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Novamente, a eclesioclastia e a revolta do fraco contra o forte

April 26th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

Entre as várias tentativas de explicar e entender o que move a agenda eclesioclasta contemporânea, penso ser fundamental retomar o cerne daquilo que impulsiona a oposição à Igreja desde os tempos mais remotos e passando pelos períodos áureos de oposição à Igreja de Cristo, a saber, a revolta do fraco contra o forte. E poucos souberam tão bem localizar e explicitar tal dinâmica quanto Nietzsche que, agudamente, reconhece um dos momentos de eclosão de tal movimento já na Reforma Protestante:

"Mas a coisa mais estranha é que aqueles que mais desejam reter e preservar o cristianismo são os que mais fizeram para destruí-lo (…) A reforma luterana, em toda a sua extensão e amplitude, foi a indignação do simples contra o complexo; para falar prudentemente, foi uma falta de refinamento, honestamente um engano.

(…)Lutero era fatalmente limitado, superficial e imprudente. Ele confundiu, atrapalhou, deu os Livros Sagrados na mão de qualquer um – o que significa dá-los na mão dos filólogos, que são os destruidores de toda crença baseada em livros. Ele demoliu o conceito de "igreja" por repudiar a fé na inspiração dos concílios; para que o conceito de "igreja" permaneça vigoroso como é, ele pressupõe que o Espírito inspirador que fundou a igreja permaneça vivo nela, construindo-a, continue ainda a fazer nela sua morada de descanso. (…) Lutero destruiu um ideal que ele não sabia como alcançar (…) De fato, ele não sabia o que estava fazendo."

NIETZSCHE, F. A Gaia ciência (traduzido da edição americana)

 

Não é de hoje que vemos a agenda eclesioclasta do mundo moderno, cujo porta-voz, arauto e profeta é a mídia (esta última grande instância de sentido da atualidade, ao lado da ciência e da tecnologia). Já no século passado H. U. von Balthasar, um dos maiores teólogos do século XX dizia que, para fazer com que as pessoas não lhe ouvissem mais, bastava citar "Deus" ou "Igreja" na conversa, e todo discurso se esvaziaria de sentido instantaneamente. O que ocorre hoje é a manifestação explícita da "revolta do fraco contra o forte", "do superficial contra o profundo" já presente na heresia de Lutero. O mundo (e seus profetas) odeiam a Igreja porque não a podem alcançar. Aqueles mesmos criminosos que abusam de crianças não o fazem em acordo com o que ensina a Mãe Igreja, mas o fazem contra ela. Estes são os primeiros a empreenderem uma dinâmica de destruição daquilo que não sabem como efetivar. A modernidade odeia a Igreja porque, como já previra Hegel, quis abandonar os valores do passado sem saber bem o que colocar no lugar. E nunca antes na história do pensamento ocidental a mudança histérica de paradigmas foi vista como uma qualidade e não um defeito. E se chega ao ponto de adorar o vazio à grandiosidade…







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Luiz Felipe Pondé – Sade de Batina?

April 26th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Imprensa

PEDOFILIA ESTÁ na moda. Os "odiadores" da Igreja Católica estão em êxtase. Sempre digo que o único preconceito considerado "científico" nos jantares inteligentes é o preconceito contra a Igreja Católica.

Em jantares assim, você conta como seu pastor alemão é gostoso, como você despreza o conservadorismo dos heterossexuais, como sua alimentação é balanceada e…, é claro, como despreza a Igreja Católica, que, segundo você, é responsável pelo mercado negro de escravos sexuais (não de "escravas", é claro!), de armas e de órgãos. Reconhece-se um "odiador" da igreja pela baba que escorre pelo canto da boca cada vez que tem a chance de cuspir nela.

Nem adianta me acusar de católico reacionário porque nem católico sou. Lamento desmantelar a visão de mundo dos superficiais. Sou defensor de Bento 16? Sim, porque ele é um grande intelectual que faz diagnósticos corajosos sobre alguns males modernos. E também por outro motivo (este é segredo!): porque todo mundo parece concordar que ele não é legal.

O historiador judeu Johan Huizinga, no seu excelente "The Waning of the Middles Ages" (outono da Idade Média), narra de forma impressionante os processos de condenação e execução de hereges no final da Idade Média. Tais eventos eram um "programa de domingo" para o povo, como sempre, ansioso por manifestar seu ódio por alguém que não pode se defender. Levavam suas crianças e juntos faziam piquenique e cuspiam nos hereges.

É claro que muita gente acha chique ter sido queimada na Idade Média. Aliás, o número de gente que faz "regressão de vidas passadas" e descobre que foi queimada na Idade Média faz da Inquisição a instituição mais produtiva da história.

