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	<title>Comments on: Algumas considera&#231;&#245;es sobre as perspectivas atuais da Teologia e da Filosofia da Religi&#227;o</title>
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		<title>By: Marcelo Viana</title>
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		<dc:creator>Marcelo Viana</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 17:10:54 +0000</pubDate>
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		<description>Antes da resposta do Gabriel, gostaria de acrescentar um breve comentário às palavras do Francisco:

Acho que é possível, sim, superar esse &quot;humanismo secular&quot; a partir do próprio estudo da filosofia e da teologia. Sinceramente, acho que qualquer esforço sério para avaliar o utilitarismo, o materialismo e o &quot;homem-deus&quot;, &quot;senhor de si mesmo&quot; -, qualquer esforço sincero em questionar esses conceitos provará racional e rapidamente que Deus existe e que a atividade mais alta do homem é contemplar a Deus.

Eu não conheço muito aprofundadamente as filosofias modernas, mas, do pouco que conheço, elas são muito fracas. Só são respeitadas porque, como no Gênesis, foram sedutoras ao ego do homem. Mas não possuem muita força racional. Sinceramente, fiquei um tanto decepcionado quando comecei a estudá-las, porque eu imaginava algo mais firme, algo mais sólido em sua construção. E, assim como eu, quantas pessoas não teriam a mesma impressão se fossem realmente &quot;esclarecidas&quot;?

Acredito que a coisa mais imediata a se fazer é estudar a sério o assunto, combatendo os preconceitos negativos contra a fé cristã. Nenhuma das idéias modernas resiste ao Tomismo e à sua compatibilidade com a realidade. É uma questão de usar a razão mesmo, e voltar a enxergar a realidade como real e externa ao homem, não apenas como construção da cabeça de um golfinho (vide artigo do Pondé dessa semana). O mundo criado pelo homem é uma idéia muito burra e facilmente refutável.

Ontem mesmo, tive uma conversa com um colega ateu, via email, sobre Deus. Foi um saco, é claro. Mas todas as objeções que ele fazia a respeito de Deus eram apenas reflexos de erros conceituais, lógicos e movidos por puro preconceito. Ou seja, era ignorância mesmo, alimentada pela ideologia da moda do evolucionismo e do homem-Deus. Os erros chegam a ser chatos de tão repetitivos que são em suas fontes.

Finalmente, o quero dizer é que parece necessária uma certa desconstrução, no sentido de mostrar os erros dessas doutrinas, comparadas com a solidez da Filosofia e da Teologia cristãs. Mas reconheço que isso não é suficiente, porque minimiza a importância da fé. Ou não, porque mostrando as limitações do homem, pode-se voltar a atenção para a vida pela Revelação. Entretanto, tenho visto menos uma decadência de fé do que uma decadência da razão. O homem precisa mesmo é reaprender a pensar.

