria o problema de formar no aluno uma “consci?ncia cr?tica”? Qual seria o problema de fazer do empreendimento pedag?gico e filos?fico uma pr?xis pol?tica ou uma pr?tica da liberdade? Nenhum! A n?o ser o simples fato de esses conceitos fazerem parte de um fundo ideol?gico que reduz completamente o homem e a natureza a uma realidade pueril e burra. S?o doutrinas que reduzem tudo ao meramente humano e material. Num gesto de retrocesso m?tico de universaliza??o, tudo ? condicionado e determinado por rela??es materiais, a sociedade humana uma mera apar?ncia dessa realidade cega, o homem apenas uma pe?a da engrenagem social cuja tomada de consci?ncia cr?tica ? justamente descobrir-se para a manuten??o da sua condi??o coletiva. Assim como o desenrolar cego da natureza, tudo ? joguete de for?as cegas, no caso da sociedade humana de conflitos entre oprimidos e opressores, um jogo fechado na arquitetura de sistemas econ?micos e interesses pol?ticos. O homem precisa se descobrir criticamente como produtor dessa realidade. Uma realidade social constru?da justamente pela a??o do homem livre. Caso n?o seja livre ele ? condicionado pela realidade opressora e nada mais! As nuances dessa disputa hoje s?o tantas, os matizes do espectro que configuram essas rela??es s?o t?o complexos que ? praticamente impercept?vel, ou melhor, imposs?vel compreender que o que est? por tr?s das id?ias como a de “educa??o”, “liberdade”, “consci?ncia cr?tica”, “senso cr?tico”, “pol?tica”, “justi?a social”, “cidadania”, “filosofia” etc ?, justamente, uma tentativa brutal de reduzir a realidade, isto ?, a degenera??o moral e cognitiva como vulgariza??o sect?ria de desarticula??o do real.
Nesse sentido, por exemplo, o aluno n?o ? mais algu?m que sabe ou est? em busca de saber, ou que se descobre no ato de se imortalizar – athanatizein – como ess?ncia da vida filos?fica, fundamental, por exemplo, em Plat?o ou Arist?teles, mas se v? debilitado em algu?m que faz e est? simplesmente fadado ao ter de aprender a fazer, segundo a no??o de pr?xis vinculada a um universo ideol?gico! Avaliado meramente por possuir algumas meras habilidades, limitadas a sua voca??o individual em detrimento de um m?sero projeto de ser quem ele quiser, evidentemente, desde que n?o seja contr?rio ao que ? politicamente aceito e correto para a manuten??o dessa estupidez, o aluno torna-se o joguete, o parafuso cego de um arsenal mec?nico de meras opini?es. Ali?s, se acharem que estou inventando isso por ser “elite conservadora” ou um lun?tico “reacion?rio” ? s? ler a justificativa do projeto de lei sobre o papel social da filosofia: (http://www.camara.gov.br/sileg/integras/153903.doc) “a Filosofia tem no atual contexto pol?tico do fortalecimento das institui??es democr?ticas do pa?s um dos pap?is mais relevantes neste projeto, qual seja, o de contribuir para uma forma??o e fundamenta??o da opini?o p?blica brasileira”. Como nesse esquizofr?nico panorama das opini?es o homem ? raiz de si mesmo, tudo o que se fala, toda opini?o que se emite, toda e qualquer escolha tem valor efetivo no mercado das id?ias. O auto-estabelecimento da supremacia do homem definitivamente derrubou qualquer par?metro que n?o sua loucura. Na constrangedora inoc?ncia por liberdade de express?o a “Filosofia como pr?tica da cidadania” torna-se a desgastada e insuper?vel forma de educa??o como mera fun??o pol?tica de contribuir com a opini?o p?blica, ou seja, retroalimentar essa barb?rie epist?mica. Onde todos s?o fil?sofos, j? n?o h? mais lugar para Filosofia. Onde tudo ? verdade, a mentira tamb?m reina e o her?ico Barrab?s concebe sua Justi?a na alegria e no direito de agora ser livre.






