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Células-tronco embrionárias e os mitos modernos

August 26th, 2010 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa

No mínimo desde Comte, aprendemos já no jardim de infância que nossos tempos modernos (ou pós-modernos, hiper-modernos ou qualquer coisa que o valha) são o ápice da humanidade (que por sua vez serão ultrapassados por nossos sucessores que, mesmo antes de nascer, já exibem sua gloriosa contribuição para nossa perfectibilidade). Assim, nossos conhecimentos e nossa ciência estão em tal patamar de “evolução” (ahn, palavra maldita que significa “progresso”, mas que estranhamente também significa “fim (télos)”, “bem” e “verdade”, tudo ao mesmo tempo) que nos arremessa anos-luz à frente de nossos pobres antepassados. Com isso, compreendemos também – nós, os gloriosos modernos – que esta ciência foi aos poucos tomando lugar de explicações toscas do mundo, baseadas em crenças horrendas que, vejam só, eram dogmáticas e completamente refratárias à qualquer tentativa de penetração do nosso órgão-mór, a Razão. E enfim, aquelas figuras interesseiras e tendenciosas que guiavam nossos antepassados através destas trilhas obscuras e danosas – os sacerdotes – foram substituídas pelos arautos do mundo novo, os cientistas.

Os cientistas merecem uma ou outra palavrinha. Sabe-se lá o porquê, os cientistas, ao adentrarem naquele recinto sagrado, o laboratório – o novo Santo dos Santos – revestem-se automaticamente de uma aura, imediatamente reconhecida pela sociedade, que por sua vez faz deles os Sumos Sacerdotes sobre os quais colocamos todas as nossas confianças. É sabido que os Sumos Sacerdotes entravam, uma vez por ano no Santo dos Santos para pedirem expiação de todos os males do povo, bem como de seus próprios. No entanto, os nossos mais excelsos sacerdotes são estranhos. Vejamos um exemplo:

Acabo de ler uma entrevista na qual um destes senhores cientistas, pesquisador de células-tronco, inclusive das embrionárias, comenta um certo embargo propugnado por um juiz, que, ao menos temporariamente, parece obstruir seus estudos ou o uso de seus resultados. Pois bem, este gênio, arauto da razão diz algumas coisas que incautos não percebem. Assim, vamos a elas:

1. A relação dos sacerdotes com o dinheiro foi sempre vista como problemática. Mas não a dos neo-sacerdotes. O próprio cientista entrevistado lamenta que a pausa nas pesquisas afeta muito os cientistas que recebem financiamento para suas pesquisas. É claro que você pensa na corrida contra o tempo empreendida por esse quase-voluntário trabalhando em favor da humanidade, para salvar milhões de vidas. Mas deveria pensar que os cientistas recebem milhões em verbas que vão ao encontro de sua ganância propriamente humana – como a minha e a sua. Chega a ser patético o fato de que a figura do idealista em busca da verdade esteja tão em desuso, mas não quando este idealista veste um jaleco branco numa sala branca. Os interesses são todos “científicos” e “em prol do desenvolvimento”.

O senhor cientista chega a dizer que a decisão judicial foi motivada por interesses eleitorais e de contexto, e não por uma convicção ética. Claro, a suspeita acerca de interesses não revelados deve pairar sobre todos, exceto sobre ele, nosso super-heroi casto e puro, quase um mártir irreconhecido.

2. Se este é o guardião da Razão, quero ser uma Besta. Perguntado sobre se achava que a interrupção duraria muito, o cientista responde (sou obrigado a citar):

Eu me sinto otimista e espero que seja coisa de alguns meses. O bloqueio judicial é muito condicionado pelas eleições deste outono, e portanto é possível que desapareça depois dele. O problema de fundo é a interpretação que o juiz fez de uma lei de 1996. Durante os próximos meses os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA vão analisar a fundo como contorná-la ou reformá-la. Mas pretender frear essas pesquisas com minúcias legais não passa de uma fantasia mental. Quando aparecerem as primeiras terapias acabará a discussão: ninguém pode ser contra a cura.

O “argumento” é simples: vai durar pouco porque, quando ficar visível que funciona, “acabará a discussão”, afinal, “ninguém pode ser contra a cura”. Chega a me embrulhar o estômago ter que analisar o “argumento”.