Agora pode fazer seu comentário, Gabriel... :o))</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Antes da resposta do Gabriel, gostaria de acrescentar um breve comentário às palavras do Francisco:</p>
<p>Acho que é possível, sim, superar esse &#8220;humanismo secular&#8221; a partir do próprio estudo da filosofia e da teologia. Sinceramente, acho que qualquer esforço sério para avaliar o utilitarismo, o materialismo e o &#8220;homem-deus&#8221;, &#8220;senhor de si mesmo&#8221; -, qualquer esforço sincero em questionar esses conceitos provará racional e rapidamente que Deus existe e que a atividade mais alta do homem é contemplar a Deus.</p>
<p>Eu não conheço muito aprofundadamente as filosofias modernas, mas, do pouco que conheço, elas são muito fracas. Só são respeitadas porque, como no Gênesis, foram sedutoras ao ego do homem. Mas não possuem muita força racional. Sinceramente, fiquei um tanto decepcionado quando comecei a estudá-las, porque eu imaginava algo mais firme, algo mais sólido em sua construção. E, assim como eu, quantas pessoas não teriam a mesma impressão se fossem realmente &#8220;esclarecidas&#8221;?</p>
<p>Acredito que a coisa mais imediata a se fazer é estudar a sério o assunto, combatendo os preconceitos negativos contra a fé cristã. Nenhuma das idéias modernas resiste ao Tomismo e à sua compatibilidade com a realidade. É uma questão de usar a razão mesmo, e voltar a enxergar a realidade como real e externa ao homem, não apenas como construção da cabeça de um golfinho (vide artigo do Pondé dessa semana). O mundo criado pelo homem é uma idéia muito burra e facilmente refutável.</p>
<p>Ontem mesmo, tive uma conversa com um colega ateu, via email, sobre Deus. Foi um saco, é claro. Mas todas as objeções que ele fazia a respeito de Deus eram apenas reflexos de erros conceituais, lógicos e movidos por puro preconceito. Ou seja, era ignorância mesmo, alimentada pela ideologia da moda do evolucionismo e do homem-Deus. Os erros chegam a ser chatos de tão repetitivos que são em suas fontes.</p>
<p>Finalmente, o quero dizer é que parece necessária uma certa desconstrução, no sentido de mostrar os erros dessas doutrinas, comparadas com a solidez da Filosofia e da Teologia cristãs. Mas reconheço que isso não é suficiente, porque minimiza a importância da fé. Ou não, porque mostrando as limitações do homem, pode-se voltar a atenção para a vida pela Revelação. Entretanto, tenho visto menos uma decadência de fé do que uma decadência da razão. O homem precisa mesmo é reaprender a pensar.</p>
<p>Agora pode fazer seu comentário, Gabriel&#8230; <img src='http://www.gabrielferreira.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_surprised.gif' alt=':o' class='wp-smiley' /> ))</p>
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		<title>By: francisco razzo</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-498</link>
		<dc:creator>francisco razzo</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 19:48:16 +0000</pubDate>
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		<description>Gostaria de reforçar só mais um ponto sobre o dilema que apresentei e de modo geral vincular com o problema que o gabriel, creio eu, apresenta. 

O problema também pode ser posto no seguinte dilema: é possível o cristianismo “superar” esse humanismo secular cuja única raíz da humanidade do homem é o próprio homem, sem se dissolver e se reduzir ao posicionamento relativista da visão secular?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de reforçar só mais um ponto sobre o dilema que apresentei e de modo geral vincular com o problema que o gabriel, creio eu, apresenta. </p>
<p>O problema também pode ser posto no seguinte dilema: é possível o cristianismo “superar” esse humanismo secular cuja única raíz da humanidade do homem é o próprio homem, sem se dissolver e se reduzir ao posicionamento relativista da visão secular?</p>
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		<title>By: francisco razzo</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-495</link>
		<dc:creator>francisco razzo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 20:16:44 +0000</pubDate>
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		<description>Não poderia deixar de acrescentar mais essas duras passagens desse mesmo texto do Papa:

&quot;O núcleo da tentação do homem e de sua queda está encerrado nestas palavras programáticas: &#039;Tornar-vos-ei como Deus&#039;(Gn 3,5). Como Deus, isto é, livres da lei do Criador, livres das próprias leis da natureza, senhores absolutos do próprio destino. O homem deseja continuamente apenas isto: ser criador e senhor de si mesmo.&quot; 

São palavras que, aos olhos mais atentos, estremecem toda raíz do projeto Moderno, toda projeção da autonomia humana em relação ao todo do Ser mesmo. 

Todo o cálculo das teses &#039;emotivista&#039;, onde não podemos deixar de incluir outros paradigmas tais como o &#039;conseqüencialismo&#039;, o &#039;proporpocionalismo&#039;, tem raíz comum no &#039;utilitarismo&#039;. São cálculos que levam a um posicionamento, até negativo de forma que equaliza o cristianismo de maneira absolutamente equivalente como qualquer outro sistema meramente humano. O problema também pode ser posto no seguinte dilema: é possível o cristianismo &quot;superar&quot; esse humanismo secular cuja única raíz da humanidade do homem é o próprio homem? 