Segundo Huizinga, o povo cuspia nos hereges, xingava os hereges, jogava tomate neles e tinha absoluta certeza de que eles faziam sexo com o demônio e com as criancinhas.
Mas o que essa gente chique-cabeça não sabe é que o herege era uma figura mais próxima da imagem que temos hoje desses padres tarados do que figuras por quem sentiríamos alguma misericórdia.

Vejam: quando se trata de ódio de massa, pouco importa quem é inocente ou não, contanto que possamos cuspir na cara do acusado. Num caso como esse, basta a suspeita e o acusado já é culpado.

Quando leio as manifestações iradas dessa gente em êxtase porque existem padres que gostam de transar com meninos, sempre imagino como essa gente gostaria de poder gritar em praça pública: "Joga pedra na Geni!". Sempre suspeito que o que move a "indignação pública" é mais a chance de odiar (no caso, os padres tarados) do que de amar (no caso, a justiça) porque ninguém ama tão rápido assim, mas odeia na velocidade da luz. Acho inclusive que, no fundo, rezam (ironia…) para que o número de vítimas dos padres tarados aumente a cada dia. Dessa forma seu preconceito "científico" contra a Igreja Católica estará supostamente comprovado.
Sem dúvida é hora de a Igreja Católica cuidar disso. E ela o fará, porque se trata de uma grande instituição com uma história enorme de prestação de serviço à humanidade, apesar de seus erros evidentes -afinal, é humana como todos nós. Sabemos que, hoje em dia, muita gente entra na igreja sem uma seleção cuidadosa, inclusive porque ser padre ou freira hoje não é "um bom negócio" como já foi no passado.

O problema de como lidar com a pedofilia na Igreja Católica é mais um exemplo na longa lista de dificuldades que a igreja (uma instituição antiga e medieval) tem com o Estado laico moderno. O regime moral de penitência e busca de arrependimento que organiza a relação entre crime e castigo na Igreja Católica é nulo para a justiça do Estado moderno, que é cego à lógica do arrependimento.

Por isso, a necessidade de que esses padres sejam trazidos ao tribunal do Estado, como criminosos. Claro que a possibilidade de ganhar grana pode ajudar no acúmulo das denúncias. Tudo tem seu preço, ao contrário do que os hipócritas gostam de afirmar nos púlpitos. Mas, confesso, fico com uma curiosidade. O que diriam os apaixonados leitores de Sade ou Foucault sobre esses pedófilos (padres ou não, apesar de ser mais "gostoso" xingar os padres)? Seria a pedofilia uma forma de transgressão legítima contra as normas de opressão social sobre os corpos? Humm… Por que se calam nessa hora? Por que Sade e Foucault não poderiam fazer sexo revolucionário de batina?







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Ainda sobre homossexualismo e pedofilia

April 20th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Opinião

Em um dos posts anteriores em que comentei os casos de pedofilia na Igreja, também fiz referência à relação existente entre os casos de pedofilia e a conduta homossexual. Tal relação não é uma novidade interpretativa minha, mas algo que vem sendo falado e estudado de maneira bastante consistente. Contudo, há alguns comentários que vão ou no sentido contrário ao da referida relação ou, ainda, da impropriedade lógica de tal inferência. Pretendo aqui comentar as duas coisas.

1. SOBRE A IMPROPRIEDADE LÓGICA DAS RELAÇÕES ENTRE HOMOSSEXUALIDADE E PEDOFILIA.

De fato, sabemos que por meio de dados estatísticos um sem número de falácias são veiculadas e defendidas todos os dias. Assim, relações numéricas acabam, na mão de propagandistas, tornando-se índices fortes de relação causal. A própria declaração do Cardeal Bertone, a saber, de que a maioria esmagadora de casos de pedofilia na Igreja – em torno de 90% – se dava entre padres e crianças do sexo masculino, poderia servir para tal mau uso dos dados. Portanto, é necessário esclarecer algumas coisas.

Entre duas grandezas há diversas formas de relação. E não é sem razão que Hume chama a atenção para o nosso hábito de relacioná-las, em grande parte das vezes, em termos de causa e efeito. Desse modo, tendemos a restringir a miríade de relações (que podem ser de gênero, espécie, número etc.) àquela de causação. É importante lembrar que, mesmo a relação causal se diz de muitos modos, como já o lembra Aristóteles na Metafísica, muito embora cotidianamente nós a reduzamos ao sentido de causa eficiente. Mas vejamos mais de perto o caso da relação estatística citada, entre homossexualismo e pedofilia.

É notoriamente uma falácia, amplamente conhecida mesmo da lógica clássica, dizer que haja uma relação causal necessária entre dois eventos apenas porque se repetem simultaneamente em grande parte dos casos. É possível ilustrar o caso com a chamada falácia da afirmação do consequente:

Se X então Y

Y

Então X

ou algo como “Se chove, o chão fica molhado. O chão está molhado, logo choveu”. É claro que pode haver outra causa para a umidade do chão, tal como um acidente ou a umidificação artificial. Não se pode então dizer que há uma relação causal necessária entre o homossexualismo e a pedofilia. Há outras falácias que se poderiam desvelar, como dizer “Todo pedófilo respira oxigênio/ X respira oxigênio/ Então X é pedófilo. Tal argumento é visivelmente falacioso e não prova relação causal última necessária.