Toda a possível “discussão” é, aos olhos do nobre doutor, uma questão que, de antemão já está resolvida. Há aqui uma premissa oculta que assevera que “se algo funciona, então seu uso está eticamente justificado”. Alguém aí precisa da explicação? Além da falácia que é o ocultamento da premissa, por si mesmo, ela é altamente discutível. É possível pensar em inúmeros artefatos ou medidas que “funcionam” mas são deploráveis quanto ao seu valor. E não me venha citando o fim nobre de “salvar vidas”. Se houvesse uma pandemia causada pelos ursos panda (o trocadilho foi absolutamente incidental), nada mais justificado do que exterminá-los. Mas ai daqueles que o propusessem. Exterminar uma espécie de bichinhos tão lindos, dóceis e indefesos em benefício dessa raça humana depravada, o que! Seria um meio inadmissível, embora para um fim desejável (segundo alguns, bem poucos).

A tática de remodelar o problema indesejável em torno de algo obviamente desejável é tudo, menos racional. Quem será contra a cura!?… Mas, bem, não era essa a questão, senhor. Mas, caso seja por aí que o senhor deseje ir, talvez a pergunta adequada seja: Quem será a favor da cura a qualquer preço?

 

PS: Nos artigos relacionados há um outro que comentarei depois. Adianto que seu raciocínio é de um nível que deveria fazer com que a cientista que o pronuncia perdesse o diploma… do pré-primário.







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Luiz Felipe Pondé – Abel

August 16th, 2010 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa

 

CARO LEITOR, sou um pobre de espírito. Não daquele tipo que herdará o reino dos céus, como afirma Jesus no "Sermão da Montanha". Não há lugar pra gente como eu no reino dos céus. Por uma razão simples: não amo ninguém mais do que a mim mesmo. E isso é mortal. Sempre foi. Os mentirosos é que tentam dizer o contrário. Não partilho da nova "ciência do egoísmo", essa que se traduz em livros e revistas que buscam "novas formas de espiritualidade" centrada no amor próprio. Ou nessa coisa horrorosa chamada "autoestima".

Tampouco fiz de mim um budista light, desse tipo que parasita as religiões orientais com a intenção de inventar uma espiritualidade que sirva ao clássico egoísmo moderno, numa salada mista de energias hindus com Jung barato. Antes de tudo, recuso o budismo light por um mero senso do ridículo que habita essas formas mesquinhas de espiritualidade.
Com isso quero dizer que não trocaria o reino dos céus por alguma forma quântica de paraíso egoísta, ao sabor da espiritualidade de livrarias de aeroporto do tipo "O Efeito Sombra", cujo subtítulo é "Encontre o Poder Escondido na sua Verdade", dos "guias espirituais" Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson, perfeito para almas superficiais amantes de toda forma de espiritualidade mesquinha.

O que é uma espiritualidade mesquinha? Fácil responder essa. Espiritualidade mesquinha é, antes de tudo, uma forma de crença que deforma a face do crente, iluminando seus caninos ocultos. Aquela que sempre medita com o objetivo de nos tornar mais poderosos e bem-sucedidos. Essa praga espiritual está em toda parte porque, simplesmente, não conseguimos entender que, para salvarmos nossa vida, temos que perdê-la. Jesus tinha razão.
O principal obstáculo para se libertar do mal é o "eu". Essa peste que contamina todo ato humano. Como vampiros de Deus, queremos fazer até da "sombra" (do mal em nós) um serviçal de nosso sucesso.

Sou um pobre de espírito. Passo horas temendo o abandono, o desprezo e a indiferença. Comparando meus pequenos sucessos com os mais infelizes do que eu. Ainda bem que eles existem. Rezo para que o mundo me ame. Em meus pesadelos sempre sou o último dos amados do mundo. Quando encontro alguém melhor do que eu, perco o sono, quero destruí-lo. Sua respiração me sufoca. Sua generosidade me humilha. Seu sorriso é uma prova de que fracassei em amar o mundo.

Que o leitor apressado não pense que estou numa crise de autoestima. Que o leitor crente nessas formas de espiritualidade mesquinha não aplique psicologia barata ao que digo, tentando justificar tudo que lê com alguma hipótese acerca do cotidiano de quem escreve. Você não me conhece. Mas seguramente conhece a miséria que vos falo: quem ama alguém mais do que a si mesmo?

Não vale jogar na cara dos outros amores maternos e paternos ou filiais. Na era do "direito à felicidade do indivíduo", até a ciência já está provando (vide o diagnóstico apresentado pelo caderno Equilíbrio desta Folha no último dia 3/8) que ter filhos é um mau negócio.

Pais e mães são mais estressados do que adultos sem filhos. E é a mesma ciência que agora "descobre" a miséria dos pais, que a cria, em grande parte, com suas demandas "cientificas" de aperfeiçoamento da função parental. Ninguém mais sabe ser pai e mãe sem a palavra de uma especialista. Como sempre digo, a mania de criar um "homem" melhor vai nos destruir a todos.
Como idiota digital que sou, busco rapidamente na internet alguma nova teoria científica ou política que prove que ninguém é melhor do que ninguém. Que nos reúna num ato de mediocridade comum. Alguma nova técnica de treinamento em recursos humanos que devolva a mim minha falsa glória. Meu objetivo é fazer inveja a Deus.

