A Política como Ciência Primeira
Definitivamente, a política é a metafísica dos
incapazes de contemplação, no sentido grego da palavra. Para alguns a última esfera de explicação do real ou, dito de outro modo, a ciência das causas primeiras de tudo aquilo que é, para certas pessoas, a política.
As reações ao discurso do papa numa mesquita na Jordânia se deram, em alguns blogs, com adjetivos como “palhaço” e “cara-de-pau”. É no mínimo curioso acusar o alguém que professa publicamente que a realidade última das coisas não é a humana e, portanto, não pode ser política, de ser, justamente, estritamente político. Há aí algo de uma projeção da limitação cognitiva e contemplativa dos que fazem esse discurso, sobre os ombros do papa. Exatamente o papa que opta por discursos que causam pavores e reações exacerbadas, algo totalmente contrário a qualquer tentativa de manipulação política (ou seria uma nova tática de angariar apoios, concessões e pactos políticos através do despertar do ódio?).
O que ocorre é que o papa e seus críticos partem de pressupostos diferentes e, obviamente, chegam em respostas e conclusões irreconciliáveis. Mas só o papa sabe disso.
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