 

Dito isto, e afastado o erro, há outras coisas a se considerar. Como disse, há diversas formas de relação entre duas entidades que não a de causa. Assim, embora não seja uma relação estrita de causa e efeito necessária, pois nem é verdade que todo homossexual seja pedófilo nem que todo caso de pedofilia é cometido por um suejito homossexual, estabelecer uma ligação entre dois eventos ou elementos que repetidamente se dão simultaneamente não é ilógico. Note-se novamente que a relação não precisa ser necessariamente de causa.

No início da epidemia de AIDS, tínhamos a famigerada noção de “grupos de risco”, ou seja, havia grupos em que a incidência de casos de infecção por HIV era maior, a saber, homossexuais, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. Novamente, a relação não é de causação estrita: ser homossexual, usuário de drogas injetáveis ou hemofílico não é condição sine qua non para ter AIDS (do mesmo modo que ser homossexual não é condição sine qua non para ser pedófilo. Note-se, que nem ser padre, nem ser celibatário…). Tanto o é que a própria noção de grupo de risco foi oficialmente substituída por aquela de “comportamento de risco” (veja aqui no próprio site do Governo Federal sobre a doença) já que atualmente a incidência de infecção extrapolou os referidos grupos (é possível pensar que a noção de grupo de risco seja associada ao caso em que apenas determinado grupo esteja sujeito à doença, como se pode dizer que apenas mulheres são sujeitas ao câncer de colo de útero, por exemplo).

Entretanto, embora não se possa relacionar causalmente os grupos de risco com os casos de HIV, a ligação e, inclusive a maior cautela com tais grupos era (ou ainda é) ilógica ou irracional? Não era absolutamente visível a co-incidência entre ser membro de um daqueles grupos e estar mais exposto à infecção por HIV? Porque não há uma relação causal estrita e necessária a inferência de que se deveria afastar-se do comportamento de tal grupo é irracional?

2. SOBRE A MAIOR INCIDÊNCIA DE CASOS DE PEDOFILIA ENTRE HOMOSSEXUAIS

Há numerosos estudos sérios sobre as relações entre homossexualismo e pedofilia. Como ponto de partida para o levantamento da bibliografia, cito dois:

- O estudo de K. Freund e R. J. Watson, da Universidade de Toronto, cujo abstract reproduzo abaixo:

Previous investigations have indicated that the ratio of sex offenders against female children vs. offenders against male children is approximately 2:1, while the ratio of gynephiles to androphiles among the general population is approximately 20:1. The present study investigated whether the etiology of preferred partner sex among pedophiles is related to the etiology of preferred partner sex among males preferring adult partners. Using phallometric test sensitivities to calculate the proportion of true pedophiles among various groups of sex offenders against children, and taking into consideration previously reported mean numbers of victims per offender group, the ratio of heterosexual to homosexual pedophiles was calculated to be approximately 11:1. This suggests that the resulting proportion of true pedophiles among persons with a homosexual erotic development is greater than that in persons who develop heterosexually. This, of course, would not indicate that androphilic males have a greater propensity to offend against children.

A razão de 11 para 1 não pode ser considerada desprezível.

- Veja-se ainda o estudo de Steve Baldwin, com quantidade assombrosa de referências a estudos e análises que chegam a apontar taxas ainda maiores.

3. SOBRE A PROPAGANDA PEDÓFILA HOMOSSEXUAL

Aqui a coisa fica deslavada: não acredite em mim, visite o site da NAMBLA.org (North American Man-Boy Association) uma associação destinada a propagar a relação pedófila homossexual. Visite a seção “Who we are”, bem como o “FAQ”. A associação se autodescreve como se segue:

NAMBLA’s goal is to end the extreme oppression of men and boys in mutually consensual relationships by:

building understanding and support for such relationships;

educating the general public on the benevolent nature of man/boy love;

cooperating with lesbian, gay, feminist, and other liberation movements;

supporting the liberation of persons of all ages from sexual prejudice and oppression.

Our membership is open to everyone sympathetic to man/boy love and personal freedom.

Durante 10 anos a NAMBLA foi associada à ILGA – International Lesbian and Gay Association que, em 1993 tornou-se membro consultivo da ONU em assuntos referentes à homossexualidade.

Faço referência ao artigo de Júlio Severo em que ele recolhe várias citações sobre a agenda pedófila de entidades e associações homossexuais. Embora não concorde com todas as inferências, é inegável o farto recolhimento de material.