Entendo Caim em seu ódio por Abel. Ao contrário das bobagens que afirma Saramago em seu livro "Caim" -críticas típicas de quem nada entende acerca da tradição bíblica porque permaneceu infantil espiritualmente-, Caim não suportou o fato de que Abel era melhor do que ele e por isso o matou. Existe algum Abel aí ao seu lado?







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Lançamento da Dicta & Contradicta – n. 5

June 14th, 2010 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa

Caríssimos.

Depois de amanhã, dia 16 de junho, haverá o lançamento da quinta edição da já clássica revista Dicta & Contradicta. Para além da qualidade excepcional da revista, e dos atributos específicos deste volume, convido também porque há aí um pequeno texto meu. Assim:

 

convitedicta5







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Luiz Felipe Pondé – Os olhos do macaco

May 24th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Filosofia, Imprensa

 

VOCÊ JÁ OLHOU nos olhos de um chimpanzé? Da próxima que for a um zoológico, faça isso. Você perceberá que ali existe uma alma presa como a sua. Seus olhos carregam um misto de espanto e tristeza que só humanos conhecem, que parece brotar de excesso de sensibilidade.

Sim, simpatizo com o darwinismo. Mas nem por isso sou ateu. Tampouco tem razão o grande filósofo Daniel Dennett, cujos livros devoro e a quem admiro na sua luta para combater a velha covardia humana travestida de fé, quando supõe que qualquer relação entre darwinismo e tradição monoteísta ocidental implica medo do ateísmo.

Não tento "casar" o darwinismo com qualquer "prova" da existência de Deus. Provar a existência de Deus me dá sono, nem acho possível prová- la. Como não levo a razão tão a sério, não temo suas incoerências.

Pelo contrário, minha simpatia está sempre contra as certezas da razão. Penso, sim, que não há nenhuma grande coerência na vida, nem uma narrativa única. Uma vida dilacerada entre narrativas contrárias me parece sempre mais sólida.

O conforto da certeza me entedia. Sou da velha escola: o sofrimento é que molda o caráter.

O darwinismo me comove, assim como Shakespeare. Quando ouço Macbeth dizer "a vida é um conto narrado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada", eu penso na luta cega de nossos ancestrais cuja humanidade foi cozida em sangue. E isso me comove.

Converti-me ao darwinismo desde criança, ao ver aqueles desenhos nos quais imagens de hominídeos vão paulatinamente virando imagens de homens.

Mais tarde, quando não era não mais criança, convenci-me da verdade do darwinismo quando me vi diante das análises do comportamento humano produzidas pela psicologia evolucionista.

Não creio nas teorias que afirmam a construção social dos comportamentos, apesar de que algum grau de influência social em nosso comportamento obviamente existe.

Prefiro a ideia de comportamento comodestino, maldição. Mas minha relação com o darwinismo sempre foi mais estética do que um mero convencimento racional.

O que primeiro me cativou no darwinismo foi a descrição da origem do ser humano como uma saga contra um meio ambiente terrível e contra os horrores de nossa própria "alma" pré-humana.
A solidão dos nossos ancestrais combatendo os elementos externos e internos me parece uma ode à beleza humana, arrancada da indiferença das pedras.

A escuridão e a solidão do universo me encantam. Pensar que homens e mulheres são areia que um dia tomou consciência de si mesma e de sua solidão me parece um épico que canta nossa dignidade visceral.

A dignidade que só cabe aos desgraçados. Reconheço essa dignidade nos olhos do macaco: a dignidade da testemunha assombrada.

O horror de nosso passado, para mim, sempre foi motivo de orgulho. Sim, vejo o darwinismo como um drama cósmico do qual temos o privilégio de ser testemunhas assombradas. Sim, repito, a humanidadedos humanos foi cozida em sangue, uma pérola numa imensa massa cega de matéria.

Os ateus não deixam de ter razão quando apontam o pânico que muitas pessoas têm diante de descrições da vida como a darwinista. O filósofo Nietzsche (século 19) chama esse pânico de ressentimento. Daí nasceriam as bobagens platônicas e cristãs acerca de um outro mundo onde não haveria sofrimento.

Mas o ressentimento de gente como Platão ou cristãos não é nada se comparado ao ridículo de algumas crenças atuais,mas que respondem ao mesmo pânico.

