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Ecumenismo, diálogo inter-religioso e a missão da Igreja

March 30th, 2009 | 3 Comentários | Postado em Filosofia, Igreja

 

A acreditarmos no Magistério da Igreja, tal como exposto na Dominus Iesus, a gênese da Igreja se dá como se segue:

1. O Senhor Jesus, antes de subir ao Céu, confiou aos seus discípulos o mandato de anunciar o Evangelho a todo o mundo e de baptizar todas as nações: « Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a todas as criaturas. Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado » (Mc 16,15-16); « Todo o poder Me foi no céu e na terra. Ide, pois, fazer discípulos de todas as nações, baptizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinai-lhes a cumprir tudo quanto vos mandei. E Eu estou sempre convosco, até ao fim dos tempos » (Mt 28,18-20; cf. ainda Lc 24,46-48; Jo 17,18; 20,21; Actos 1,8).

A missão universal da Igreja nasce do mandato de Jesus Cristo e realiza-se, através dos séculos, com a proclamação do mistério de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, e do mistério da encarnação do Filho, como acontecimento de salvação para toda a humanidade.

Portanto, a Igreja é, essencialmente, missionária e tem como finalidade a conversão (metanóia) dos que não crêem no Cristo. Contudo, em uma entrevista recente D. Bernard Fellay faz uma terrível constatação: a Igreja tem abandonado seu dever de pregar a conversão. Há aqui vários elementos a serem propostos em uma reflexão séria:

 

1. Com base no processo de crescente subjetivação da posição religiosa, atualmente um discurso que pregue não só a existência de um valor de verdade absoluto mas que o arrogue para si é imediatamente desqualificado como possivelmente verdadeiro. O que surge é quase um axioma a partir de um paradoxo: um discurso que pregue a existência da verdade absoluta é, ipso facto, falso. Ora, mas é exatamente este o ponto de partida do conceito de Conversão. O núcleo da necessidade de se aderir ao Cristo e à sua Igreja é a realidade objetiva da Verdade que com a pessoa de Cristo se faz um só (Jo 14,6).

 

2.  Desse modo, há uma postulação, também ipso facto, da absoluta equivalência entre todas as religiões a partir do Princípio de Imanência: se a religião tem como fundamento último um sentimento religioso e cada sentimento ou representação só pode ter um portador, segue-se que a religiosidade só é acessível por seu próprio portador o que inviabiliza totalmente a comunidade de objeto necessária para uma comparação de valores de verdade. Com isso, cai por terra, novamente, a idéia de Conversão.

 

3. Contudo, a Igreja não pode aceitar nem teológica nem filosoficamente tais princípios e pontos de partida. Daí advém o choque severo com a modernidade (cf. Pascendi Dominici Gregis). Mas por que então o élan para converter estaria se esvaindo?

 

Apenas para o estabelecimento de certos pontos a serem retomados posteriormente, dos quais podemos tirar algumas conclusões.







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Luiz Felipe Pondé – A escolha

March 23rd, 2009 | 6 Comentários | Postado em Filosofia, Igreja, Imprensa

 

Coluna de hoje, 23/03. Leitura obrigatória para quem quiser tomar parte no debate de forma séria (e não ao molde dos diletantes que palpitam por aqui aos montes). Chamo atenção para as referências ao iluminismo e convido à leitura do post imediatamente anterior.

TEMA DURO esse da menina estuprada em Pernambuco. O debate sobre aborto é difícil porque reúne forças sociais antagônicas. Os pró-aborto são tão duros quanto os católicos: é um diálogo de surdos. As crenças que alimentam a posição católica são nulas para os não-crentes.

Para os antiaborto, legalizar o aborto é legalizar uma forma de homicídio. Seria você menos radical se visse seu país tornar prática legítima um tipo de homicídio? Por outro lado, seria você menos radical se visse os religiosos te proibirem de se livrar de um problema (o feto) somente porque eles creem em algo que você não crê?

A violência dos pró-aborto vem da relação entre aborto e liberdade: proibir o aborto é tornar a mulher presa da mecânica reprodutiva. Sem precisar ir fundo na filosofia latente nessa posição, é evidente a negação da humanidade do feto nesse caso. O feto não seria mais do que um punhado de células.

Daí todo o infeliz debate acerca de uma definição "científica" da vida: os pró-aborto precisam se resguardar numa definição "científica" do que não seja humano (ou seja, desumanizar o feto) para não serem vistos como exterminadores de vítimas indefesas.

Do ponto de vista do Estado laico, legalizar o aborto pode ser visto apenas como um ato dentro do princípio político de tolerância, no qual o Estado "passa a bola" para o indivíduo e suas instâncias sociais: as pessoas que decidam, quem julgar "crime" não faça, quem não julgar "crime" que faça. Evidente que para os antiaborto, esse passo não é tolerante para com a vítima (o feto), que não tem voz ativa no processo. A própria ideia de crime de fato já desapareceu. De novo, seria como deixar ao assassino a decisão livre de matar ou não.