Por fim, lembre-se que não se trata de tentar combater a (baixa) incidência de casos de pedofilia entre membros do clero com a “simples” acusação de que o problema é a homossexualidade. Trata-se de identificar uma tendência que, embora não se possa afirmar que exprime causa direta e necessária, constitui ao menos uma relação de gênero: são duas perversões sexuais que comprovadamente costumam se acompanhar; duas inclinações a hábitos sexualmente desordenados que, se poderia dizer, brotam de uma mesma concepção de como fazer uso da própria sexualidade.







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Dossiê sobre os abusos

April 19th, 2010 | Comente | Postado em Igreja, Imprensa, Links

O excelente PopeBenedictXVIFanClub montou um dossiê praticamente exaustivo cobrindo as acusações à Igreja, suas respectivas resposta e outros comentários pertinentes na mídia. É uma referência imprescindível. Para acessá-lo, clique na imagem abaixo.

 







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Se falei mal, provai-o…

April 14th, 2010 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

As últimas ações da agenda que visa agredir a Igreja a partir das falsas acusações sistemáticas tiveram, ontem, enfim, uma resposta à altura. Ela veio do Cardeal Tarcisio Bertone que afirmou o óbvio ululante: a esmagadora maioria dos casos envolvendo o abuso sexual de crianças e adolescente por membros do clero se deu entre padre e meninos, portanto, com ligação íntima com o homossexualismo e não com o celibato. Mas parece que alguns esqueceram de entender conclusões óbvias:

1. Que a pedofilia é uma perversão, até os críticos mais virulentos o reconhecem. Mas por que a sodomia não? O ponto crucial para a legitimação moral é a legitimação social? O fato de que seja socialmente aceitável a relação homossexual exclui per se o debate? Se assim for, Deus nos livre, se chegarmos a uma sociedade que assimila a pedofilia como comportamento sexual aceitável ocorrerá por si só uma metábasis eis allo génos (uma mudança de gênero) em relação ao seu valor moral? O mesmo para a demais parafilias (necrofilia, zoofilia etc.)?

2. Chega a ser ultrajante a tentativa de relacionar o celibato clerical à pedofilia. O arremedo de argumento apresentado pelos defensores de tal associação repousa sobre uma inferência ridiculamente falaciosa de que uma suposta repressão da libido geraria necessariamente um extravasamento desordenado, como a pedofilia. Nada mais patético.

Já Aristóteles chamava a atenção para que a existência de razão e certa liberdade eram os sinais distintivos do homem em relação aos demais entes da natureza. Isso significa que ao homem é possível, diferentemente dos animais e das plantas, optar até contrariamente à natureza se sua deliberação racional o mostrar como mais adequado ou vantajoso. Desse modo, é possível reprimir o desejo de comer, dormir ou copular em benefício de outras finalidades mais altas.

Dizer então que a opção pelo celibato é algo antinatural já é por si só prova de imbecilidade ou má-fé. É tão naturalmente possível quanto a dieta. Do mesmo modo, dizer que optar pela castidade tem como consequência necessária a irrupção do desejo sexual de maneira desordenada é dizer que o jejum é sucedido obrigatoriamente por orgias gastronômicas ou que a abstinência de determinado alimento ou substância precede o excesso.

Some-se à ignorância (e à má-fé) a importância inegavelmente extremada atribuída à dimensão sexual. Por vezes ela parece ser a última instência de sentido existencial, o que agrada aos espiritual e intelectualmente fracos que gostam de banir a reflexão sobre o assunto sob o nome de repressão. Se há uma relação possível de ser feita é justamente aquela óbvia que conecta um hábito pervertido (pedofilia)  a outro hábito igualmente desordenado (homossexualismo).

3. Em tudo isso é absolutamente visível que a meta é denegrir e rebaixar a Igreja mediante um esforço sistemático e obstinado de coerção semântica, cuja finalidade é forçar a associação entre as palavras “Igreja” e “Pedofilia”. E como bem se sabe, a manipulação da linguagem é sempre sinal de manipulação intelectual. Note-se que todo clichê que é repetido à exaustão é sinal de que seu significado está cristalizado de modo que refletir sobre ele não é mais necessário. Não é exatamente o que se pretende: a repetição nauseante das palavras “Igreja” e “Pedofilia” nas mesmas sentenças a ponto de que seus sentidos se fundam de modo que à menção de uma brote imediatamente a outra?

Triste é ver a Santa Sé se pronunciar contra o Cardeal que só enunciou a verdade dos fatos. O que nos lembra que a resposta que dá o Senhor ante o escárnio e a humilhação: “Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?” (Jo 18,23).

* Há dois excelentes posts sobre o assunto: um do Julio Severo e outro no Neo-Ateísmo, Um delírio. Em tempo, artigo da Zenit sobre o mesmo assunto.