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Sobre Obrigatoriedade da Filosofia – I (convidado)

outubro 2nd, 2008 | 2 Comentários | Postado em Educação, Filosofia, Opinião

Retomando o assunto, publico abaixo o primeiro texto de um grande amigo, Francisco Razzo, que escreveu especialmente para nosso blog.

*

Recentemente, no af? da discuss?o a respeito do projeto de lei que determina a obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia para o Ensino M?dio, lan?aram-me o seguinte desafio: “Ensinar filosofia ? imposs?vel e/ou ensinar a filosofar ser? improv?vel? E o que se esperar do ensino de filosofia?”. Num primeiro momento vou ficar apenas com a segunda pergunta.

Nunca escondi, apesar de ser meu ganha-p?o, o ceticismo em rela??o ? obrigatoriedade e, conseq?entemente, ? possibilidade efetiva de uma educa??o e genu?na forma??o filos?fica para o perfil de jovens que freq?entam e que comp?e o cen?rio da educa??o de base no Brasil, hoje. Nas v?rias discuss?es que travei sobre o assunto, poucas em compara??o ? hist?ria desse problema, j? me chamaram de tudo quanto ? nome: “reacion?rio” eu at? simpatizo! Mas sem d?vida, n?o posso negar, que “membro da elite conservadora” ? um dos elogios que eu mais gosto. Pra quem compreendeu filosoficamente, ainda que ? dist?ncia que ? o meu caso, o significado de elite conservadora sabe a gratid?o que ? receber tal elogio.

Pra responder essa impertinente pergunta precisaria dar n?o uma volta, mas um verdadeiro mergulho, em busca de fundamentos, em uma s?rie de quest?es a fim de analisar id?ias que sempre se escondem atr?s de um amontoado de outras id?ias, a ponto de n?o sabermos mais distinguir gato de lebre; porque ningu?m, intelectualmente honesto e comprometido com a Filosofia, responderia isso com f?rmulas feitas ou frases de efeito, a n?o ser o despreparo ? fruto da mera ingenuidade de aprendizagem e repert?rio ? ou a charlatanice ? essa sim perigosa porque moralmente degenerativa ? que d?o seus v?os sem asas e acreditam estar em mais uma aventura, n?o obstante, isso seja realmente um perigo, pra n?o dizer uma desorienta??o patol?gica cognitiva ou uma doen?a do esp?rito.

Frases feitas ou frases de efeito s?o frases pulverizadoras de realidade ou sentido, que tem como fun??o gram?tico-moral desarticular qualquer possibilidade de rela??o entre id?ia e real ou desarticular a possibilidade de apreens?o do real. Uma esp?cie de v?rus da linguagem e da possibilidade de compreens?o do real, conseq?entemente fundamentar ju?zos seguros que ampare, numa rela??o bem mais complexa, o agente moral; ao inv?s de dar condi??es elementares de interpreta??o, pelo contr?rio, as frases de efeito desestabilizam n?o s? o real, uma vez que for?a o real a se enquadar no seu esquema ou, em muitos casos, o despreza completamente; no entanto, essencialmente, se torna ela mesma manancial degenerativo de sentido.

Foi justamente numa dessas frases que se fundamentou a id?ia de obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia no Ensino M?dio. O cat?logo das patologias ling??sticas do s?culo XX cresceu exponencialmente. Uma de suas p?rolas pedag?gicas atua endemicamente, a saber, “A educa??o ? a pr?tica da cidadania”. O estrago cognitivo por tr?s dessa express?o ? digno de um G?rgias e de um v?rus. Como todo bom v?rus sofre muta??o para invadir, tomar posse e parasitar em sistemas org?nicos; aqui constatamos nitidamente uma readapta??o, no caso num sistema sem?ntico e sem muitos problemas (por enquanto) poder?amos ler: “A filosofia como pr?tica da cidadania”. Se h? uma frase definitivamente de efeito em meio a nossa discuss?o ? essa! O problema justamente ? o “kit ideol?gico” re-constru?do e disseminado por ela.