Outro fato que torna esse debate viciado é o preconceito contra a Igreja Católica, aliás, o único preconceito aceito pelos "inteligentes". Daí o desfile de expressões banais como "Inquisição", "Idade Média" ou "trevas". Puro senso comum. A igreja não é estúpida. Estúpido é quem pensa que ela o seja. Sua herança de 2.000 anos atesta a vida de uma instituição que soube atravessar séculos frequentando todas as trincheiras do mundo.

Para os pró-aborto, a máxima iluminista "O mundo só terá paz quando o último rei for enforcado nas tripas do último papa" continua sendo um princípio político. Infelizmente, grande parte dos estudos "científicos" sobre a Igreja Católica sofre do mesmo preconceito banal.

A identificação medíocre dela com mera instância de opressão vicia a reflexão, principalmente porque muitos desses estudiosos partilham da mesma máxima iluminista. Ao contrário, a igreja exerce hoje um (solitário) papel essencial como instituição que relativiza as obviedades modernas, entre elas o de nos lembrar da desumanização silenciosa do feto que opera no fundo dos argumentos pró-aborto.

Mas o caso da menina em Pernambuco tem dois agravantes: o suposto risco de vida da "mãe", uma menina de nove anos, e a violência sexual por parte do padrasto. Ambos tornam o aborto legítimo perante a lei. Aqui se agrava, aos meus olhos, o ruído de grande parte do debate.
Fosse minha filha a menina de nove anos, eu não pestanejaria, faria o aborto. A ideia de ela correr risco por culpa de um canalha me levaria a fúria. Entre perder minha filha e a eliminação de dois bebês "estranhos", optaria pela eliminação dos bebês. Não usaria eufemismos. Não pediria para que me considerassem um guerreiro da luz contra as trevas nem pediria palmas. Aceitaria a culpa como parte da escolha. Fosse eu o médico envolvido no procedimento, tampouco pestanejaria. Mas não veria aí a vitória da ciência contra a religião, mas uma dura decisão num campo de batalha: qual das vítimas deve morrer?

Para além da insensibilidade do bispo e das banalidades de quem se julga um agente da luz contra as trevas, acho essencial que alguém continue repetindo, mesmo sendo enxovalhado, que em meio às agonias dos seres humanos sempre existem vítimas silenciosas.
A história está cheia de exemplos de desumanização política e "científica" a serviço do extermínio.
Logo existirão cientistas que gritarão em favor do uso de fetos abortados em pesquisa. Por que o desperdício?

De minha parte, repito, escolheria minha filha, sabendo que meu ato implicou a morte de seres inocentes, mas a paixão por minha filha me impediria o luxo de ter princípios.







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Das origens do banimento da posição religiosa

March 19th, 2009 | 10 Comentários | Postado em Filosofia, Igreja

Se acontecesse um dia chegar o cristianismo a não ser mais digno de amor, então o pensamento dominante dos homens deveria tomar a forma de rejeição e de oposição contra ele; e o anticristo [...] inauguraria o seu regime, mesmo que breve, (baseado presumivelmente sobre o medo e o egoísmo). Em seguida, porém, visto que o cristianismo, embora destinado a ser a religião universal, de facto não teria sido ajudado pelo destino a sê-lo, poderia verificar-se, sob o aspecto moral, o fim (perverso) de todas as coisas."

KANT, I. O fim de todas as coisas.

Toda vez que alguém se dispõe a falar ou escrever a partir de uma perspectiva que difere daquela da maioria, consagrada em termos como "politicamente correto", se coloca numa posição que, geralmente, não goza das mesmas prerrogativas das demais posições. Acontece aos montes e acontece bastante com a Igreja no nosso pós-iluminismo brilhante. Como já alertara Henri de Lubac, a palavra "Igreja" (sobretudo ao lado de "Católica) tem atualmente a propriedade de esvaziar qualquer discurso e arrancá-lo de toda a possibilidade de sentido. Não se lê ou escuta um crente com a mesma disponibilidade e abertura intelectual entregues a outros.

O que faço aqui, contudo, não é uma reclamação. É retomar uma críica feita por gente mais capacitada que eu e todos os leitores juntos (reconhecer o saber dos outros é o real sentido de humildade intelectual) e que nada tem de original. A questão básica é do estatuto da razão e da religião após o Iluminismo. A acreditar que Kant seja uma testemunha qualificada sobre a Aufklärung (ou não né.. já que ele era um tanto cristão…) o cerne do projeto iluminista é a conquista da maioridade como autonomia intelectual. Como aponta Kant em seu Resposta à pergunta: o que é o Iluminismo?, tal estatuto só se conquista através da repulsa do domínio intelectual e cognitivo. Kant chega a colocar no rol não só os padres e militares, mas até os médicos que decidem eles sobre a dieta de outros. Mas o que nos interessa é o ponto abaixo:

"Pus o ponto central do Iluminismo, a saída do homem da sua menoridade culpada, sobretudo nas coisas de religião, porque em relação às artes e às ciências os nossos governantes não têm interesse algum em exercer a tutela sobre os seus súbditos; por outro lado, a tutela religiosa, além de ser mais prejudicial, é também a mais desonrosa de todas."