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A briga que ninguém quer comprar, por Olavo de Carvalho

April 13th, 2010 | Comente | Postado em Igreja, Imprensa, Links

Posto abaixo o excelente artigo do Olavo de Carvalho, publicado no Diário do Comércio, dia 12 de abril de 2010 sobre a conjuntura da mídia e suas relações com a massa de calúnias envolvendo a Igreja Católica. Leia também outros dois posts do nosso blog, sobre o assunto (aqui e aqui).

 

* * *

 

Em cada momento do tempo, o estado geral de uma sociedade é indicado por uma série de fatores que podem ser medidos e comparados, como por exemplo a renda média, a criminalidade, o aproveitamento escolar, o número de casamentos e divórcios, etc.

A comparação entre esses fatores permite avaliar a importância relativa de cada fato – ou série de fatos – no conjunto da vida social. Por exemplo, o número de crimes e de vítimas, distribuído entre várias regiões, grupos sociais e faixas etárias. O conhecimento geral desse quadro desperta na população o senso das proporções que servirá de régua para medir a credibilidade das opiniões circulantes. Acima das preferências pessoais e grupais, o núcleo factual conhecido por todos é o tribunal de última instância no qual as idéias e propostas serão julgadas conforme sua adequação ou inadequação à realidade.

Ora, só há um canal por onde o conhecimento do quadro geral pode chegar à população: a mídia. O desempenho normal e saudável dessa função pelos jornais depende não somente de que eles divulguem os fatos, mas de que os selecionem e lhes confiram destaque maior ou menor conforme a sua importância real naquele quadro comparativo, de modo que os focos de atenção popular se hierarquizem segundo a importância objetiva dos fatores.

Em toda sociedade há um determinado número de estudiosos que têm acesso a fontes diretas e não dependem da mídia popular para formar sua visão das coisas. Para a população em geral, no entanto, vigora uma espécie de movimento circular: a constância e o destaque com que os fatos são noticiados na mídia tornam-se o padrão de aferição para o julgamento dos fatos subseqüentes divulgados pela mesma mídia. Em suma: a mídia cria sua própria regra de credibilidade, não havendo, para o grosso da população, nenhum outro quadro de referência pelo qual essa credibilidade possa ser julgada.

Até os anos 50-60, cada órgão de mídia neste país, malgrado a multiplicidade de interesses a que devia atender, mantinha-se razoavelmente submisso à ordem objetiva dos fatores, por saber que exageros ou distorções muito visíveis seriam, no dia seguinte, desmascarados por seus concorrentes. Até certo ponto, a imagem geral da sociedade tal como aparecia nos jornais coincidia com o quadro quantitativo real: o que merecia destaque e cobertura continuada era aquilo que, na vida social, tinha alguma importância objetiva.

Quatro fatores contribuíram para libertar a mídia nacional desses escrúpulos de realismo.

O primeiro foi a solidariedade maior entre as empresas, forjada durante o regime militar para a defesa comum contra as imposições do governo. As denúncias mútuas de fraude e de mau jornalismo desapareceram quase que por completo, colocando cada empresa jornalística na posição confortável de poder mentir a salvo de represálias dos concorrentes. Na mesma medida, a disputa de mercado praticamente cessou, distribuindo-se os leitores mais ou menos equitativamente entre as maiores publicações.

O segundo foi a diversificação das atividades lucrativas das empresas jornalísticas, que passaram a depender cada vez menos da aprovação dos leitores. A prova máxima dessa transformação é que essas empresas se tornaram formidavelmente mais ricas e poderosas sem que a tiragem de seus jornais aumentasse no mais mínimo que fosse. Com a escolaridade crescente, o número de leitores potenciais subiu de ano para ano, mas os maiores jornais brasileiros não vendem, hoje em dia, mais exemplares do que nos anos 50. É um fenômeno único no jornalismo mundial.

Em terceiro lugar, a obrigatoriedade do diploma universitário promoveu a uniformização cultural e ideológica da classe jornalística, de modo que já não há diferenças substantivas entre os climas de opinião nas várias redações de jornais e revistas. Na homogeneidade geral, as exceções individuais tornam-se irrelevantes.

Por último, as influências intelectuais que vieram a dominar as faculdades de jornalismo, deprimindo a confiança nos velhos critérios de objetividade e enfatizando antes a função dos jornalistas como “agentes de transformação social”, acabaram transmutando maciçamente as redações em grupos militantes imbuídos de uma agenda político-cultural e dispostos a implementá-la por todos os meios. Por isso é que, de milhares de profissionais de mídia que ocultaram a existência do Foro de São Paulo por dezesseis anos, só um, um único, mostrou algum arrependimento. Os outros, inclusive os autonomeados fiscais da moralidade jornalística alheia, preferiram, retroativamente, ocultar a ocultação – e não perderam um minuto de sono por isso.