Essa ? a outra fun??o das frases de efeito: como genu?nas pulverizadoras da condi??o de sentido e da possibilidade de compreens?o da realidade elas s? poderiam ser em ess?ncia um “kit ideol?gico”. Tr?s, camufladamente, na sua estrutura de desarticula??o ling??stica e moral a fun??o multiplicadora de ideologias. Antes de perguntarmos ent?o “Ensinar filosofia ? imposs?vel e/ou ensinar a filosofar ser? improv?vel? E o que se esperar do ensino de filosofia?” ? preciso examinar e diagnosticar o mais atentamente poss?vel se o que fundamenta essa condi??o de obrigatoriedade n?o ? sen?o a manifesta??o de uma sutil doen?a degenerativa da alma. Evidentemente que a pergunta ? leg?tima, a pergunta ? o principal instrumento do exame, o problema ? o diagn?stico. E o primeiro resultado da pergunta “E o que esperar do ensino da filosofia?” ? “O que esperar do ensino da filosofia ? filosofia aqui compreendida numa base pedag?gica e ideol?gica de educa??o como pr?tica da cidadania, que por sua vez deve ser compreendida como educa??o como pr?tica da liberdade, para o perfil de alunos do cen?rio atual do Ensino M?dio no Brasil?”.

Resumindo: ainda que a pergunta-desafio seja leg?tima, constatamos, mediante um exame cuidadoso, que ela no fundo permite a prolifera??o de frases de efeito que desarticulam o real e o genu?no sentido da educa??o e forma??o filos?fica. A difundida express?o “Filosofia como pr?tica da cidadania” constitui-se propriamente como frase de efeito que por sua dissemina outra frase de efeito, propriamente uma ideologia, famosa na forma??o da mentalidade pedag?gica brasileira, de que a “educa??o ? pr?tica da liberdade”. Na segunda parte analisarei o sentido ideol?gico dessa express?o.

Francisco Razzo







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Alguns fragmentos sobre educação

setembro 30th, 2008 | 2 Comentários | Postado em Educação, Links, Opinião, Vídeos

The one thing that is never taught by any chance in the atmosphere of public schools is this: that there is a whole truth of things, and that in knowing it and speaking it we are happy.

G.K. Chesterton

1. ? sintom?tico em nossa sociedade que um dos principais problemas no processo de aprendizado de nossos jovens seja uma apatia desmedida. N?o se trata da apatia que querem resolver os apologetas da aula-show ou da ?ltima baboseira pedag?gica do momento. ? a completa falta de p?thos em rela??o ao saber. Se o desejo de saber ? express?o do reconhecimento da car?ncia, da afirma??o do n?o-saber inicial que se quer superar, sua falta s? pode ser sinal da ignor?ncia crucial e irremedi?vel que tem como seu signo mais pr?prio o desprezo por obter aquilo que pensa que j? possui (n?o ? isso, Diotima?).

2. Entretanto, h? outros degraus abaixo. Se antigamente a ignor?ncia poderia ser arrolada como algo ruim, indesej?vel e, por isso, por uma quest?o quase de honra, servir como motor para o saber, h? muito nos afastamos de patamares muito inferiores. Nas d?cadas de 80 e 90, os pobres professores ainda podiam tentar motivar os seus alunos ? se n?o mais pelo rep?dio ao n?o-saber ?, pela quest?o financeira. Ent?o n?o se trata mais de uma forma??o em vista do saber mas de, ao menos, em vista da forma??o profissional que serviria de condi??o de possibilidade para uma melhora da qualidade (financeira) de vida. E os alunos ent?o se esfor?avam para obter ao menos a forma??o necess?ria para se passar na faculdade e conseguir um emprego razo?vel.