Por exemplo, pensemos na crença em "energias". Que os deuses me protejam de cair um dia no ridículo de "acreditar em energias". Odeio a palavra "energia". Energia isso, energia aquilo, hoje em dia qualquer um usa a palavra "energia" para seus delírios religiosos de consumo.

Digo sempre: quer uma religião? Procure uma de, no mínimo mil anos de existência, e preferivelmente que não tenha passado pela Califórnia ou pela física quântica.

Seu sofá está sobre um cano de água? Humm, más energias. Você tem um câncer? Precisa "limpar" as más energias. O tratamento energético não te curou? Ahhh, você não estava preparado, precisa abrir sua mente. Ovos têm energia, alfaces têm energia, o azul da parede tem energia. As energias vão resolver o conflito israelo-palestino. As energias vão parar teu envelhecimento.







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Novamente, a eclesioclastia e a revolta do fraco contra o forte

April 26th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

Entre as várias tentativas de explicar e entender o que move a agenda eclesioclasta contemporânea, penso ser fundamental retomar o cerne daquilo que impulsiona a oposição à Igreja desde os tempos mais remotos e passando pelos períodos áureos de oposição à Igreja de Cristo, a saber, a revolta do fraco contra o forte. E poucos souberam tão bem localizar e explicitar tal dinâmica quanto Nietzsche que, agudamente, reconhece um dos momentos de eclosão de tal movimento já na Reforma Protestante:

"Mas a coisa mais estranha é que aqueles que mais desejam reter e preservar o cristianismo são os que mais fizeram para destruí-lo (…) A reforma luterana, em toda a sua extensão e amplitude, foi a indignação do simples contra o complexo; para falar prudentemente, foi uma falta de refinamento, honestamente um engano.

(…)Lutero era fatalmente limitado, superficial e imprudente. Ele confundiu, atrapalhou, deu os Livros Sagrados na mão de qualquer um – o que significa dá-los na mão dos filólogos, que são os destruidores de toda crença baseada em livros. Ele demoliu o conceito de "igreja" por repudiar a fé na inspiração dos concílios; para que o conceito de "igreja" permaneça vigoroso como é, ele pressupõe que o Espírito inspirador que fundou a igreja permaneça vivo nela, construindo-a, continue ainda a fazer nela sua morada de descanso. (…) Lutero destruiu um ideal que ele não sabia como alcançar (…) De fato, ele não sabia o que estava fazendo."

NIETZSCHE, F. A Gaia ciência (traduzido da edição americana)

 

Não é de hoje que vemos a agenda eclesioclasta do mundo moderno, cujo porta-voz, arauto e profeta é a mídia (esta última grande instância de sentido da atualidade, ao lado da ciência e da tecnologia). Já no século passado H. U. von Balthasar, um dos maiores teólogos do século XX dizia que, para fazer com que as pessoas não lhe ouvissem mais, bastava citar "Deus" ou "Igreja" na conversa, e todo discurso se esvaziaria de sentido instantaneamente. O que ocorre hoje é a manifestação explícita da "revolta do fraco contra o forte", "do superficial contra o profundo" já presente na heresia de Lutero. O mundo (e seus profetas) odeiam a Igreja porque não a podem alcançar. Aqueles mesmos criminosos que abusam de crianças não o fazem em acordo com o que ensina a Mãe Igreja, mas o fazem contra ela. Estes são os primeiros a empreenderem uma dinâmica de destruição daquilo que não sabem como efetivar. A modernidade odeia a Igreja porque, como já previra Hegel, quis abandonar os valores do passado sem saber bem o que colocar no lugar. E nunca antes na história do pensamento ocidental a mudança histérica de paradigmas foi vista como uma qualidade e não um defeito. E se chega ao ponto de adorar o vazio à grandiosidade…







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Luiz Felipe Pondé – Sade de Batina?

April 26th, 2010 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Imprensa

PEDOFILIA ESTÁ na moda. Os "odiadores" da Igreja Católica estão em êxtase. Sempre digo que o único preconceito considerado "científico" nos jantares inteligentes é o preconceito contra a Igreja Católica.

Em jantares assim, você conta como seu pastor alemão é gostoso, como você despreza o conservadorismo dos heterossexuais, como sua alimentação é balanceada e…, é claro, como despreza a Igreja Católica, que, segundo você, é responsável pelo mercado negro de escravos sexuais (não de "escravas", é claro!), de armas e de órgãos. Reconhece-se um "odiador" da igreja pela baba que escorre pelo canto da boca cada vez que tem a chance de cuspir nela.

Nem adianta me acusar de católico reacionário porque nem católico sou. Lamento desmantelar a visão de mundo dos superficiais. Sou defensor de Bento 16? Sim, porque ele é um grande intelectual que faz diagnósticos corajosos sobre alguns males modernos. E também por outro motivo (este é segredo!): porque todo mundo parece concordar que ele não é legal.