Some-se a tudo isso um quinto fator, de dimensões internacionais: o tremendo desenvolvimento, nas últimas décadas, das técnicas de engenharia social e da sua aplicação pelos meios de comunicação.

Quem pode impedir que empresas mutuamente solidárias, libertas até mesmo do temor ao público, tendo a seu serviço uma massa bem adestrada de “transformadores do mundo” e um conjunto de instrumentos de ação tão discretos quanto eficientes, mandem às favas todo senso objetivo das proporções e se empenhem em criar uma “segunda realidade”, uma nova ordem dos fatores, totalmente inventada, legitimando de antemão qualquer nova mentira que lhes ocorra distribuir amanhã ou depois?

Nessas condições, toda presunção de “objetividade jornalística”, personificada ou não nessa moderna versão do bobo-da-côrte que é o ombudsman, tornou-se hoje apenas um adorno publicitário sem qualquer eficácia real na prática das redações.

O total desprezo pelos critérios quantitativos de aferição da importância das notícias tornou-se, portanto, a norma usual e corriqueira em todas as maiores publicações. Não havendo padrão de medida exterior pelo qual o jornalismo possa ser julgado, os jornais passaram a viver de um noticiário autofágico e uniforme, publicando todos as mesmas coisas, com igual destaque, e confirmando-se uns aos outros no auto-engano comum.

Não há um só jornal ou grande revista, por exemplo, que gradue o destaque dado à denúncias de padres pedófilos pelo exame comparativo de casos similares em outros grupos sociais. Esse exame mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos é muito, muito menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade humana, embora o destaque dado na mídia a esses casos induza a população a crer o contrário. Em artigo recente, o sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num periodo de várias décadas, apenas cem sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto seis mil professores de educação física sofriam condenação pelo mesmo mesmo delito. Introvigne citou os professores de educação física apenas como grupo-controle. Poderia ter mencionado dezenas de outros: no conjunto, os casos de padres pedófilos revelariam ser as raridades que são, contrastando dramaticamente com a disseminação alarmante do crime de pedofilia na sociedade em geral. Eu mesmo, examinando as estatísticas alardeadas pela campanha anticlerical na Irlanda, e tirando delas as conclusões aritméticas que os autores do documento maliciosamente se recusavam a tirar, mostrei que, em cada escola católica daquele país, ocorrera não mais de um caso de pedofilia a cada dezesseis anos. Chamar isso, como a mídia o chama, de “pedofilia epidêmica”, é evidentemente uma fraude, mas como pode a população percebê-lo se não tem acesso a outro critério comparativo senão aquele que lhe é fornecido pela própria mídia segundo o recorte de uma agenda politicamente interesseira?

Mutatis mutandis, o número e a gravidade das ocorrências entre os Legionários de Cristo – mesmo sem contar as peculiaridades organizacionais que destaquei no meu artigo anterior – são tão maiores que os dos casos registrados em qualquer outra instituição católica, que tratar delas sem sublinhar a diferença, antes reduzindo-as a exemplos de “pedofilia católica” como quaisquer outros, é falsificar por completo a visão dos fatos.

Uma coisa é a realidade da vida social, outra a sua imagem na mídia e nos debates públicos. A segunda pode estar muito deslocada da primeira, fazendo com que a atenção pública se aliene da realidade ao ponto de a população tornar-se incapaz de compreender o que está acontecendo. O deslocamento completo assinala um estado de psicose social.

Massimo Introvigne tem razão ao dizer que a campanha contra a Igreja Católica sob o pretexto de denúncias de pedofilia é um caso de “pânico moral”. Mas a sociologia só lida com fatores gerais, impessoais, anônimos. Não lhe cabe rastrear origens históricas, nem sondar o coeficiente de premeditação e planejamento criminoso na produção desses fenômenos. Só a investigação histórica, judicial e, é claro, jornalística, pode elucidar esse ponto e identificar os culpados por uma das campanhas caluniosas mais vastas e pérfidas de todos os tempos. Hoje há documentação suficiente para isso. O que falta, inclusive na Igreja Católica, é vontade de comprar essa briga.







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Em nome das próprias vísceras

March 15th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Imprensa, Links

 

O excelente Deus lo Vult! postou uma ótima análise sobre um programa televisivo que tratou de crimes de pedofilia na Igreja. Para além do horror dos crimes – quando eles ocorrem de fato – é fundamental ver a má-fé e a eclesioclastia que impera na mídia.

 

UPDATE: Há dois artigos já antigos do Olavo de Carvalho, sobre o tema, que devem ser lidos: este e este.