Se isso j? era um decr?scimo do motivo principal que deveria causar ?nimo nos alunos, hoje estamos beirando o caos. O argumento financeiro simplesmente j? n?o tem mais efeito algum. O aluno sabe que para ingressar numa faculdade o empenho no estudo n?o ? mais t?o necess?rio. Sabe tamb?m que o sustento financeiro pode depender, em ?ltima an?lise, de coisas absolutamente exteriores ? sua forma??o intelectual, como sua beleza ou um talento bizarro. E por que n?o de atividades il?citas, j? que a legalidade tamb?m ? fruto da mesma ?tolice? que gera a escola.

3. O aluno hoje, por essas e por outras, vegeta em sala. As grandes conquistas, o detalhe hist?rico, as constru??es matem?ticas, as belas letras, as quest?es filos?ficas j? n?o agem sobre uma alma inerte (geralmente num corpo muito bem ativo). E vai-se perdendo outra gera??o.

Duvida? Assista:







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Na escurid?o

setembro 1st, 2008 | 1 Comentário | Postado em Imprensa, Opinião

Coluna de hoje, de Luiz Felipe Pond?, na FSP

Na escurid?o

SOU PROFESSOR , entro em sala todos os dias. Minha impress?o b?sica ? que o que falta muitas vezes na sala de aula ? falarmos “a verdade”. Apesar de ser um c?tico em quase tudo, acredito que h? uma milagrosa rela??o entre o ser humano e “a verdade” quando ele percebe que ela ? dita sem medo.
Uma grande trai??o feita aos mais jovens ? atol?-los em “teorias a servi?o da emancipa??o”. Eu n?o quero emancipar ningu?m porque para isso teria que mentir. Mentimos para sobreviver, isso ? normal e civilizado, mas na sala de aula ? uma trai??o.

Calma, caro leitor! Sei que “cada um ? cada um”. Uma afirma??o forte como essa, “a verdade”, pode me custar muitos amigos. Nunca mais jantares inteligentes. Hoje em dia voc? aprende no jardim da inf?ncia que “tudo ? relativo”, “a verdade” n?o existe, e todos os males do mundo s?o fruto do patriarcalismo e da Igreja Cat?lica. Caricaturas rid?culas da hist?ria s?o feitas a servi?o da “liberdade”! Palavra j? banal, quase idiota.

Existem tamb?m as palavras de ordem que devem ser ditas em meio ?s ta?as de vinho. Vejamos algumas delas: sou a favor do aborto, do casamento gay, da comercializa??o de fetos abortados (n?o! Essa ainda n?o ? comum…) e n?o existe pecado. Qualquer coisa diferente, e de novo a amea?a: n?o te convido mais para jantar em casa. N?o vou entrar no teor em si desses clich?s e, falando s?rio, acho que h? muito sofrimento verdadeiro nesses dramas humanos. Uma boa dose de auto-estima se faz necess?ria para n?o cairmos de joelhos diante desta “nova repress?o”. Toda f?rmula para chegar ? auto-estima ? falsa, por isso resta-nos o sorriso da sorte ou da morte.

Quando falo “a verdade”, me refiro a coisas mais simples do que debates filos?ficos intermin?veis sobre a natureza da verdade absoluta ou a exist?ncia de Deus. Refiro-me ? luta cotidiana com nossa ca?tica condi??o humana e ainda termos que manter o bom humor e pagarmos as contas.

Refiro-me ?quilo que gente como ?talo Calvino chama de “dramas cl?ssicos”. O problema ? que para ensinar isso, antes de tudo precisamos conhecer “isso” (coisa que vai ficando rara em meio ao bl?bl?bl? do relativismo cultural e da democracia no ensino). E pior, n?o podemos ter medo. Um dos dramas humilhantes do “otimismo moderno” ? que para ser otimista temos que ser idiotas e negarmos os impasses assustadores da vida.