O historiador judeu Johan Huizinga, no seu excelente "The Waning of the Middles Ages" (outono da Idade Média), narra de forma impressionante os processos de condenação e execução de hereges no final da Idade Média. Tais eventos eram um "programa de domingo" para o povo, como sempre, ansioso por manifestar seu ódio por alguém que não pode se defender. Levavam suas crianças e juntos faziam piquenique e cuspiam nos hereges.

É claro que muita gente acha chique ter sido queimada na Idade Média. Aliás, o número de gente que faz "regressão de vidas passadas" e descobre que foi queimada na Idade Média faz da Inquisição a instituição mais produtiva da história.

Segundo Huizinga, o povo cuspia nos hereges, xingava os hereges, jogava tomate neles e tinha absoluta certeza de que eles faziam sexo com o demônio e com as criancinhas.
Mas o que essa gente chique-cabeça não sabe é que o herege era uma figura mais próxima da imagem que temos hoje desses padres tarados do que figuras por quem sentiríamos alguma misericórdia.

Vejam: quando se trata de ódio de massa, pouco importa quem é inocente ou não, contanto que possamos cuspir na cara do acusado. Num caso como esse, basta a suspeita e o acusado já é culpado.

Quando leio as manifestações iradas dessa gente em êxtase porque existem padres que gostam de transar com meninos, sempre imagino como essa gente gostaria de poder gritar em praça pública: "Joga pedra na Geni!". Sempre suspeito que o que move a "indignação pública" é mais a chance de odiar (no caso, os padres tarados) do que de amar (no caso, a justiça) porque ninguém ama tão rápido assim, mas odeia na velocidade da luz. Acho inclusive que, no fundo, rezam (ironia…) para que o número de vítimas dos padres tarados aumente a cada dia. Dessa forma seu preconceito "científico" contra a Igreja Católica estará supostamente comprovado.
Sem dúvida é hora de a Igreja Católica cuidar disso. E ela o fará, porque se trata de uma grande instituição com uma história enorme de prestação de serviço à humanidade, apesar de seus erros evidentes -afinal, é humana como todos nós. Sabemos que, hoje em dia, muita gente entra na igreja sem uma seleção cuidadosa, inclusive porque ser padre ou freira hoje não é "um bom negócio" como já foi no passado.

O problema de como lidar com a pedofilia na Igreja Católica é mais um exemplo na longa lista de dificuldades que a igreja (uma instituição antiga e medieval) tem com o Estado laico moderno. O regime moral de penitência e busca de arrependimento que organiza a relação entre crime e castigo na Igreja Católica é nulo para a justiça do Estado moderno, que é cego à lógica do arrependimento.

Por isso, a necessidade de que esses padres sejam trazidos ao tribunal do Estado, como criminosos. Claro que a possibilidade de ganhar grana pode ajudar no acúmulo das denúncias. Tudo tem seu preço, ao contrário do que os hipócritas gostam de afirmar nos púlpitos. Mas, confesso, fico com uma curiosidade. O que diriam os apaixonados leitores de Sade ou Foucault sobre esses pedófilos (padres ou não, apesar de ser mais "gostoso" xingar os padres)? Seria a pedofilia uma forma de transgressão legítima contra as normas de opressão social sobre os corpos? Humm… Por que se calam nessa hora? Por que Sade e Foucault não poderiam fazer sexo revolucionário de batina?







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Dossiê sobre os abusos

April 19th, 2010 | Comente | Postado em Igreja, Imprensa, Links

O excelente PopeBenedictXVIFanClub montou um dossiê praticamente exaustivo cobrindo as acusações à Igreja, suas respectivas resposta e outros comentários pertinentes na mídia. É uma referência imprescindível. Para acessá-lo, clique na imagem abaixo.

 







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Se falei mal, provai-o…

April 14th, 2010 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

As últimas ações da agenda que visa agredir a Igreja a partir das falsas acusações sistemáticas tiveram, ontem, enfim, uma resposta à altura. Ela veio do Cardeal Tarcisio Bertone que afirmou o óbvio ululante: a esmagadora maioria dos casos envolvendo o abuso sexual de crianças e adolescente por membros do clero se deu entre padre e meninos, portanto, com ligação íntima com o homossexualismo e não com o celibato. Mas parece que alguns esqueceram de entender conclusões óbvias:

1. Que a pedofilia é uma perversão, até os críticos mais virulentos o reconhecem. Mas por que a sodomia não? O ponto crucial para a legitimação moral é a legitimação social? O fato de que seja socialmente aceitável a relação homossexual exclui per se o debate? Se assim for, Deus nos livre, se chegarmos a uma sociedade que assimila a pedofilia como comportamento sexual aceitável ocorrerá por si só uma metábasis eis allo génos (uma mudança de gênero) em relação ao seu valor moral? O mesmo para a demais parafilias (necrofilia, zoofilia etc.)?