O que ocorre a partir daí já nos é conhecido. Embora fiel aos princípios luteranos (e valdenses, que os precedem) as conclusões derivadas espalharam-se por todo o mundo. Mas a conseqüência principal é que o discurso religioso foi banido para uma esfera absolutamente privada de Razão. Sinal concludente disso é o surgimento da Teologia Liberal que tenta salvar a religião de cair em total desprestígio acomodando-a na esfera da subjetividade como sendo essencialmente um sentimento. Assim, se a religião carece de Razão, ela ainda pode se abrigar na interioridade ou foro íntimo, como queiram, como um sentimento que, por definição, não pode ser interrogado, comparado etc. Os sentimentos e representações têm um único portador o que inviabiliza uma comunhão de objeto, princípio básico para qualquer debate. Então reduz-se a religião ao sentimento religioso e salva-se seu lugar e sua legitimidade. Não é à toa que Schleiermacher acaba por escrever um livro sobre religião "para leitores cultos". A partir de então, a Schleiermacher e sua Teologia Liberal bane os dogmas, isto é, a possibilidade de verdades ou teses religiosas com validade objetiva e hoje toda criança aprende no jardim da infância quão ridículo é crer, por exemplo, que Deus criou o mundo.

É este o solo a partir do qual surgem as críticas da ingerência da posição religiosa (seja ela qual for) em questões públicas. É de tal background teórico que as duas principais teses de tais críticos são derivadas, a saber, (a) a posição religiosa carece sempre e necessariamente de estofo racional já que seu fundamento último é um sentimento que, por sua vez faz com que ela (b) sempre e necessariamente careça de valor objetivo.

 

Estou longe de querer esgotar a questão, mas devemos começar por nos perguntarmos pela legitimidade do descrédito a priori da posição religiosa. Tal legitimidade não é óbvia e é altamente questionável tanto por suas origens quanto por seus resultados.  Continuaremos depois.

 

PS: Creio não precisa reafirmar que com isso não estou querendo dizer que não deva haver separação política entre a Igreja e o Estado. Estaria indo contra a própria posição da Igreja Católica. O problema, como se pode ver, é bem outro.







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Luis Felipe Pondé – Não

March 17th, 2009 | Comente | Postado em Filosofia, Imprensa


Será o colunista de direita ou de esquerda? Cansativa essa ladainha, não? Seria ele legal?


COMO É difícil a vida de um herege. Caminhar entre as chamas ardentes do desejo (ideológico) travestido de posturas "científicas" é uma tarefa infernal. O mais fácil é falar o que todo mundo acha "legal". Mas eu, como homem de fé (mas não seria eu um pessimista que não acredita num "mundo melhor"?!) continuo a crer que as pessoas pensam no que leem, sem necessariamente concordarem comigo. Continuamos a apreciar que ardam no fogo aqueles que falam o que não gostamos, ainda que este desejo hoje passe por repúdio justificado.

Falava eu, na coluna de 2 de março, do relativismo cultural, e de sua ética festiva. Afirmações de que sou "contra" os índios foram muitas, apesar de eu dizer explicitamente que não sou contra os índios e reconhecer os absurdos de quem os julgou seres inferiores. Será o colunista de "direita" ou de "esquerda"? Cansativa essa ladainha, não? Seria ele uma pessoa legal? Teria esperanças?

Respondo a última pergunta com a frase de um amigo: "Eu tenho filhos (logo, fiz da minha esperança choro, carne, fezes e sangue)". Com isso não quero dizer que não ter filhos signifique que você não tenha esperanças, quero dizer apenas que ao tê-los, os riscos aumentam muito se você não tiver esperanças.

Combato o "mal do século" acordando cedo todo dia e falando com dezenas de pessoas de 20 a 60 anos, enfrentando os impasses da formação de seres humanos sem abraçar teorias falsas sobre "um mundo melhor é possível". Já disse antes e vou repetir: o homem faz o que pode diante da opacidade do mundo. Isso não é defender a imutabilidade das coisas (só uma alma superficial pensaria isso), é apenas assumir um lugar na história do mundo: a tragédia.

A identificação entre "otimismo" e comprometimento com a vida é coisa do marketing.

Volto hoje ao relativismo (sou um obsessivo, já perceberam?), apontando outro impasse. Há alguns dias, na Escandinávia (aquele lugar onde a humanidade deu certo porque as pessoas têm os afetos corretos, as opiniões corretas, os sexos corretos e os lixos corretos), especialistas se reuniram para debater os direitos humanos. De repente, uma ansiedade toma conta da plateia: não seriam os direitos humanos uma invenção eurocêntrica? Oh! E aí? É justo aplicá-la a todos? O problema surge quando se pergunta: e se alguma "cultura" se sentir ofendida com tais "direitos"? Uma solução seria dar às "culturas" a chance de dizer "não" ao que as agredir na sua integridade. Típica solução da ética festiva do relativismo de salão. Mas como aplicá-la? Como evitar que a ideia de direitos humanos invada a praia dos "outros"?

