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Artigo Pastoreando – 4

May 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja

Na edição passada, fizemos algumas considerações sobre a catequese, seu sentido e sua importância profunda. A partir desta edição do Pastoreando, vamos iniciar um comentário sobre os conteúdos da catequese.

Durante a história da Igreja tais conteúdos foram reunidos, com fins pedagógicos, em catecismos, isto é, em pequenos escritos, como a Didaché ou em volumes grandes como o Catecismo de Trento ou Romano. Merece ainda menção especial o belíssimo catecismo elaborado pelo papa S. Pio X, já em nossos tempos. Atualmente, temos o Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo papa João Paulo II a partir da motivação advinda do Concílio Vaticano II.

Tal como é organizado hoje, o Catecismo da Igreja é composto de 4 partes que, se não pretendem esgotar todo o conhecimento possível sobre o que crê a Igreja, querem dar conta do básico que todo fiel deve conhecer para bem vivenciar a sua fé, a saber, são: a explicitação da nossa Profissão de Fé (o Credo que rezamos na missa), a exposição da doutrina sobre os sacramentos e a Sagrada Liturgia, a reflexão sobre o agir cristão a partir dos Dez Mandamentos e, por fim, a oração cristã na reflexão e exposição sobre o Pai-Nosso. Como já podemos perceber, estão aí presentes as dimensões principais da vida da Igreja e, portanto, da nossa.

A primeira parte, o Credo, divide-se por sua vez em 12 artigos. A Tradição, que credita o símbolo que comumente usamos aos Apóstolos (por isso chamado “Símbolo Apostólico”), por vezes se refere a tal divisão como sendo originária do fato de que cada um dos apóstolos teria sido responsável pela proposição de um dos artigos (como Pseudo-Agostinho, Rufinus e mesmo Santo Ambrósio). Independentemente da confecção, está aí uma das mais antigas coleções de teses nas quais a Igreja de Cristo crê. São os doze artigos:

1. Creio em Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;

2. E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor;

3. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria;

4. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;

5. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;

6. Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso;

7. Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;

8. Creio no Espírito Santo;

9. Na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos;

10. Na remissão dos pecados;

11. Na ressurreição da carne;

12. Na vida eterna. Amém.

Assim, para começar, a partir da próxima edição vamos comentar e refletir, ainda que brevemente, sobre cada um dos artigos.

Um abraço.

Gabriel Ferreira







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Para que sejam um

May 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Vídeos

 

Em 28 de junho de 2008, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI celebrou a Santa Missa tendo ao lado o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

 

O vídeo apresenta os instantes finais da celebração e dispensa maiores comentários.

 







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Naturalmente ecumênico ou naturalmente herético?

May 27th, 2009 | 12 Comentários | Postado em Igreja, Vídeos

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Vamos começar do começo:

 

Can. 751: Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela. (Código de Direito Canônico).

 

Agora aos fatos sobre o Pe. Fábio de Melo:

 

 

 

 

 

Atenção para as pérolas:

se nós somos cristãos, não importa que você seja evangélico, que eu seja católico…não importa! O que importa é que a gente descubra o essencial que Jesus nos ensina.” (aos 4 min, + ou -)

Eu não vou ficar dizendo: “a sua religião está errada, a minha está certa… Não!” (aos 5 min, + ou -)

É igual a gente querer evangelizar os índios, que as vezes tem uma vida muito mais saudável do que nós, uma vida muito mais divina do que nós!” (aos 3:20 da 2ª parte)

“…ah, aquela pessoa se converteu ao protestantismo, que pena! Peraí…se aquilo que ela está acreditando faz bem ao coração dela, se Deus está ali presente, se Jesus está agindo mais no coração dela através da voz do pastor do que da minha, vamos dar graças a Deus que ela encontrou um pastor que falasse ao coração dela.” (aos 3:50 +ou – da 2ª parte)

 

E ele se denomina “naturalmente ecumênico”…

 

Para entender as origens dessas tolices, veja este post.

 

A partir daqui.