2. Chega a ser ultrajante a tentativa de relacionar o celibato clerical à pedofilia. O arremedo de argumento apresentado pelos defensores de tal associação repousa sobre uma inferência ridiculamente falaciosa de que uma suposta repressão da libido geraria necessariamente um extravasamento desordenado, como a pedofilia. Nada mais patético.

Já Aristóteles chamava a atenção para que a existência de razão e certa liberdade eram os sinais distintivos do homem em relação aos demais entes da natureza. Isso significa que ao homem é possível, diferentemente dos animais e das plantas, optar até contrariamente à natureza se sua deliberação racional o mostrar como mais adequado ou vantajoso. Desse modo, é possível reprimir o desejo de comer, dormir ou copular em benefício de outras finalidades mais altas.

Dizer então que a opção pelo celibato é algo antinatural já é por si só prova de imbecilidade ou má-fé. É tão naturalmente possível quanto a dieta. Do mesmo modo, dizer que optar pela castidade tem como consequência necessária a irrupção do desejo sexual de maneira desordenada é dizer que o jejum é sucedido obrigatoriamente por orgias gastronômicas ou que a abstinência de determinado alimento ou substância precede o excesso.

Some-se à ignorância (e à má-fé) a importância inegavelmente extremada atribuída à dimensão sexual. Por vezes ela parece ser a última instência de sentido existencial, o que agrada aos espiritual e intelectualmente fracos que gostam de banir a reflexão sobre o assunto sob o nome de repressão. Se há uma relação possível de ser feita é justamente aquela óbvia que conecta um hábito pervertido (pedofilia)  a outro hábito igualmente desordenado (homossexualismo).

3. Em tudo isso é absolutamente visível que a meta é denegrir e rebaixar a Igreja mediante um esforço sistemático e obstinado de coerção semântica, cuja finalidade é forçar a associação entre as palavras “Igreja” e “Pedofilia”. E como bem se sabe, a manipulação da linguagem é sempre sinal de manipulação intelectual. Note-se que todo clichê que é repetido à exaustão é sinal de que seu significado está cristalizado de modo que refletir sobre ele não é mais necessário. Não é exatamente o que se pretende: a repetição nauseante das palavras “Igreja” e “Pedofilia” nas mesmas sentenças a ponto de que seus sentidos se fundam de modo que à menção de uma brote imediatamente a outra?

Triste é ver a Santa Sé se pronunciar contra o Cardeal que só enunciou a verdade dos fatos. O que nos lembra que a resposta que dá o Senhor ante o escárnio e a humilhação: “Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?” (Jo 18,23).

* Há dois excelentes posts sobre o assunto: um do Julio Severo e outro no Neo-Ateísmo, Um delírio. Em tempo, artigo da Zenit sobre o mesmo assunto.







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Bibliotecas domésticas melhoram desempenho de estudantes

April 14th, 2010 | 3 Comentários | Postado em Educação, Imprensa, Livros

Bem, é meio constrangedor me animar com algo tão óbvio. Contudo, no atual cenário, a pesquisa  feita pelo departamento de Sociologia da Universidade de Nevada aponta na direção radicalmente oposta àquela das pedagogias modernas e da invasão da tese da tecnologia como medium necessário ou privilegiado para o aprendizado. Com dados colhidos em 27 países, um grupo de pesquisadores constatou a relação direta entre a presença de livros nas estantes domésticas e um aumento significativo do rendimento escolar das crianças.

 

Abaixo, o Abstract do artigo final da pesquisa:

Abstract

Children growing up in homes with many books get 3 years more schooling than children from bookless homes, independent of their parents’ education, occupation, and class. This is as great an advantage as having university educated rather than unschooled parents, and twice the advantage of having a professional rather than an unskilled father. It holds equally in rich nations and in poor; in the past and in the present; under Communism, capitalism, and Apartheid; and most strongly in China. Data are from representative national samples in 27 nations, with over 70,000 cases, analyzed using multi-level linear and probit models with multiple imputation of missing data.

Keywords: Social stratification; Education; Books; Scholarly culture; Elite closure; Cultural capital; Home literacy environment; Culture; Schooling; Cross-national

 

Pequena questão: a média brasileira de leitura é ridiculamente baixa, a qualidade das traduções é, em média, risível e o acesso a livros importados é caro. E ainda há escolas que não possuem bibliotecas… O que esperar do nosso (já enorme) déficit educacional?