Um abraço 
Francisco</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não poderia deixar de acrescentar mais essas duras passagens desse mesmo texto do Papa:</p>
<p>&#8220;O núcleo da tentação do homem e de sua queda está encerrado nestas palavras programáticas: &#8216;Tornar-vos-ei como Deus&#8217;(Gn 3,5). Como Deus, isto é, livres da lei do Criador, livres das próprias leis da natureza, senhores absolutos do próprio destino. O homem deseja continuamente apenas isto: ser criador e senhor de si mesmo.&#8221; </p>
<p>São palavras que, aos olhos mais atentos, estremecem toda raíz do projeto Moderno, toda projeção da autonomia humana em relação ao todo do Ser mesmo. </p>
<p>Todo o cálculo das teses &#8216;emotivista&#8217;, onde não podemos deixar de incluir outros paradigmas tais como o &#8216;conseqüencialismo&#8217;, o &#8216;proporpocionalismo&#8217;, tem raíz comum no &#8216;utilitarismo&#8217;. São cálculos que levam a um posicionamento, até negativo de forma que equaliza o cristianismo de maneira absolutamente equivalente como qualquer outro sistema meramente humano. O problema também pode ser posto no seguinte dilema: é possível o cristianismo &#8220;superar&#8221; esse humanismo secular cuja única raíz da humanidade do homem é o próprio homem? </p>
<p>Um abraço<br />
Francisco</p>
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		<title>By: francisco razzo</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-494</link>
		<dc:creator>francisco razzo</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 16:47:09 +0000</pubDate>
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		<description>Caros
A importância desse debate para nós, cristãos católicos, é mais de que necessária, é emergencial! E Gabriel, ótima iniciativa de apresentar essas considerações.

Bom, não entrando exatamente nos méritos do texto, que em si está bem pontuado, porém e o mais importante não encerrado, pelo contrário abre um campo de discussão cujo finalidade é lapidar cada vez mais nossa alma para abraçar a fé genuína, o eixo da questão, ao meu ver, também poderia ser colocado assim: 

Afinal, qual o fundamento último do anúncio cristão (kérygma) ante o &quot;ethos&quot; contemporâneo?

Lendo essas palavras do Santo Padre, quando ele ainda era Prefeito da Congregação Para Doutrina da Fé, é possível o enriquecimento dessas considerações apresentadas aqui e, sobretudo, o nível da nossa conversa: 

- &quot;Assim, para tentar ainda ser &#039;críveis&#039;, os teólogos morais do Ocidente acabam por deparar com uma alternativa: parece-lhes terem de escolher entre a divergência com a sociedade atual ou a divergência com o Magistério. 

- &quot;Conforme o modo de anunciar a questão, é maior ou menor o número daqueles que preferem este último tipo de discordância e que, conseqüentemente, se põe à procura de teorias e sistemas que permitem meios termos entre catolicismo e as concepções correntes. Mas essa diferença entre Magistério e &#039;novas teologias&#039; provoca conseqüências incalculáveis. 

- &quot;A árdua alternativa: ou a Igreja encontra um consenso, um compromisso com os valores aceitos pela sociedade à qual deseja continuar servindo, ou decide permanecer fiel aos seus próprios valores e que, em sua opinião, são os que tutelam o homem nas suas exigências mais profundas, mas vendo-se então deslocada com relação à sociedade mesma&quot; (RATZINGER, 1985)

Santo Anselmo ora pro nobis. 
Att
Francisco</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caros<br />
A importância desse debate para nós, cristãos católicos, é mais de que necessária, é emergencial! E Gabriel, ótima iniciativa de apresentar essas considerações.</p>
<p>Bom, não entrando exatamente nos méritos do texto, que em si está bem pontuado, porém e o mais importante não encerrado, pelo contrário abre um campo de discussão cujo finalidade é lapidar cada vez mais nossa alma para abraçar a fé genuína, o eixo da questão, ao meu ver, também poderia ser colocado assim: </p>
<p>Afinal, qual o fundamento último do anúncio cristão (kérygma) ante o &#8220;ethos&#8221; contemporâneo?</p>
<p>Lendo essas palavras do Santo Padre, quando ele ainda era Prefeito da Congregação Para Doutrina da Fé, é possível o enriquecimento dessas considerações apresentadas aqui e, sobretudo, o nível da nossa conversa: </p>
<p>- &#8220;Assim, para tentar ainda ser &#8216;críveis&#8217;, os teólogos morais do Ocidente acabam por deparar com uma alternativa: parece-lhes terem de escolher entre a divergência com a sociedade atual ou a divergência com o Magistério. </p>
<p>- &#8220;Conforme o modo de anunciar a questão, é maior ou menor o número daqueles que preferem este último tipo de discordância e que, conseqüentemente, se põe à procura de teorias e sistemas que permitem meios termos entre catolicismo e as concepções correntes. Mas essa diferença entre Magistério e &#8216;novas teologias&#8217; provoca conseqüências incalculáveis. </p>
<p>- &#8220;A árdua alternativa: ou a Igreja encontra um consenso, um compromisso com os valores aceitos pela sociedade à qual deseja continuar servindo, ou decide permanecer fiel aos seus próprios valores e que, em sua opinião, são os que tutelam o homem nas suas exigências mais profundas, mas vendo-se então deslocada com relação à sociedade mesma&#8221; (RATZINGER, 1985)</p>
<p>Santo Anselmo ora pro nobis.<br />
Att<br />
Francisco</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Marcelo Viana</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-493</link>
		<dc:creator>Marcelo Viana</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 15:38:45 +0000</pubDate>
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		<description>&quot;Não estaria aí a manutenção da tese emotivista – claramente modernista – da escolha pessoal sobre a qual não pode ingerir o discurso racional? Ao assumirmos isto não estaríamos permanecendo no terreno adversário sem nos movermos um só centímetro para além dele? Não se está assumindo que isso é “proselitismo” e seu decorrente tom pejorativo?&quot;

