Como uma enxurrada de baboseiras est?o sendo aventadas por a?, vamos a um ?round up?, uma colet?nea de notas oficiais e pronunciamentos sobre a quest?o da supress?o da excomunh?o dos bispos pertencentes ? FSSP X e, sobretudo, acerca da posi??o da Santa S? sobre a Shoah e sobre as declara??es de Williamson.
Antes, queria come?ar dizendo o ?bvio, mas que ningu?m se d? ao trabalho de enxergar nesses momentos: a Igreja tem um Conselho pontif?cio permanente de di?logo-interreligioso. Mostrem a? nos coment?rios os ?rg?os correspondentes das outras confiss?es religiosas, algo como uma comiss?o isl?mica para di?logo com os crist?os ou uma comiss?o budista para os mesmos fins, e que fa?a declara??es p?blicas de cumprimento e felicita??es aos seus interlocutores, por exemplo. Acusar a Igreja de solipsismo n?o ? s? ignor?ncia, ? maldade. Assim, ? claro que o que posto aqui ? s? para quem quiser ser, de fato, honesto e conhecer para al?m das manchetes dos jornais.
1. Al?m disso, a posi??o oficial da Igreja sobre a rela??o com os n?o-crist?os est? expressa em uma declara??o do Conc?lio Vaticano II, a Nostra Aetate. Desafio aos cr?ticos da Igreja neste momento a apontarem documentos oficiais de envergadura semelhante a uma declara??o conciliar, que promovam de fato um di?logo com as outras religi?es e na qual se possa ler:
Sendo assim t?o grande o patrim?nio espiritual comum aos crist?os e aos judeus, este sagrado Conc?lio quer fomentar e recomendar entre eles o m?tuo conhecimento e estima, os quais se alcan?ar?o sobretudo por meio dos estudos b?blicos e teol?gicos e com os di?logos fraternos. Ainda que as autoridades dos judeus e os seus sequazes urgiram a condena??o de Cristo ? morte (13) n?o se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que ent?o viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na Sua paix?o se perpetrou. E embora a Igreja seja o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se conclu?sse da Sagrada Escritura. Procurem todos, por isso, evitar que, tanto na catequese como na prega??o da palavra de Deus, se ensine seja o que for que n?o esteja conforme com a verdade evang?lica e com o esp?rito de Cristo.
Veja tamb?m uma lista com mais de 30 t?tulos de documentos e declara??es oficiais da Igreja, bem como de declara??es, documentos e notas de Confer?ncias Episcopais pelo mundo, que trabalham com o di?logo e bom relacionamento com os judeus.
2. Nota de hoje da Secretaria de Estado, publicada no L?Osservatore Romano (que nenhum dos eclesioclastas se d? ao trabalho de ler), na qual se condiciona o acolhimento da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X ? aceita??o dos ?ltimos papas e do conc?lio Vaticano II. Especificamente, sobre as declara??os de Williamson:
3. Dichiarazioni sulla Shoah
Le posizioni di monsignor Williamson sulla Shoah sono assolutamente inaccettabili e fermamente rifiutate dal Santo Padre, come Egli stesso ha rimarcato il 28 gennaio scorso quando, riferendosi a quell’efferato genocidio, ha ribadito la Sua piena e indiscutibile solidariet? con i nostri Fratelli destinatari della Prima Alleanza, e ha affermato che la memoria di quel terribile genocidio deve indurre "l’umanit? a riflettere sulla imprevedibile potenza del male quando conquista il cuore dell’uomo", aggiungendo che la Shoah resta "per tutti monito contro l’oblio, contro la negazione o il riduzionismo, perch? la violenza fatta contro un solo essere umano ? violenza contro tutti".
Il vescovo Williamson, per una ammissione a funzioni episcopali nella Chiesa dovr? anche prendere in modo assolutamente inequivocabile e pubblico le distanze dalle sue posizioni riguardanti la Shoah, non conosciute dal Santo Padre nel momento della remissione della scomunica.
Il Santo Padre chiede l’accompagnamento della preghiera di tutti i fedeli, affinch? il Signore illumini il cammino della Chiesa. Cresca l’impegno dei Pastori e di tutti i fedeli a sostegno della delicata e gravosa missione del Successore dell’Apostolo Pietro quale "custode dell’unit?" nella Chiesa.