Vejamos. Onde acaba uma "cultura" e começa outra? Portanto, "quem" teria o direito de dizer "não"? "Quem" ou "o que" seria "uma cultura"? Quem falaria pelas "culturas"? Quem diria "não"? O presidente do país? Delegados da ONU? Xamãs? Alguma ONG?
Fundamentalistas? O "povo"?

Aquele mesmo que normalmente passa por cima de todo mundo, movido seja lá pelo que for?
E mais, que tal pensarmos em alguns "nãos"?

Não à democracia. Não à emancipação feminina, nada de mulheres estudando coisas que complicam o dia-a-dia do patriarcalismo. Não ao aborto. Não à pesquisa com células-tronco. Não à universidade laica. Não à condenação da "circuncisão feminina". Não à condenação de massacres intertribais na África (afinal, é da cultura deles se matarem, há milênios). Não à transfusão de sangue. Não à proibição de matar bebês com más formações. Não à tolerância religiosa. Não à imprensa livre (aqui talebans de todos os tipos poderiam repudiar tudo de que não gostam). Não ao homossexualismo. Não às vacinas (isso seria mais típico de quem abraça árvores). Não ao casamento interracial. Não à internet (grande risco de promiscuidade cultural). Não ao sexo fora do casamento. Não aos imigrantes estrangeiros. Não à proibição do aprisionamento de mulheres em casa. Não ao uso de camisinha. Não ao Estado laico. Não ao transplante de órgãos. Não à proibição do infanticídio praticado por alguns índios. Imagine, caro leitor, se em cem anos o Iraque tiver universidades cheias de mulheres de saia curta e sem homens mandando nelas, cafés cheios de artistas e intelectuais, aborto legal, gays fazendo filmes sobre seus heróis, democracia atuante, tribunais transparentes.

Haverá uma releitura da guerra do Iraque em alguma conferencia sobre direitos humanos?







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Voltando

March 17th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Geral

Caríssimos.

Estivemos fora do ar por alguns dias por troca de servidor. Feito isso, continuemos.

 

Abraços.







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Pequena nota

March 12th, 2009 | 2 Comentários | Postado em Igreja, Opinião

Infelizmente, estou submerso em trabalho o que impossibilita uma aproxima??o mais cuidadosa em rela??o aos coment?rios do post ?Sobre as Excomunh?es?. Contudo, ao l?-los, identifiquei l?, para al?m de um tanto de ignor?ncia, problemas ligados ? leitura de um texto (como n?o perceber ? qual palavra um adjetivo est? ligado numa ora??o) e m?-f?, algumas id?ias que merecem ser retomadas para futuros coment?rios detalhados, como sobre a jurisdi??o territorial (que sim, a Igreja tem moeda e, inclusive, ex?rcito que defende suas fronteiras e seus ?governantes?), ou ainda da perten?a ? Igreja pelo batismo (de todos aqueles que escolheram ser cidad?os brasileiros, estudar quando pequenos e jamais se escandalizaram pelo zelo dos pais em mat?ria de educa??o mas que fazem do ser batizado quando crian?a uma coisa inaceit?vel), ou ainda a esquizofrenia ideol?gica propugnada por vezes, na qual o sujeito pode ser cat?lico no foro ?ntimo e deve ser ateu em foro p?blico e a curiosa g?nese do monote?smo?

 

Estou abrindo espa?o exatamente para a discuss?o s?ria (que ignora ?achismos? e ofensas pessoais) e que parte do cerne da racionalidade para um discurso articulado, l?gico e justamente por isso, critic?vel. Estejam ? vontade para isso.

 

PS: Posto assim que poss?vel coment?rios dos coment?rios.







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Carta do Papa aos Bispos

March 12th, 2009 | Comente | Postado em Igreja

 

brasaobentoXVI

CARTA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
AOS BISPOS DA IGREJA CAT?LICA
A PROP?SITO DA REMISS?O DA EXCOMUNH?O
AOS QUATRO BISPO CONSAGRADOS
PELO ARCEBISPO LEFEBVRE

Amados Irm?os no minist?rio episcopal!

A remiss?o da excomunh?o aos quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa S?, por variadas raz?es suscitou, dentro e fora da Igreja Cat?lica, uma discuss?o de tal veem?ncia como desde h? muito tempo n?o se tinha experi?ncia. Muitos Bispos sentiram-se perplexos perante um facto que se verificou inesperadamente e era dif?cil de enquadrar positivamente nas quest?es e nas tarefas actuais da Igreja. Embora muitos Bispos e fi?is estivessem, em linha de princ?pio, dispostos a considerar positivamente a decis?o do Papa pela reconcilia??o, contra isso levantava-se a quest?o acerca da conveni?ncia de semelhante gesto quando comparado com as verdadeiras urg?ncias duma vida de f? no nosso tempo. Ao contr?rio, alguns grupos acusavam abertamente o Papa de querer voltar atr?s, para antes do Conc?lio: desencadeou-se assim um avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais al?m do momento. Por isso senti-me impelido a dirigir-vos, amados Irm?os, uma palavra esclarecedora, que pretende ajudar a compreender as inten??es que me guiaram a mim e aos ?rg?os competentes da Santa S? ao dar este passo. Espero deste modo contribuir para a paz na Igreja.