Explico-me: acho que os mais jovens ag?entam ouvir “a verdade” mais do que professores de meia-idade. Esses professores j? perceberam que a vida n?o ? a bobagem das utopias de Maio de 68, tipo “sexo livre e ? proibido proibir”, mas se calam diante dessa dolorosa consci?ncia. ?s vezes por uma mera quest?o de sal?rio. O pior ? quando a resist?ncia a isso se manifesta em meio ? silenciosa melancolia da idade avan?ada. Na velhice n?o h? festa e h? muito sil?ncio.
Por exemplo, o ci?me do Otelo de Shakespeare. Todo homem ? inseguro diante da mulher amada. ? um tipo de maldi??o. Quando n?o ? inseguro, ? porque n?o ama. Se ela for muito bonita, muito simp?tica e “circular muito por ai”, essa inseguran?a piora. Com isso n?o quero dizer que o homem deva “reprimir” a mulher para se sentir melhor, mesmo porque n?o adianta. Quero dizer que “papo cabe?a” e “f?rmulas de compromissos” n?o resolvem.

Em nossa ?poca, a cama do casal virou uma frente de trabalho. ? desgastante o fato de que devemos trabalhar “a rela??o” o tempo inteiro: nossos preconceitos, nossas inseguran?as, nossos fracassos. O mercado de trabalho nos esgota, e o amor ? uma trincheira. O imperativo da sa?de total (psicol?gica, pol?tica e social) ? uma praga que nos cobre como uma poeira invis?vel. Essa poeira nos sufoca, entrando pela boca. Explico-me: ou somos doentes ou somos rid?culos, nunca saud?veis.

Outro exemplo, a infidelidade da Madame Bovary de Flaubert. Quem nunca viu a tr?gica figura da infeliz envelhecida que nos aborda com a segunda ta?a de vinho branco nas m?os? Ela que sonhava com uma vida cheia de paix?es e acordou entre o t?dio do cotidiano e a for?a cega do desejo destrutivo. Qualquer menina de 18 anos ouve isso e reconhece na infeliz Emma Bovary um risco poss?vel: posso eu mesma virar uma Bovary, basta acreditar que a vida pode ser cheia de paix?es!

A fronteira entre a paix?o e o inferno ? invis?vel. Os seres humanos reais caminham nessa t?nue linha de sombra. Otelo, Bovary, voc? e eu, juntos, na escurid?o.

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Sobre homilias her?ticas
Alargar os horizontes da racionalidade



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Isso me d? sono – parte 2

agosto 15th, 2008 | 2 Comentários | Postado em Blogs, Opinião

Acho at? que vou criar uma categoria no blog s? pra isso…

Lendo este post da Rosana sobre um infeliz que ? “colunista social” (que, perdoem-me pela franqueza, j? n?o ? das coisas mais s?rias do mundo) e que copia posts inteiros de outros blogs, acabei parando no blog do tal… (que obviamente n?o vou linkar).

E n?o ? que ele tem uma tag “Filosofia”? Claro, afinal qualquer conversa de bar ? filosofia, n?o? E o dito cujo recheia esses posts com bel?ssimas (??) cita??es gen?ricas de p?ra-choque de caminh?o?

Coisa fina.

Leia tamb?m
Isso, por vezes, me d? sono
Migalhas de reflex?o ou O que n?s da filosofia devemos fazer


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Ainda sobre Filosofia e Sociologia

junho 7th, 2008 | 2 Comentários | Postado em Educação, Música, Opinião

Lendo o Avelar, como fa?o diariamente, topei com este seu coment?rio sobre a nova medida e, ainda, com a declara??o de Giannotti. Como o assunto me interessa, tanto que postei a aprova??o no dia, quero fazer mais alguns adendos:

1) De fato, Avelar tem raz?o ao dizer qu?o il?gica ? a posi??o que pressup?e que n?o se deve mudar nada at? que se possa mudar tudo. “Mudar tudo” demanda tempo – leia-se gera??es -, o que privaria sem real motivo os atuais discentes de ao menos tomarem contato com algo que se chama filosofia. Pr?ticas educacionais n?o podem esperar o fim da hist?ria ou a sociedade sem classes, ainda que se configurem como ajustes m?nimos (sendo altamente discut?vel a quest?o sobre qu?o m?nima ? re-inclus?o das disciplinas acima citadas). A acreditar em Arist?teles – e no livro alfa de sua Metaf?sica -, o to thaum?zein, o espanto, ainda ? o primeiro motor da atividade filos?fica e se imp?e frente a toda discuss?o pol?tica (esta sim impregnada, por vezes, da vacuidade que imputam ? filosofia). Assim, simplesmente n?o encontro sentido na pergunta que Giannotti se faz acerca de como ensinar filosofia para quem n?o aprendeu a raciocinar. N?o seria esta uma das nobres tarefas da filosofia? Despertar o amor pelas di?iresis e synagog?s (Fedro, 266B)? Ou a filosofia contempor?nea, isto ?, feita atualmente n?o deve mais ser semelhante a Eros e, portanto, desejante? Deveria ser reduzida a um “fazer discursos bem articulados” que talvez falem do Amor (ou de quaisquer outros temas) sem estar ele mesmo enamorado. O germe inicial da reflex?o ? aquele mesmo da filosofia. Ent?o, como pedir uma multitude de pressupostos?

2) Mas lendo a declara??o do professor Giannotti n?o posso deixar de concordar com algumas coisas. Diz o professor:

A meu ver, h? coisas mais importantes, que s?o prioridades, do que ensinar filosofia. Em particular ensinar portugu?s, como todos sabem, al?m de f?sica, biologia, matem?tica, hist?ria, geografia… Isto ?, se situar no plano da linguagem, da ci?ncia e da temporalidade. Coisa que a maioria dos professores de ensino m?dio n?o ? capaz de fazer. N?s vamos gastar tempo e esfor?o em coisas subsidiadas ao inv?s de focar no fundamental.

Desbastado o elemento apontado no t?pico acima, que n?o admite um pequeno ganho se n?o for acompanhado do resultado total, resta ainda algo a ser focalizado no que diz o professor (e n?o creio que isto seja sinal de um ju?zo sobre a indignidade ou incapacidade dos jovens para a filosofia, como aponta Avelar).

A quest?o ? que n?o temos bons professores de portugu?s, matem?tica ou f?sica. H? sim muitos bons professores de gram?tica, c?lculo e f?rmulas. Com isso quero dizer que n?o se ensina nos col?gios o pensamento sobre a linguagem ou a literatura, a reflex?o sobre os n?meros e suas rela??es nem tampouco a entender a physis. H? poucos dias fiquei surpreso com a rea??o de um colega, professor de matem?tica que ria largamente da investiga??o de Frege tendo em vista responder a pergunta “o que s?o n?meros?”. O colega soltou uma defini??o rid?cula (desmontada por Frege com muito senso de humor, diga-se de passagem, em um par?grafo de seu Fundamentos da Aritm?tica) e ca?oou da inutilidade de tal esfor?o.

Dessa forma, a filosofia ensinada por professores de filosofia med?ocres, estaria reduzida a um mero contar de sua hist?ria ou, ainda, a um procedimento mec?nico de associa??es de no??es jamais verdadeiramente entendidas. O que, visivelmente, nos faria recair na concep??o de filosofia como simulacro de qualquer coisa s?ria.

Diz ainda o professor:

As pessoas v?o come?ar a estudar os pr?-socr?ticos, falando de Tales, depois Parm?nides, Plat?o, Arist?teles e se chegar aos est?icos vai ser muito. Teremos um curso de filosofia que vai se resolver numa “decoreba” danada.

Como j? apontei aqui, mesmo o curr?culo “oficial” ? um piada. Vai de Tales a Wittgenstein em um ano. Isto serve bem ao prop?sito de escamotear a falta de n?vel dos professores, bem como ?quele de fazer da filosofia um ap?ndice de (falsa) erudi??o e n?o um espa?o de interven??o reflexiva em todos os dom?nios das ci?ncias (e portanto nas outras disciplinas) assim como na vida do pr?prio aluno. ? esse ?lan que cega profissionais de educa??o que falam tanto de “interdisciplinariedade” sem ver que ? a filosofia, como scientia rerum per causam ou como verdadeira epist?me ? a base para a concreta rela??o entre as disciplinas e, destas, com a vida.

Voltaremos a isso.

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