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Missão dada é missão cumprida

October 30th, 2007 | 3 Comentários | Postado em Filmes, Opinião

Então que eu assisti Tropa de Elite. E aqui a primeira ressalva dos milhares de “eventos” que a película originou: eu assisti no cinema. Sim, pois a versão “pirata” (ou genérica, para os politicamente (in)corretos) está tão ou mais divulgada que a edição final ou oficial a ponto de ter adiantado em uma semana a estréia nos cinemas.

Não vou comentar sobre a violência, a sanguinolência, a corrupção etc. Isso vocês leiam em qualquer revista ou jornal com “consciência social” (referência para quem assistiu o filme…). Além de dizer que o filme é muito bem feito, queria fazer um ou dois comentários sobre o já clássico filme.

É óbvio que as pessoas vibram no cinema, principalmente nas horas em que as já famigeradas “citações” são feitas (”Xerife, o senhor é um fanfarrão.” ou “Faca na caveira e nada na carteira”, e por aí vai…). Nos momentos de violência então, vai-se ao delírio. Mas uma coisa me chamou a atenção: embora 95% das pessoas não perceba e, salvo se eu estou muito enganado, uma boa parte da crítica que o filme veicula sobra pras classes média e alta. Exatamente a faixa de pessoas que pode pagar R$ 15,00 por cabeça para ver o filme nos cinemas… “Tropa de Elite” tem o mérito de colocar também em primeiro plano, a estrutura da práxis de certos grupos. É patente que um dos objetivos do filme é explicitar a relação entre o usuário de drogas e o tráfico.

Mas também é ululante o apontamento da hipocrisia das passeatas com todos de branco contra a violência dos traficantes, que assassinam um casal (a menina é filha de um grande empresário…); os mesmos que compram no C.A. da universidade, maconha trazida do morro por um dos estudantes. Ok, isso por si só já é bastante original.

Mas também assusta que quase a totalidade das pessoas sai falando da eficiência do BOPE e de como eles são úteis para a sociedade, e como o filme é “realista”, sem se darem conta de que o realismo não se dá apenas na descrição do par polícia/traficante, mas também diz algo sobre nós próprios, os espectadores. Nós que nos sentimos seguros e contentes por existir uma polícia que invade o morro com táticas de guerra e usa sacos plásticos para arrancar informações. Mas ninguém se pergunta se na Dinamarca existe um batalhão equivalente ao BOPE… Em qualquer lugar (sério) do mundo, o capitão Nascimento seria preso por tortura e o seu comportamento seria execrado pela sociedade. Mas por aqui, os mesmos que fumam seu “baseadinho” e continuam exercendo sua “consciência social” nas passeatas ou nas ONGs de fachada que acabam por servir de ponto de encontro, comitê – como mostra o filme – e ainda por cima, com o descaso em relação aos “atendidos” pela instituição (ou por que ninguém havia se dado conta de que o coitado do moleque tinha problemas de visão???), são os que legitimam os “capitães Nascimento”.

Ou é à toa que o filme termina com uma arma de calibre 12 apontada para a câmera (i.e., para o público), em zoom e por preciosos segundos?







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Ahn, a subjetividade…

October 30th, 2007 | Comente | Postado em Filosofia, Geral

“O cogito ergo sum de Descartes tem sido muito repetido. Se se compreende pelo eu do cogito um homem particular, a frase não prova nada: eu sou pensante, ergo eu sou, mas se eu sou pensante não é uma maravilha que eu seja, já está dito e, então, a primeira parte da proposição diz mesmo mais que a última. Se então se compreende pelo eu que reside no cogito um só homem particular existente, a filosofia grita: Loucura, loucura, a questão aqui não é o meu eu ou teu eu, mas do eu puro. Mas o eu puro não pode, portanto, ter outra existência que não uma existência conceitual, que significa então a conclusão da proposição, enquanto nada é deduzido, porque a frase é uma tautologia.”

Haveria melhor epígrafe para o blog? Talvez sua seqüência natural:

“… Naturalmente ele pensa [o pensador abstrato], mas ele pensa tudo, ao contrário, em relação com ele mesmo que tem um interesse infinito pela existência.”

KIERKEGAARD, S. Post-scriptum aux miettes philosophiques







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Das verdades sobre mim

October 30th, 2007 | Comente | Postado em Aforismos

1. Sou incapaz de rir de mim mesmo.

Mesmo o fato desta verdade beirar o ridículo, não é suficiente para que eu tenha disposição de humor para comigo mesmo. “Disposição de humor” não no sentido de Stimmung, mas no sentido rústico de “estar disposto a…”. Minha intolerância comigo mesmo beira o patético, o que não muda em nada minha in-capacidade primeira.







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Inter-Esse

October 30th, 2007 | Comente | Postado em Geral

Não sou propriamente um blogueiro novo. Também estou longe de ser um pro-blogger. Se não existissem outros motivos mais profundos, o nome do blog já estaria justificado. Inter-Esse, um ser intermediário.

Entre.







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