 

Leia também o artigo do First Things sobre a pesquisa.

Convem ler um post que escrevi em fevereiro de 2008, que aponta para estatísticas de leitura no país







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A briga que ninguém quer comprar, por Olavo de Carvalho

April 13th, 2010 | Comente | Postado em Igreja, Imprensa, Links

Posto abaixo o excelente artigo do Olavo de Carvalho, publicado no Diário do Comércio, dia 12 de abril de 2010 sobre a conjuntura da mídia e suas relações com a massa de calúnias envolvendo a Igreja Católica. Leia também outros dois posts do nosso blog, sobre o assunto (aqui e aqui).

 

* * *

 

Em cada momento do tempo, o estado geral de uma sociedade é indicado por uma série de fatores que podem ser medidos e comparados, como por exemplo a renda média, a criminalidade, o aproveitamento escolar, o número de casamentos e divórcios, etc.

A comparação entre esses fatores permite avaliar a importância relativa de cada fato – ou série de fatos – no conjunto da vida social. Por exemplo, o número de crimes e de vítimas, distribuído entre várias regiões, grupos sociais e faixas etárias. O conhecimento geral desse quadro desperta na população o senso das proporções que servirá de régua para medir a credibilidade das opiniões circulantes. Acima das preferências pessoais e grupais, o núcleo factual conhecido por todos é o tribunal de última instância no qual as idéias e propostas serão julgadas conforme sua adequação ou inadequação à realidade.

Ora, só há um canal por onde o conhecimento do quadro geral pode chegar à população: a mídia. O desempenho normal e saudável dessa função pelos jornais depende não somente de que eles divulguem os fatos, mas de que os selecionem e lhes confiram destaque maior ou menor conforme a sua importância real naquele quadro comparativo, de modo que os focos de atenção popular se hierarquizem segundo a importância objetiva dos fatores.

Em toda sociedade há um determinado número de estudiosos que têm acesso a fontes diretas e não dependem da mídia popular para formar sua visão das coisas. Para a população em geral, no entanto, vigora uma espécie de movimento circular: a constância e o destaque com que os fatos são noticiados na mídia tornam-se o padrão de aferição para o julgamento dos fatos subseqüentes divulgados pela mesma mídia. Em suma: a mídia cria sua própria regra de credibilidade, não havendo, para o grosso da população, nenhum outro quadro de referência pelo qual essa credibilidade possa ser julgada.

Até os anos 50-60, cada órgão de mídia neste país, malgrado a multiplicidade de interesses a que devia atender, mantinha-se razoavelmente submisso à ordem objetiva dos fatores, por saber que exageros ou distorções muito visíveis seriam, no dia seguinte, desmascarados por seus concorrentes. Até certo ponto, a imagem geral da sociedade tal como aparecia nos jornais coincidia com o quadro quantitativo real: o que merecia destaque e cobertura continuada era aquilo que, na vida social, tinha alguma importância objetiva.

Quatro fatores contribuíram para libertar a mídia nacional desses escrúpulos de realismo.

O primeiro foi a solidariedade maior entre as empresas, forjada durante o regime militar para a defesa comum contra as imposições do governo. As denúncias mútuas de fraude e de mau jornalismo desapareceram quase que por completo, colocando cada empresa jornalística na posição confortável de poder mentir a salvo de represálias dos concorrentes. Na mesma medida, a disputa de mercado praticamente cessou, distribuindo-se os leitores mais ou menos equitativamente entre as maiores publicações.

O segundo foi a diversificação das atividades lucrativas das empresas jornalísticas, que passaram a depender cada vez menos da aprovação dos leitores. A prova máxima dessa transformação é que essas empresas se tornaram formidavelmente mais ricas e poderosas sem que a tiragem de seus jornais aumentasse no mais mínimo que fosse. Com a escolaridade crescente, o número de leitores potenciais subiu de ano para ano, mas os maiores jornais brasileiros não vendem, hoje em dia, mais exemplares do que nos anos 50. É um fenômeno único no jornalismo mundial.

Em terceiro lugar, a obrigatoriedade do diploma universitário promoveu a uniformização cultural e ideológica da classe jornalística, de modo que já não há diferenças substantivas entre os climas de opinião nas várias redações de jornais e revistas. Na homogeneidade geral, as exceções individuais tornam-se irrelevantes.