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Carlos MInc, AIDS, Homofobia, Papa e burrice

May 21st, 2009 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa

 

Dá até desânimo, mas vamos lá. Notícia do dia 18 de maio: Minc critica a Igreja ao lançar conselho LGBT. Há muito tempo em que não leio tanta besteira em tão poucas linhas. Diz o gênio:

"Tem alguns momentos em que a Igreja erra feio. Um deles é a questão da camisinha. Se a gente fosse atrás da Igreja, quantas pessoas não estariam doentes?", discursou o ministro, em meio a aplausos da plateia.

A platéia aplaude porque é só o que sabe fazer. Se a platéia e o ministro soubessem também pensar, iriam se dar conta da estupidez sem tamanho que incensam. Sabe o que diz “a Igreja”?:

§2337 A vocação à castidade A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher.

§2362 "Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido." A sexualidade é fonte de alegria e de prazer:

O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa.  (Catecismo da Igreja Católica)

Mais do que jamais poderiam conceber o ministro e seus ouvintes, a Igreja trata o sexo como ato extremamente digno, prazeroso e muito profundo. Justamente por isso deve estar cercado de cuidado e respeito. Portanto, senhor ministo falastrão, se “a gente fosse atrás da Igreja”, problemas derivados da sexualidade simplesmente não existiriam. É um ato de extremada ignorância e falta de honestidade intelectual proferir tais estultices perante uma platéia absolutamente condicionada e ignorante e, esta sim, preconceituosa em relação ao que diz a Igreja.

Mas o ministro populista continua:

"Outra questão é a da homofobia. Como é que uma religião pode dizer que é fraterna e solidária com todos se pressiona os parlamentares a não aprovarem a lei que criminaliza a homofobia?", indagou, em seguida, o ministro. Para ele, quem cria obstáculos à aprovação do projeto de lei "é corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários". Segundo Minc, 3 mil pessoas morreram no País em dez anos por causa de crimes homofóbicos.

Obviamente a questão é dupla (mas só quem sabe pensar é que acompanha. Caso diferente daquele do ministro):

1. Sobre a lei: Quando se refere à lei, o ministro está se referindo ao Projeto de Lei 122/2006, que tem por objetivo “coibir a discriminação de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.

Ora, eu desafio qualquer crítco da Igreja a apontar algum comentário ou posicionamento oficial da mesma, que propugne a violência ou a descriminação por conta de homossexualidade. Ao contrário, como vou apontar no segundo item, a Igreja professa em documentos públicos e oficiais, vertidos para inúmeros idiomas, que homossexuais devem ser respeitados e acolhidos pois são seres humanos e filhos de Deus como toda criatura humana.

Aquilo a que a Igreja se opõe firmemente são as derivações de tal lei, a partir de artigos redigidos por alguém que simplesmente não sabe escrever. Há lá coisas do tipo:

Art. 20. § 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Se você é um pouquinho esperto, perceberá que a Igreja estará incorrendo em crime ao reprovar ética, filosófica e teologicamente a prática homossexual como pecado. Assim como qualquer um que se manifeste ainda que teoricamente sua discordância. Fala-se ainda em punição por recusa de fornecimento de bens etc. (alguém pensou aí na Eucaristia?). O que ocorre é que  lei é problemática. E pelo amor de Deus vamos parar de utilizar a palavra “homofobia”. Não se trata de medo ou aversão, mas de um posicionamento contrário. Daqui a pouco os direitistas vão ser acusados de “sinistrofobia” ou coisa que o valha. Criminalizar posicionamento teórico é absurdo em sua própria natureza.

2. Sobre o que diz a Igreja: Vamos direto ao que diz a Igreja:

§2357 CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

§2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Renovo o desafio de que se encontre algum posicionamento oficial da Igreja que vá em sentido contrário ao explícito acima. O que ocorre é que os críticos da Igreja têm um discurso antropológico absolutamente acrítico e inconsistente que nem sequer consegue estabeler bases minimamente sólidas para a construção da idéia de sexualidade como em processo. Chamar a Igreja de “homofóbica” é, como costumo dizer, ou ignorância ou má-fé.







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O papa pode estar certo

April 3rd, 2009 | 4 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa

 

In theory, condom promotions ought to work everywhere. And intuitively, some condom use ought to be better than no use. But that’s not what the research in Africa shows.

Why not?

One reason is "risk compensation." That is, when people think they’re made safe by using condoms at least some of the time, they actually engage in riskier sex.

 

Faça um favor a sua honestidade intelectual e leia o artigo de Edward C. Green no Washington Post, sobre as declarações do papa Bento XVI acerca do uso de preservativos, quando de sua viagem à África.

Ahn, é claro. Deverão aparecer aqueles gênios da última hora para questionar sobre a idoneidade desse tal articulista. Pois bem, clique aqui para acessar a página do Harvard Aids Prevention Research Project, capitaneado pelo Dr. Edward C. Green, cuja experiência de anos na pesquisa da AIDS no continente africano pode ser conferida em seu Curriculum.