Uma contrariedade que eu n?o podia prever foi o facto de o caso Williamson se ter sobreposto ? remiss?o da excomunh?o. O gesto discreto de miseric?rdia para com quatro Bispos, ordenados v?lida mas n?o legitimamente, de improviso apareceu como algo completamente diverso: como um desmentido da reconcilia??o entre crist?os e judeus e, consequentemente, como a revoga??o de quanto, nesta mat?ria, o Conc?lio tinha deixado claro para o caminho da Igreja. E assim o convite ? reconcilia??o com um grupo eclesial implicado num processo de separa??o transformou-se no seu contr?rio: uma aparente invers?o de marcha relativamente a todos os passos de reconcilia??o entre crist?os e judeus feitos a partir do Conc?lio ? passos esses cuja adop??o e promo??o tinham sido, desde o in?cio, um objectivo do meu trabalho teol?gico pessoal. O facto de que esta sobreposi??o de dois processos contrapostos se tenha verificado e que durante algum tempo tenha perturbado a paz entre crist?os e judeus e mesmo a paz no seio da Igreja, posso apenas deplor?-lo profundamente. Disseram-me que o acompanhar com aten??o as not?cias ao nosso alcance na internet teria permitido chegar tempestivamente ao conhecimento do problema. Fica-me a li??o de que, para o futuro, na Santa S? deveremos prestar mais aten??o a esta fonte de not?cias. Fiquei triste pelo facto de inclusive cat?licos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virul?ncia de lan?a em riste. Por isso mesmo sinto-me ainda mais agradecido aos amigos judeus que ajudaram a eliminar prontamente o equ?voco e a restabelecer aquela atmosfera de amizade e confian?a que, durante todo o per?odo do meu pontificado ? tal como no tempo do Papa Jo?o Paulo II ?, existiu e, gra?as a Deus, continua a existir.

Outro erro, que lamento sinceramente, consiste no facto de n?o terem sido ilustrados de modo suficientemente claro, no momento da publica??o, o alcance e os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. A excomunh?o atinge pessoas, n?o institui??es. Um ordena??o episcopal sem o mandato pontif?cio significa o perigo de um cisma, porque p?e em quest?o a unidade do col?gio episcopal com o Papa. Por isso a Igreja tem de reagir com a puni??o mais severa, a excomunh?o, a fim de chamar as pessoas assim punidas ao arrependimento e ao regresso ? unidade. Passados vinte anos daquelas ordena??es, tal objectivo infelizmente ainda n?o foi alcan?ado. A remiss?o da excomunh?o tem em vista a mesma finalidade que pretende a puni??o: convidar uma vez mais os quatro Bispos ao regresso. Este gesto tornara-se poss?vel depois que os interessados exprimiram o seu reconhecimento, em linha de princ?pio, do Papa e da sua potestade de Pastor, embora com reservas em mat?ria de obedi?ncia ? sua autoridade doutrinal e ? do Conc?lio. E isto traz-me de volta ? distin??o entre pessoa e institui??o. A remiss?o da excomunh?o era um provimento no ?mbito da disciplina eclesi?stica: as pessoas ficavam libertas do peso de consci?ncia constitu?do pela puni??o eclesi?stica mais grave. ? preciso distinguir este n?vel disciplinar do ?mbito doutrinal. O facto de a Fraternidade S?o Pio X n?o possuir uma posi??o can?nica na Igreja n?o se baseia, ao fim e ao cabo, em raz?es disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade n?o tiver uma posi??o can?nica na Igreja, tamb?m os seus ministros n?o exercem minist?rios leg?timos na Igreja. Por conseguinte, ? necess?rio distinguir o n?vel disciplinar, que diz respeito ?s pessoas enquanto tais, do n?vel doutrinal em que est?o em quest?o o minist?rio e a institui??o. Especificando uma vez mais: enquanto as quest?es relativas ? doutrina n?o forem esclarecidas, a Fraternidade n?o possui qualquer estado can?nico na Igreja, e os seus ministros ? embora tenham sido libertos da puni??o eclesi?stica ? n?o exercem de modo leg?timo qualquer minist?rio na Igreja.

? luz desta situa??o, ? minha inten??o unir, futuramente, a Comiss?o Pontif?cia ?Ecclesia Dei? ? institui??o competente desde 1988 para as comunidades e pessoas que, sa?das da Fraternidade S?o Pio X ou de id?nticas agrega??es, queiram voltar ? plena comunh?o com o Papa ? ? Congrega??o para a Doutrina da F?. Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, s?o de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo ? aceita??o do Conc?lio Vaticano II e do magist?rio p?s-conciliar dos Papas. Os organismos colegiais pelos quais a Congrega??o estuda as quest?es que se lhe apresentam (especialmente a habitual reuni?o dos Cardeais ?s quartas-feiras e a Plen?ria anual ou bienal) garantem o envolvimento dos Prefeitos de v?rias Congrega??es romanas e dos representantes do episcopado mundial nas decis?es a tomar. N?o se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Conc?lio, deve tamb?m ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a hist?ria doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Conc?lio, deve aceitar a f? professada no decurso dos s?culos e n?o pode cortar as ra?zes de que vive a ?rvore.