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Carlos MInc, AIDS, Homofobia, Papa e burrice

May 21st, 2009 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa

 

Dá até desânimo, mas vamos lá. Notícia do dia 18 de maio: Minc critica a Igreja ao lançar conselho LGBT. Há muito tempo em que não leio tanta besteira em tão poucas linhas. Diz o gênio:

"Tem alguns momentos em que a Igreja erra feio. Um deles é a questão da camisinha. Se a gente fosse atrás da Igreja, quantas pessoas não estariam doentes?", discursou o ministro, em meio a aplausos da plateia.

A platéia aplaude porque é só o que sabe fazer. Se a platéia e o ministro soubessem também pensar, iriam se dar conta da estupidez sem tamanho que incensam. Sabe o que diz “a Igreja”?:

§2337 A vocação à castidade A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher.

§2362 "Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido." A sexualidade é fonte de alegria e de prazer:

O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa.  (Catecismo da Igreja Católica)

Mais do que jamais poderiam conceber o ministro e seus ouvintes, a Igreja trata o sexo como ato extremamente digno, prazeroso e muito profundo. Justamente por isso deve estar cercado de cuidado e respeito. Portanto, senhor ministo falastrão, se “a gente fosse atrás da Igreja”, problemas derivados da sexualidade simplesmente não existiriam. É um ato de extremada ignorância e falta de honestidade intelectual proferir tais estultices perante uma platéia absolutamente condicionada e ignorante e, esta sim, preconceituosa em relação ao que diz a Igreja.

Mas o ministro populista continua:

"Outra questão é a da homofobia. Como é que uma religião pode dizer que é fraterna e solidária com todos se pressiona os parlamentares a não aprovarem a lei que criminaliza a homofobia?", indagou, em seguida, o ministro. Para ele, quem cria obstáculos à aprovação do projeto de lei "é corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários". Segundo Minc, 3 mil pessoas morreram no País em dez anos por causa de crimes homofóbicos.

Obviamente a questão é dupla (mas só quem sabe pensar é que acompanha. Caso diferente daquele do ministro):

1. Sobre a lei: Quando se refere à lei, o ministro está se referindo ao Projeto de Lei 122/2006, que tem por objetivo “coibir a discriminação de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.

Ora, eu desafio qualquer crítco da Igreja a apontar algum comentário ou posicionamento oficial da mesma, que propugne a violência ou a descriminação por conta de homossexualidade. Ao contrário, como vou apontar no segundo item, a Igreja professa em documentos públicos e oficiais, vertidos para inúmeros idiomas, que homossexuais devem ser respeitados e acolhidos pois são seres humanos e filhos de Deus como toda criatura humana.

Aquilo a que a Igreja se opõe firmemente são as derivações de tal lei, a partir de artigos redigidos por alguém que simplesmente não sabe escrever. Há lá coisas do tipo:

Art. 20. § 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Se você é um pouquinho esperto, perceberá que a Igreja estará incorrendo em crime ao reprovar ética, filosófica e teologicamente a prática homossexual como pecado. Assim como qualquer um que se manifeste ainda que teoricamente sua discordância. Fala-se ainda em punição por recusa de fornecimento de bens etc. (alguém pensou aí na Eucaristia?). O que ocorre é que  lei é problemática. E pelo amor de Deus vamos parar de utilizar a palavra “homofobia”. Não se trata de medo ou aversão, mas de um posicionamento contrário. Daqui a pouco os direitistas vão ser acusados de “sinistrofobia” ou coisa que o valha. Criminalizar posicionamento teórico é absurdo em sua própria natureza.

2. Sobre o que diz a Igreja: Vamos direto ao que diz a Igreja:

§2357 CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

§2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Renovo o desafio de que se encontre algum posicionamento oficial da Igreja que vá em sentido contrário ao explícito acima. O que ocorre é que os críticos da Igreja têm um discurso antropológico absolutamente acrítico e inconsistente que nem sequer consegue estabeler bases minimamente sólidas para a construção da idéia de sexualidade como em processo. Chamar a Igreja de “homofóbica” é, como costumo dizer, ou ignorância ou má-fé.