Sim, você tem toda a razão, Gabriel.

Quanto às escolhas dos modelos próximos, quis me referir aos modelos próximos ao crente comum, que não se dedica ao estudo da Filosofia ou da Teologia. Só que o problema em questão claramente está se referindo aos estudiosos. Foi um lapso meu.

Concordo integralmente com suas colocações. Ajudaram a esclarecer a minha visão do problema. Gostei muito do exemplo da pregação de São Paulo, porque é de uma atualidade impressionante.

Preciso mesmo é pensar melhor sobre o assunto.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Não estaria aí a manutenção da tese emotivista – claramente modernista – da escolha pessoal sobre a qual não pode ingerir o discurso racional? Ao assumirmos isto não estaríamos permanecendo no terreno adversário sem nos movermos um só centímetro para além dele? Não se está assumindo que isso é “proselitismo” e seu decorrente tom pejorativo?&#8221;</p>
<p>Sim, você tem toda a razão, Gabriel.</p>
<p>Quanto às escolhas dos modelos próximos, quis me referir aos modelos próximos ao crente comum, que não se dedica ao estudo da Filosofia ou da Teologia. Só que o problema em questão claramente está se referindo aos estudiosos. Foi um lapso meu.</p>
<p>Concordo integralmente com suas colocações. Ajudaram a esclarecer a minha visão do problema. Gostei muito do exemplo da pregação de São Paulo, porque é de uma atualidade impressionante.</p>
<p>Preciso mesmo é pensar melhor sobre o assunto.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Marcelo Viana</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-492</link>
		<dc:creator>Marcelo Viana</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Dec 2009 10:06:16 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Gabriel,

excelente texto!! Vou tentar comentar algo antes do café. É mais como exercício para mim mesmo do que como tentativa de acrescentar algo.

Acredito que o primeiro problema que você aponta, segundo o qual o debate religioso não sabe falar por meios próprios, querendo lutar no campo e com as armas do inimigo, essa tendência se deve ao próprio tipo de discurso que nossa época adota. Coincidentemente, li, antes de ontem, uma tradução de um texto muito bom de Xavier Zubiri, em que ele aponta algumas das características do pensamento atual, quais sejam o positivismo, o pragmatismo e o historicismo. - http://traducoesgratuitas.blogspot.com/2009/12/xavier-zubiri-nossa-situacao.html

Ora, mesmo os homens que procuram descobrir a verdade através de sua fé têm dificuldades de interpretar o mundo em que estão inseridos de forma diferente do esquema moderno. Acho que boa parte dessa deficiência se deve à falta um modelo próximo, o que mostra o quão grave é a falência de boa parte dos homens de nossa Igreja. É muito complicado para um indivíduo comum acreditar que a vida espiritual é algo real, quando grande parte dos sacerdotes, que deveriam cuidar do espírito, dão mostras de um materialismo que faria enrubescer o Tio Patinhas. Mas não quero falar mal desses caras aqui porque já tratamos disso em outras ocasiões.

Acredito que, para apresentar a religião novamente como um caminho válido para a Verdade, seja preciso uma certa libertação do discurso moderno, que tenta embrulhar todos os aspectos da vida em seu domínio. E isso, infelizmente, passa por desconstruir o que há de falso no alcance do cientificismo e do subjetivismo. Mais que desconstruir, é preciso mostrar essa desconstrução, fazer propaganda disso, por exemplo, enfatizando nas escolas as consequências reais dos falsos milagres prometidos por cientistas, relativistas e materialistas: a redução da experiência de vida do ser humano pleno, a alienação da realidade da realidade, o ensimesmamento do pensamento, a solidão coletiva dissolvida nas relações artificiais e descompromissadas entre as pessoas, a banalização e a falta de gosto pela vida excelente, e, claro, a enorme quantidade de homicídios.