Dito isto, espero, amados Irm?os, que tenham ficado claros tanto o significado positivo como os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. Mas resta a quest?o: Tal provimento era necess?rio? Constitu?a verdadeiramente uma prioridade? N?o h? porventura coisas muito mais importantes? Certamente existem coisas mais importantes e mais urgentes. Penso ter evidenciado as prioridades do meu Pontificado nos discursos que pronunciei nos seus prim?rdios. Aquilo que disse ent?o permanece inalteradamente a minha linha orientadora. A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cen?culo, de maneira inequivoc?vel: ?Tu (?) confirma os teus irm?os? (Lc 22, 32). O pr?prio Pedro formulou, de um modo novo, esta prioridade na sua primeira Carta: ?Estai sempre prontos a responder (?) a todo aquele que vos perguntar a raz?o da esperan?a que est? em v?s? (1 Ped 3, 15). No nosso tempo em que a f?, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que j? n?o recebe alimento, a prioridade que est? acima de todas ? tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. N?o a um deus qualquer, mas ?quele Deus que falou no Sinai; ?quele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado at? ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa hist?ria ? que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orienta??o, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na B?blia: tal ? a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequ?ncia l?gica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De facto, a sua desuni?o, a sua contraposi??o interna p?e em d?vida a credibilidade do seu falar de Deus. Por isso, o esfor?o em prol do testemunho comum de f? dos crist?os ? em prol do ecumenismo ? est? inclu?do na prioridade suprema. A isto vem juntar-se a necessidade de que todos aqueles que cr?em em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos ? embora na diversidade das suas imagens de Deus ? para a fonte da Luz: ? isto o di?logo inter-religioso. Quem anuncia Deus como Amor levado ?at? ao extremo? deve dar testemunho do amor: dedicar-se com amor aos doentes, afastar o ?dio e a inimizade, tal ? a dimens?o social da f? crist?, de que falei na Enc?clica Deus caritas est.

Em conclus?o, se o ?rduo empenho em prol da f?, da esperan?a e do amor no mundo constitui neste momento (e, de formas diversas, sempre) a verdadeira prioridade para a Igreja, ent?o fazem parte dele tamb?m as pequenas e m?dias reconcilia??es. O facto que o gesto submisso duma m?o estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contr?rio duma reconcilia??o ? um dado que devemos registar. Mas eu pergunto agora: Verdadeiramente era e ? errado ir, mesmo neste caso, ao encontro do irm?o que ?tem alguma coisa contra ti? (cf. Mt 5, 23s) e procurar a reconcilia??o? N?o deve porventura a pr?pria sociedade civil tentar prevenir as radicaliza??es e reintegrar os seus eventuais aderentes ? na medida do poss?vel ? nas grandes for?as que plasmam a vida social, para evitar a segrega??o deles com todas as suas consequ?ncias? Poder? ser totalmente errado o facto de se empenhar na dissolu??o de endurecimentos e de restri??es, de modo a dar espa?o a quanto nisso haja de positivo e de recuper?vel para o conjunto? Eu mesmo constatei, nos anos posteriores a 1988, como, gra?as ao seu regresso, se modificara o clima interno de comunidades antes separadas de Roma; como o regresso na grande e ampla Igreja comum fizera de tal modo superar posi??es unilaterais e abrandar inflexibilidades que depois resultaram for?as positivas para o conjunto. Poder? deixar-nos totalmente indiferentes uma comunidade onde se encontram 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 semin?rios, 88 escolas, 2 institutos universit?rios, 117 irm?os, 164 irm?s e milhares de fi?is? Verdadeiramente devemos com toda a tranquilidade deix?-los andar ? deriva longe da Igreja? Penso, por exemplo, nos 491 sacerdotes: n?o podemos conhecer toda a trama das suas motiva??es; mas penso que n?o se teriam decidido pelo sacerd?cio, se, a par de diversos elementos vesgos e combalidos, n?o tivesse havido o amor por Cristo e a vontade de anunci?-Lo e, com Ele, o Deus vivo. Poderemos n?s simplesmente exclu?-los, enquanto representantes de um grupo marginal radical, da busca da reconcilia??o e da unidade? E depois que ser? deles?