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Sobre Excomunhões

March 8th, 2009 | 23 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

Creio que todos que leem esse blog dispensam maiores explicitações sobre os argumentos referentes à excomunhão dos envolvidos diretamente no aborto da pobre menina estuprada. Mas chegamos a um ponto onde os limites já foram rompidos. Sinceramente, tenho medo do que há por vir.

Um parvo blogueiro do Terra, que assina como “jurista e professor” regurgitou este post.

Como de costume, por falta de paciência vou me ater àquilo que julgo primordial na “brilhante” análise do “jurista e professor”.

1. Vamos, pelo amor de Deus, deixar claro o que é uma excomunhão: ? a supressão dos direitos de participar de plena (ou parcial) comunhão com a Igreja, que se manifesta pela interdição da recepção de sacramentos e de ser admitido a funções eclesiásticas e similares.

Cân. 1398. Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.

A definição de excomunhão latae sententiae é aquela que recai sobre o sujeito de uma ação prevista pela própria ação, imediatamente. Não há necessidade de uma promulgação ou comunicado. Assim, não foi  “o bispo” quem os excomungou: eles incorreram em excomunhão ipso facto. A imprensa tem devorado vivo o Arcebispo Dom José Cardoso por pura e cristalina ignorância (como de costume).

2. Nosso glorioso jurista dever ter cabulado algumas aulas importantes sobre Direito Canônico na faculdade. Diz o nosso arauto da justiça:

O arcebispo extrapolou ao sair a impor sanções a pessoas que nem ao menos sabe se professam tal credo.

Caso ele tivesse lido as primeiras páginas do Código de Direito Canônico, teria visto que:

Cân. 11 Estão obrigados às leis meramente eclesiásticas os batizados na Igreja católica ou nela recebidos, que têm suficiente uso da razão e, se o direito não dispõe expressamente outra coisa, completaram sete anos de idade.

Algum deles é batizado? Logo, estão sob tal lei e o arcebispo não está a “sair e impor sanções a pessoas que nem ao menos sabe se professam tal credo”. Se são batizados, são católicos e, por tal ato, estão excomungados. Novamente, o arcebispo simplesmente manifestou algo já consumado.

Mas em uma coisa ele acerta:

Ao dar publicidade, parece confundir questõees internas da Igreja e achar que todos brasileiros estão sob a jurisdição da Igreja.

Realmente, professor. Não são todos os brasileiros que estão sob jurisdição da Igreja: só os batizados (Aquelas aulas de Direito Can?nico perdidas fizeram falta mesmo?).

3. Ahn, o Estado Laico:

Por evidente, a Rompicoglioni sabe que o Brasil é um estado laico.

Voltando às aulas que o “jurista” deve ter perdido:

Constituição da República Federativa do Brasil.

Preâmbulo

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solulção pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÂO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

“Sob a proteção de Deus” é uma expressão que diz muitas coisas, caríssimo jurista E professor. Primeiro, o que fazer com essa invocação de Deus no seu estado laico? Segundo, “Deus”, no singular e grafado com “D” maiúsculo exclui toda e qualquer interpretação panteísta, pagã, politeísta e outras aberrações. E agora, professor? Jogue fora sua laicidade ou nossa Constituição.

4. Caso eu esteja muito enganado, nosso jurista e professor condena o que chama de volta à inquisição mas quer pregar algo como uma volta à ditadura:

Por certo, poderáo arcebispo e a Igreja suportarem açõees indenizatórias por danos morais, pela divulgação de juízos (excomunhão) sancionatórios não tipificados como crimes pelo estado laico brasileiro.

Que outro nome podemos dar, senão censura, à tentativa de criminalizar a exposição de juízos de valor? Caríssimo jurista e professor, respirar é julgar. Caso contrário, seria o senhor também passível de ser acionado judicialmente por divulgação de juízos sancionatórios não tipificados como crimes?, já que rechaça e reprova o exercício da liberdade de culto (prevista pela constituiçãobrasileira, diga-se de passagem) do arcebispo?


5. Por último, o que mais me irrita em toda essa discussão
:

Nesse contexto, é estranho que o arcebispo de Olinda e do Recife, dom José Cardoso Sobrinho, saia a público a dizer coisas que só interessam ao âmbito restrito da Igreja e aos seus fiéis.

Como mostrado acima, a Igreja está legislando sobre sujeitos que estão sim sob sua jurisdição. Mas já que o assunto é dar palpite em âmbitos restritos, por que toda uma corja de jornalistas fez juízos de valor e palpitou sobre o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX? Ao contrário do prelado, TODA A CORJA DE JORNALISTAS quis “legislar” sobre uma esfera sobre a qual não têm absolutamente nenhuma autoridade. E a autocrítica, professor? E a lógica?

Ahn, deve ter faltado nestas aulas tamnbém…







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