Quanto à Verdade de Cristo, uma vez tirada a venda, não é difícil de enxergá-la. A Teologia se desenvolveria muito fácil e naturalmente num mundo que estivesse disposto, pelo menos, a ver a religião como um fundamento da própria existência. 

Mas acho que se trata de um processo longo, porque pressupõe uma mudança cultural. E, como não sou um revolucionário gramsciano (mentira, claro; ainda quero formar minha célula comuna), não pretendo que se deva impor essa mudança às pessoas. Isso é coisa para Deus controlar. Acho, sim, que aqueles que desejam contribuir de alguma forma com a disseminação da Filosofia e da Teologia cristãs devem tentar, antes de tudo, transformar suas vidas no principal meio de convencimento que possuem, o que já me parece bastante difícil. O lixo moderno já fez muito mal com essas estórias de separar a vida prática do pensamento teórico e de descartar a busca pelo transcendente, e acho que são erros que devemos evitar. Com seus exemplos, os cristãos dariam a melhor contribuição que podem. O que faltam são modelos em que as pessoas possam se espelhar e imitar.

Agora, vou tomar um café metafísico... ;o) Abração!! E vamos continuar essa discussão, porque a Filosofia real é um modo de vida, e não apenas livros escritos. ;o) Conversando, nós exercitamos um hábito intermediário entre o pensar e o agir e, quem sabe?, com o tempo, chegamos à virtude prática...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Gabriel,</p>
<p>excelente texto!! Vou tentar comentar algo antes do café. É mais como exercício para mim mesmo do que como tentativa de acrescentar algo.</p>
<p>Acredito que o primeiro problema que você aponta, segundo o qual o debate religioso não sabe falar por meios próprios, querendo lutar no campo e com as armas do inimigo, essa tendência se deve ao próprio tipo de discurso que nossa época adota. Coincidentemente, li, antes de ontem, uma tradução de um texto muito bom de Xavier Zubiri, em que ele aponta algumas das características do pensamento atual, quais sejam o positivismo, o pragmatismo e o historicismo. &#8211; <a href="http://traducoesgratuitas.blogspot.com/2009/12/xavier-zubiri-nossa-situacao.html" rel="nofollow">http://traducoesgratuitas.blogspot.com/2009/12/xavier-zubiri-nossa-situacao.html</a></p>
<p>Ora, mesmo os homens que procuram descobrir a verdade através de sua fé têm dificuldades de interpretar o mundo em que estão inseridos de forma diferente do esquema moderno. Acho que boa parte dessa deficiência se deve à falta um modelo próximo, o que mostra o quão grave é a falência de boa parte dos homens de nossa Igreja. É muito complicado para um indivíduo comum acreditar que a vida espiritual é algo real, quando grande parte dos sacerdotes, que deveriam cuidar do espírito, dão mostras de um materialismo que faria enrubescer o Tio Patinhas. Mas não quero falar mal desses caras aqui porque já tratamos disso em outras ocasiões.</p>
<p>Acredito que, para apresentar a religião novamente como um caminho válido para a Verdade, seja preciso uma certa libertação do discurso moderno, que tenta embrulhar todos os aspectos da vida em seu domínio. E isso, infelizmente, passa por desconstruir o que há de falso no alcance do cientificismo e do subjetivismo. Mais que desconstruir, é preciso mostrar essa desconstrução, fazer propaganda disso, por exemplo, enfatizando nas escolas as consequências reais dos falsos milagres prometidos por cientistas, relativistas e materialistas: a redução da experiência de vida do ser humano pleno, a alienação da realidade da realidade, o ensimesmamento do pensamento, a solidão coletiva dissolvida nas relações artificiais e descompromissadas entre as pessoas, a banalização e a falta de gosto pela vida excelente, e, claro, a enorme quantidade de homicídios.</p>
<p>Quanto à Verdade de Cristo, uma vez tirada a venda, não é difícil de enxergá-la. A Teologia se desenvolveria muito fácil e naturalmente num mundo que estivesse disposto, pelo menos, a ver a religião como um fundamento da própria existência. </p>