? certo que, desde h? muito tempo e novamente nesta ocasi?o concreta, ouvimos da boca de representantes daquela comunidade muitas coisas dissonantes: sobranceria e presun??o, fixa??o em pontos unilaterais, etc. Em abono da verdade, devo acrescentar que tamb?m recebi uma s?rie de comoventes testemunhos de gratid?o, nos quais se vislumbrava uma abertura dos cora??es. Mas n?o deveria a grande Igreja permitir-se tamb?m de ser generosa, ciente da concep??o ampla e fecunda que possui, ciente da promessa que lhe foi feita? N?o deveremos n?s, como bons educadores, ser capazes tamb?m de n?o reparar em diversas coisas n?o boas e diligenciar por arrastar para fora de mesquinhices? E n?o deveremos porventura admitir que, em ambientes da Igreja, tamb?m surgiu qualquer disson?ncia? ?s vezes fica-se com a impress?o de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual n?o conceda qualquer toler?ncia, contra o qual seja poss?vel tranquilamente arremeter-se com avers?o. E se algu?m ousa aproximar-se do mesmo ? do Papa, neste caso ? perde tamb?m o direito ? toler?ncia e pode de igual modo ser tratado com avers?o sem temor nem dec?ncia.

Amados Irm?os, nos dias em que me veio ? mente escrever-vos esta carta, deu-se o caso de, no Semin?rio Romano, ter de interpretar e comentar o texto de Gal 5, 13-15. Notei com surpresa o car?cter imediato com que estas frases nos falam do momento actual: ?N?o abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao servi?o uns dos outros, porque toda a lei se resume nesta palavra: Amar?s o teu pr?ximo como a ti mesmo. Se v?s, por?m, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em n?o vos destruirdes uns aos outros?. Sempre tive a propens?o de considerar esta frase como um daqueles exageros ret?ricos que ?s vezes se encontram em S?o Paulo. E, sob certos aspectos, pode ser assim. Mas, infelizmente, este ?morder e devorar? existe tamb?m hoje na Igreja como express?o duma liberdade mal interpretada. Porventura ser? motivo de surpresa saber que n?s tamb?m n?o somos melhores do que os G?latas? Que pelo menos estamos amea?ados pelas mesmas tenta??es? Que temos de aprender sempre de novo o recto uso da liberdade? E que devemos aprender sem cessar a prioridade suprema: o amor? No dia em que falei disto no Semin?rio Maior, celebrava-se em Roma a festa de Nossa Senhora da Confian?a. De facto, Maria ensina-nos a confian?a. Conduz-nos ao Filho, de Quem todos n?s podemos fiar-nos. Ele guiar-nos-?, mesmo em tempos turbulentos. Deste modo quero agradecer de cora??o aos numerosos Bispos que, neste per?odo, me deram comoventes provas de confian?a e afecto, e sobretudo me asseguraram a sua ora??o. Este agradecimento vale tamb?m para todos os fi?is que, neste tempo, testemunharam a sua inalter?vel fidelidade para com o Sucessor de S?o Pedro. O Senhor nos proteja a todos n?s e nos conduza pelo caminho da paz. Tais s?o os votos que espontaneamente me brotam do cora??o neste in?cio da Quaresma, tempo lit?rgico particularmente favor?vel ? purifica??o interior, que nos convida a todos a olhar com renovada esperan?a para a meta luminosa da P?scoa.

Com uma especial B?n??o Apost?lica, me confirmo

Vosso no Senhor

BENEDICTUS PP. XVI

Vaticano, 10 de Mar?o de 2009.







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Sobre Excomunhões

March 8th, 2009 | 23 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa, Opinião

Creio que todos que leem esse blog dispensam maiores explicitações sobre os argumentos referentes à excomunhão dos envolvidos diretamente no aborto da pobre menina estuprada. Mas chegamos a um ponto onde os limites já foram rompidos. Sinceramente, tenho medo do que há por vir.

Um parvo blogueiro do Terra, que assina como “jurista e professor” regurgitou este post.

Como de costume, por falta de paciência vou me ater àquilo que julgo primordial na “brilhante” análise do “jurista e professor”.

1. Vamos, pelo amor de Deus, deixar claro o que é uma excomunhão: ? a supressão dos direitos de participar de plena (ou parcial) comunhão com a Igreja, que se manifesta pela interdição da recepção de sacramentos e de ser admitido a funções eclesiásticas e similares.

Cân. 1398. Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae.

A definição de excomunhão latae sententiae é aquela que recai sobre o sujeito de uma ação prevista pela própria ação, imediatamente. Não há necessidade de uma promulgação ou comunicado. Assim, não foi  “o bispo” quem os excomungou: eles incorreram em excomunhão ipso facto. A imprensa tem devorado vivo o Arcebispo Dom José Cardoso por pura e cristalina ignorância (como de costume).

2. Nosso glorioso jurista dever ter cabulado algumas aulas importantes sobre Direito Canônico na faculdade. Diz o nosso arauto da justiça:

O arcebispo extrapolou ao sair a impor sanções a pessoas que nem ao menos sabe se professam tal credo.

Caso ele tivesse lido as primeiras páginas do Código de Direito Canônico, teria visto que:

Cân. 11 Estão obrigados às leis meramente eclesiásticas os batizados na Igreja católica ou nela recebidos, que têm suficiente uso da razão e, se o direito não dispõe expressamente outra coisa, completaram sete anos de idade.