3. Texto da audi?ncia geral do dia 28 de Janeiro, que se intitula justamente ?Shoah, admoesta??o contra o esquecimento?, no qual se pode ler:
Nestes dias em que recordamos o Shoah, voltam-me ? mem?ria as imagens recolhidas nas minhas v?rias visitas a Auschwitz, um dos lagers onde se consumiu o feroz massacre de milh?es de judeus, v?timas inocentes de um cego ?dio racial e religioso. Enquanto renovo com afecto a express?o da minha plena e indiscut?vel solidariedade para como os nossos irm?os destinat?rios da primeira Alian?a, desejo que a mem?ria do Shoah leve a humanidade a reflectir sobre o poder imprevis?vel do mal, quando conquista o cora??o do homem. O Shoah seja para todos uma admoesta??o contra o esquecimento, a nega??o e o reducionismo, para que a viol?ncia feita contra um s? ser humano ? viol?ncia contra todos. Nenhum homem ? uma ilha, escreveu um famoso poeta. O Shoah ensine especialmente, quer ?s velhas gera??es quer ?s novas, que somente o ?rduo caminho da escuta e do di?logo, do amor e do perd?o leva os povos, as culturas e as religi?es do mundo ? almejada meta da fraternidade e da paz na verdade. A viol?ncia nunca mais humilhe a dignidade do homem!
4. Artigo do Rabino Irwin Kula, presidente do Centro Judaico Nacional para Educa??o e l?der religioso em Nova Iorque, no Washington Post do dia 2 de fevereiro, cujo t?tulo traduzido ? Rea??o judaica contra o papa ? desproporcional, no qual se pode ler:
As an eighth generation rabbi and someone who lost much family in the Holocaust, it could just be me, but this official Jewish response seems outrageously over the top. Do millions of American Jews sufficiently care that the Pope revoked the excommunication of this unheard of bishop such that major Jewish organizations should devote so much energy and attention to this and turn it into a cause c?l?bre worthy of front page attention? And is this the way we speak to each other after decades of successful interfaith work on improving our relationship?
How is it that the view of some cranky bishop who has no power evokes calls of a crisis in Catholic – Jewish relations despite the revolutionary changes in Church teachings regarding Jews since Vatican II? Where is the "proportionality", where is the giving the benefit of the doubt – a central religious and spiritual imperative – in response to something that is admittedly upsetting but in the scheme of things is less than trivial especially given this Pope’s historic visit to Auschwitz in which he unambiguously recognized the evil perpetrated upon Jews in the Holocaust and in his way "repented" for any contribution distorted Church teachings made to create the ground for such evil to erupt.
5. Texto do Decreto de Remo??o da Excomunh?o Latae Sententiae a quatro bispos da FSSPX, que tenho certeza que quase ningu?m leu, ou veria a real motiva??o do Santo Padre:
Sua Santidade Bento XVI paternalmente sens?vel ? dificuldade espiritual manifestada pelos interessados, por causa da san??o de excomunh?o, e confiante no compromisso por eles expresso na citada carta, de n?o poupar qualquer esfor?o para aprofundar nos necess?rios di?logos com as Autoridades da Santa S? as quest?es ainda abertas, de forma a poder chegar depressa a uma plena e satisfat?ria solu??o do problema apresentado na origem decidiu reconsiderar a situa??o can?nica dos Bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, derivada da sua consagra??o episcopal.
Com este acto, deseja-se consolidar as rec?procas rela??es de confian?a e intensificar e dar estabilidade ?s rela??es da Fraternidade S?o Pio X com esta S? Apost?lica. Este dom de paz, no final das celebra??es natal?cias, quer ser tamb?m um sinal para promover a unidade na caridade da Igreja universal e chegar a eliminar o esc?ndalo da divis?o.
6. Por fim, em 28 de maio de 2006, o papa Bento XVI foi ao campo de concentra??o de Auschwitz-Birkeneau. Abaixo o v?deo de seu discurso e o texto de seu discurso proferido ali, cujas palavras iniciais pungentes s? podem ser ignoradas pelos estultos eclesioclastas:
Tomar a palavra neste lugar de horror, de ac?mulo de crimes contra Deus e contra o homem sem igual na hist?ria, ? quase imposs?vel e ? particularmente dif?cil e oprimente para um crist?o, para um Papa que prov?m da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras, no fundo pode permanecer apenas um sil?ncio aterrorizado um sil?ncio que ? um grito interior a Deus: Senhor, por que silenciaste? Por que toleraste tudo isto? ? nesta atitude de sil?ncio que nos inclinamos profundamente no nosso cora??o face ? numerosa multid?o de quantos sofreram e foram condenados ? morte; todavia, este sil?ncio torna-se depois pedido em voz alta de perd?o e de reconcilia??o, um grito ao Deus vivo para que jamais permita uma coisa semelhante.

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