<p>Mas acho que se trata de um processo longo, porque pressupõe uma mudança cultural. E, como não sou um revolucionário gramsciano (mentira, claro; ainda quero formar minha célula comuna), não pretendo que se deva impor essa mudança às pessoas. Isso é coisa para Deus controlar. Acho, sim, que aqueles que desejam contribuir de alguma forma com a disseminação da Filosofia e da Teologia cristãs devem tentar, antes de tudo, transformar suas vidas no principal meio de convencimento que possuem, o que já me parece bastante difícil. O lixo moderno já fez muito mal com essas estórias de separar a vida prática do pensamento teórico e de descartar a busca pelo transcendente, e acho que são erros que devemos evitar. Com seus exemplos, os cristãos dariam a melhor contribuição que podem. O que faltam são modelos em que as pessoas possam se espelhar e imitar.</p>
<p>Agora, vou tomar um café metafísico&#8230; ;o) Abração!! E vamos continuar essa discussão, porque a Filosofia real é um modo de vida, e não apenas livros escritos. ;o) Conversando, nós exercitamos um hábito intermediário entre o pensar e o agir e, quem sabe?, com o tempo, chegamos à virtude prática&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>By: eduardo teixeira</title>
		<link>http://www.gabrielferreira.com.br/index.php/algumas-consideraes-sobre-as-perspectivas-atuais-da-teologia-e-da-filosofia-da-religio/comment-page-1/#comment-490</link>
		<dc:creator>eduardo teixeira</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 13:50:11 +0000</pubDate>
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		<description>As considerações do artigo me remetem a uma certa flacidez da atitude cristã pensante acerca da validade da fé no campo intelectual e, ainda mais importante, numa dimensão mais englobante da inserção da fé num mundo des-teizado, se é que posso assumir esse neologismo.
Assim, de fato, a tímida e anti-evangelizadora atitude de um Cristianismo avesso e envergonhado do debate atual a respeito de sua relevância para um mundo secularizado e desidratado de Deus, reflete a perda do sentido da religião cristã que não se pretende meramente apologética, mas como a indispensável abordagem à Vida, um sine qua non para que o humano se estabeleça mais humano, ou seja, fraterno, carregado de sentido e capaz de Deus que o dignifique e não permita a teratogenia do ser.
Excluir-se a Verdade equivale ao assassínio do ser em que pese o problema de se erigir uma verdade como ídolo justificante para atrocidades que todos conhecemos em nome de uma &quot;verdade&quot;. Contudo, o que tanto se critica no discurso da religião em termos de sua defesa da verdade que engendrou crimes ao longo da história, não parece ser a mesma crítica dirigida aos aiatolás da ciência despidos de ética e sem qualquer referencial religioso mas que produziu lá suas atrocidades. Não foi, por exemplo, a Igreja quem inventou e detonou as armas nucleares no deserto mexicano para a desgraça dos japoneses...</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>As considerações do artigo me remetem a uma certa flacidez da atitude cristã pensante acerca da validade da fé no campo intelectual e, ainda mais importante, numa dimensão mais englobante da inserção da fé num mundo des-teizado, se é que posso assumir esse neologismo.<br />
Assim, de fato, a tímida e anti-evangelizadora atitude de um Cristianismo avesso e envergonhado do debate atual a respeito de sua relevância para um mundo secularizado e desidratado de Deus, reflete a perda do sentido da religião cristã que não se pretende meramente apologética, mas como a indispensável abordagem à Vida, um sine qua non para que o humano se estabeleça mais humano, ou seja, fraterno, carregado de sentido e capaz de Deus que o dignifique e não permita a teratogenia do ser.<br />
Excluir-se a Verdade equivale ao assassínio do ser em que pese o problema de se erigir uma verdade como ídolo justificante para atrocidades que todos conhecemos em nome de uma &#8220;verdade&#8221;. Contudo, o que tanto se critica no discurso da religião em termos de sua defesa da verdade que engendrou crimes ao longo da história, não parece ser a mesma crítica dirigida aos aiatolás da ciência despidos de ética e sem qualquer referencial religioso mas que produziu lá suas atrocidades. Não foi, por exemplo, a Igreja quem inventou e detonou as armas nucleares no deserto mexicano para a desgraça dos japoneses&#8230;</p>
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