Algum deles é batizado? Logo, estão sob tal lei e o arcebispo não está a “sair e impor sanções a pessoas que nem ao menos sabe se professam tal credo”. Se são batizados, são católicos e, por tal ato, estão excomungados. Novamente, o arcebispo simplesmente manifestou algo já consumado.

Mas em uma coisa ele acerta:

Ao dar publicidade, parece confundir questõees internas da Igreja e achar que todos brasileiros estão sob a jurisdição da Igreja.

Realmente, professor. Não são todos os brasileiros que estão sob jurisdição da Igreja: só os batizados (Aquelas aulas de Direito Can?nico perdidas fizeram falta mesmo?).

3. Ahn, o Estado Laico:

Por evidente, a Rompicoglioni sabe que o Brasil é um estado laico.

Voltando às aulas que o “jurista” deve ter perdido:

Constituição da República Federativa do Brasil.

Preâmbulo

Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solulção pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÂO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

“Sob a proteção de Deus” é uma expressão que diz muitas coisas, caríssimo jurista E professor. Primeiro, o que fazer com essa invocação de Deus no seu estado laico? Segundo, “Deus”, no singular e grafado com “D” maiúsculo exclui toda e qualquer interpretação panteísta, pagã, politeísta e outras aberrações. E agora, professor? Jogue fora sua laicidade ou nossa Constituição.

4. Caso eu esteja muito enganado, nosso jurista e professor condena o que chama de volta à inquisição mas quer pregar algo como uma volta à ditadura:

Por certo, poderáo arcebispo e a Igreja suportarem açõees indenizatórias por danos morais, pela divulgação de juízos (excomunhão) sancionatórios não tipificados como crimes pelo estado laico brasileiro.

Que outro nome podemos dar, senão censura, à tentativa de criminalizar a exposição de juízos de valor? Caríssimo jurista e professor, respirar é julgar. Caso contrário, seria o senhor também passível de ser acionado judicialmente por divulgação de juízos sancionatórios não tipificados como crimes?, já que rechaça e reprova o exercício da liberdade de culto (prevista pela constituiçãobrasileira, diga-se de passagem) do arcebispo?


5. Por último, o que mais me irrita em toda essa discussão
:

Nesse contexto, é estranho que o arcebispo de Olinda e do Recife, dom José Cardoso Sobrinho, saia a público a dizer coisas que só interessam ao âmbito restrito da Igreja e aos seus fiéis.

Como mostrado acima, a Igreja está legislando sobre sujeitos que estão sim sob sua jurisdição. Mas já que o assunto é dar palpite em âmbitos restritos, por que toda uma corja de jornalistas fez juízos de valor e palpitou sobre o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX? Ao contrário do prelado, TODA A CORJA DE JORNALISTAS quis “legislar” sobre uma esfera sobre a qual não têm absolutamente nenhuma autoridade. E a autocrítica, professor? E a lógica?

Ahn, deve ter faltado nestas aulas tamnbém…







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Algumas pequenas constatações

March 5th, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Opinião

 

Estou trabalhando na finalização da minha dissertação em um café. Neste exato momento há, ao meu lado, duas mulheres que conversam sobre diversas coisas. Uma delas começa a narrar suas experiências em um centro espírita no qual, segundo ela, eles “estudam o Evangelho”?

Mas o que me fez postar foi um comentário em especial. Há pouco ela dizia que quando as pessoas vão ao tal centro, o que elas buscam é “conforto espiritual e não serem massacradas”.

De fato, ela está coberta de razão. É exatamente isso que as pessoas procuram. Elas não gostam da experiência do fracasso, da dor, da angústia. Conforto espiritual é sempre o oposto dessas experiências. O que me leva ao pensamento de que as pessoas tem uma dificuldade brutal em re-valorar o sofrimento e a dor. E não é exatamente isto o que nos propõe o Cristo e a Igreja neste tempo quaresmal? Acaso o Cristo não sofreu (páthos/ passio)? Em sua oração ao Pai não exprimiu um sofrimento tenebroso pedindo uma vez que o Cálice lhe fosse afastado mas suplicando por outras três que se fizesse a vontade do Pai e não a dEle? O grito cortante do abandono na Cruz não é o completo oposto da ideia tola e infantil de “conforto espiritual”?

 

Somos tolos, infantis e ridiculamente fracos. Alguns obstinadamente.

 

PS: Estou preparando um post sobre Quaresma, Conversão e a Campanha da Fraternidade. Fiquem atentos.

PS2: Estudam o Evangelho? Ahn tá?







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Na oração, perseverantes

March 5th, 2009 | Comente | Postado em Aforismos, Igreja

 

“Todo um programa, para cursar com aproveitamento a matéria da dor, nos dá o Apóstolo: "spe gaudentes" – na esperança, alegres; "in tribulatione patientes" – pacientes na tribulação; "orationi instantes" – na oração, perseverantes.”

São Josemaria Escrivá, Caminho, ponto 209.







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