Por último, as influências intelectuais que vieram a dominar as faculdades de jornalismo, deprimindo a confiança nos velhos critérios de objetividade e enfatizando antes a função dos jornalistas como “agentes de transformação social”, acabaram transmutando maciçamente as redações em grupos militantes imbuídos de uma agenda político-cultural e dispostos a implementá-la por todos os meios. Por isso é que, de milhares de profissionais de mídia que ocultaram a existência do Foro de São Paulo por dezesseis anos, só um, um único, mostrou algum arrependimento. Os outros, inclusive os autonomeados fiscais da moralidade jornalística alheia, preferiram, retroativamente, ocultar a ocultação – e não perderam um minuto de sono por isso.

Some-se a tudo isso um quinto fator, de dimensões internacionais: o tremendo desenvolvimento, nas últimas décadas, das técnicas de engenharia social e da sua aplicação pelos meios de comunicação.

Quem pode impedir que empresas mutuamente solidárias, libertas até mesmo do temor ao público, tendo a seu serviço uma massa bem adestrada de “transformadores do mundo” e um conjunto de instrumentos de ação tão discretos quanto eficientes, mandem às favas todo senso objetivo das proporções e se empenhem em criar uma “segunda realidade”, uma nova ordem dos fatores, totalmente inventada, legitimando de antemão qualquer nova mentira que lhes ocorra distribuir amanhã ou depois?

Nessas condições, toda presunção de “objetividade jornalística”, personificada ou não nessa moderna versão do bobo-da-côrte que é o ombudsman, tornou-se hoje apenas um adorno publicitário sem qualquer eficácia real na prática das redações.

O total desprezo pelos critérios quantitativos de aferição da importância das notícias tornou-se, portanto, a norma usual e corriqueira em todas as maiores publicações. Não havendo padrão de medida exterior pelo qual o jornalismo possa ser julgado, os jornais passaram a viver de um noticiário autofágico e uniforme, publicando todos as mesmas coisas, com igual destaque, e confirmando-se uns aos outros no auto-engano comum.

Não há um só jornal ou grande revista, por exemplo, que gradue o destaque dado à denúncias de padres pedófilos pelo exame comparativo de casos similares em outros grupos sociais. Esse exame mostraria, acima de qualquer possibilidade de dúvida, que o número de delitos é muito, muito menor entre padres católicos do que em qualquer outra comunidade humana, embora o destaque dado na mídia a esses casos induza a população a crer o contrário. Em artigo recente, o sociólogo italiano Massimo Introvigne mostrou que, num periodo de várias décadas, apenas cem sacerdotes foram denunciados e condenados na Itália, enquanto seis mil professores de educação física sofriam condenação pelo mesmo mesmo delito. Introvigne citou os professores de educação física apenas como grupo-controle. Poderia ter mencionado dezenas de outros: no conjunto, os casos de padres pedófilos revelariam ser as raridades que são, contrastando dramaticamente com a disseminação alarmante do crime de pedofilia na sociedade em geral. Eu mesmo, examinando as estatísticas alardeadas pela campanha anticlerical na Irlanda, e tirando delas as conclusões aritméticas que os autores do documento maliciosamente se recusavam a tirar, mostrei que, em cada escola católica daquele país, ocorrera não mais de um caso de pedofilia a cada dezesseis anos. Chamar isso, como a mídia o chama, de “pedofilia epidêmica”, é evidentemente uma fraude, mas como pode a população percebê-lo se não tem acesso a outro critério comparativo senão aquele que lhe é fornecido pela própria mídia segundo o recorte de uma agenda politicamente interesseira?

Mutatis mutandis, o número e a gravidade das ocorrências entre os Legionários de Cristo – mesmo sem contar as peculiaridades organizacionais que destaquei no meu artigo anterior – são tão maiores que os dos casos registrados em qualquer outra instituição católica, que tratar delas sem sublinhar a diferença, antes reduzindo-as a exemplos de “pedofilia católica” como quaisquer outros, é falsificar por completo a visão dos fatos.

Uma coisa é a realidade da vida social, outra a sua imagem na mídia e nos debates públicos. A segunda pode estar muito deslocada da primeira, fazendo com que a atenção pública se aliene da realidade ao ponto de a população tornar-se incapaz de compreender o que está acontecendo. O deslocamento completo assinala um estado de psicose social.

Massimo Introvigne tem razão ao dizer que a campanha contra a Igreja Católica sob o pretexto de denúncias de pedofilia é um caso de “pânico moral”. Mas a sociologia só lida com fatores gerais, impessoais, anônimos. Não lhe cabe rastrear origens históricas, nem sondar o coeficiente de premeditação e planejamento criminoso na produção desses fenômenos. Só a investigação histórica, judicial e, é claro, jornalística, pode elucidar esse ponto e identificar os culpados por uma das campanhas caluniosas mais vastas e pérfidas de todos os tempos. Hoje há documentação suficiente para isso. O que falta, inclusive na Igreja Católica, é vontade de comprar essa briga.







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