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A política como ciência primeira – II

May 14th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

 

O texto abaixo começou como uma resposta ao comentário do meu amigo Carlo sobre o post anterior (leia na caixa de comentários correspondente), mas tomou proporções maiores. Enfim, está aí para que continuemos a conversa:

* * *

De fato, suas considerações são importantes e mesmo sua dúvida ao final realmente eleva a discussão a um nível superior – que diga-se de passagem, já está acima daqueles que tem na política a causa primeira do real.

Visto a partir do ponto de vista do duplo plano de ação no qual o Papa e a Igreja se inserem, realmente não há nenhum problema em se predicar "política" de "Igreja". Mas o perigoso é quando "Política" faz o papel de primeiro motor ou explicação última das ações da Igreja. Ora, ela se define justamente por ter sua preocupação última para além da esfera das ações humanas. É "para fazer Ó Deus, a tua vontade" (Hb. 10,9) que ela existe.

Assim, repito: dizer que as ações do papa e da Igreja têm sua dimensão política é, sobretudo na acepção grega e mais forte dessa palavra, óbvio. O problema surge quando se propõe que toda a explicação para suas ações estão submissas à dimensão política, o que é, também obviamente, falso. É esse o sentido do título do post: para Aristóteles a “filosofia ou sabedoria primeira” é a metafísica; dito de outro modo, o conhecimento das causas primeiras. Substituir a causa primeira da Igreja por uma de viés essencialmente político: é aí que começa o problema.

Tal afirmação não condiz nem com os fatos recentes: a tão aclamada impopularidade de Bento XVI (sobretudo em vista da comparação sempre infeliz com João Paulo II). Se os objetivos últimos fossem políticos no sentido que você mesmo aponta de "Habilidade no agir e no tratar, tendo em vista a obtenção de algo; Diplomacia”, o Papa e a Igreja estaria falhando catastroficamente. Mas como o papa se vê na função de um mensageiro cuja excelência no serviço é entregar a intacta a mensagem de quem o enviou, não pode se render ao sentido comum de simples "diplomacia". A Igreja desagrada na medida mesma em que não se rende a fazer, essencialmente, política.

Novamente, colocar em relevo a dimensão política de sua prática como paradigma último de ação, como em geral fizeram alguns blogueiros por esses dias é, no mínimo, desconhecer a Igreja e, inclusive, estar fora do universo das últimas notícias. Apenas como mote para outras conversas, tal erro pode ser encontrado também no seio da Teologia da Libertação, fonte de erro crasso.

 

Abraços.







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A Política como Ciência Primeira

May 11th, 2009 | 4 Comentários | Postado em Blogs, Igreja, Imprensa

Definitivamente, a política é a metafísica dos papajordaniaincapazes de contemplação, no sentido grego da palavra. Para alguns a última esfera de explicação do real ou, dito de outro modo, a ciência das causas primeiras de tudo aquilo que é, para certas pessoas, a política.

As reações ao discurso do papa numa mesquita na Jordânia se deram, em alguns blogs, com adjetivos como “palhaço” e “cara-de-pau”. É no mínimo curioso acusar o alguém que professa publicamente que a realidade última das coisas não é a humana e, portanto, não pode ser política, de ser, justamente, estritamente político. Há aí algo de uma projeção da limitação cognitiva e contemplativa dos que fazem esse discurso, sobre os ombros do papa. Exatamente o papa que opta por discursos que causam pavores e reações exacerbadas, algo totalmente contrário a qualquer tentativa de manipulação política (ou seria uma nova tática de angariar apoios, concessões e pactos políticos através do despertar do ódio?).

O que ocorre é que o papa e seus críticos partem de pressupostos diferentes e, obviamente, chegam em respostas e conclusões irreconciliáveis. Mas só o papa sabe disso.







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Pequenas notícias

May 7th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Imprensa

Caríssimos. Sei que estou um tanto distante, mas pretendo voltar com mais fôlego ao blog. Por ora, dêem uma olhada neste post do excelente Fratres in Unun, com uma recolha de algumas noticias calamitosas.







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