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Artigo Pastoreando – 5

julho 1st, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

Abaixo, minha 5ª contribuição ao jornal da paróquia Jesus Bom Pastor que, apesar de sucinta, é feita com um especial carinho e devoção. A primeira meditação sobre os 12 artigos da Profissão de Fé.

* * *

CREIO, CRER

A profissão de fé cristã se inicia com uma afirmação que perpassa todos os artigos subsequentes: creio. Há aqui duas coisas muito importantes.

A primeira delas é que o Credo é composto, como já dissemos anteriormente, por artigos e não por partes isoladas ou por princípios, axiomas ou teses. São artigos (do latim articulus) porque são articulados, como membros que se ligam e formam uma entidade única não passível de separação. É por isso também que o Credo é dito símbolo (do grego symbolon), pois é uma união não aleatória de elementos que se completam. Assim, é com a mesma crença e a mesma fé, sem distinção, que professamos tudo o que se segue.

Mas o “Creio” no início do símbolo de fé não é meramente uma afirmação formal sobre o que virá, como se fosse desprovido de conteúdo e só apontasse para a importância dos outros momentos. Ele mesmo já veicula uma grande verdade de fé, a saber, que é possível a nós, seres humanos, crermos. Dizer “creio” já é manifestar que desde a criação o homem foi querido por Deus de um modo especial. É só ele, dentre todas as criaturas, que recebe o sopro divino (pneuma, ruah, espírito; Gn. 2,7). É só ao homem que Deus, desde o início, já comunica algo de Si, elevando o homem como a mais querida das criaturas e, de certo modo, já antecipando Seu movimento de comunicar-Se e entregar-Se ao homem manifestando Sua vontade através dos patriarcas, dos profetas e, no ápice dos tempos, assumindo Ele mesmo a natureza de tal criatura, em Cristo Jesus. A possibilidade de dizer “Creio” já é, portanto, em si mesma, condição para crermos nas demais partes articuladas e inseparáveis que compõem nossa profissão de fé mas também uma das secções deste corpo articulado que, quando compreendido, antecipa as demais. É só porque Deus, em seu infinito Amor, nos fez capazes de dialogar com Ele, em suma, de dizer Tu para Deus, é que somos os destinatários da Revelação de seu Filho cuja motivação última é a de que nenhum de nós nos percamos.

Por isso, ao dizermos “Creio” na profissão de fé, meditemos sobre a própria Fé, dádiva divina a nós que, não só nos torna capazes de participarmos de Sua vida, mas também de experimentarmos, por si mesma, o Amor inesgotável de Deus por nós.

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Excesso populacional ou O homem como praga

junho 16th, 2009 | 3 Comentários | Postado em Filosofia, Imprensa, Opinião

Em uma entrevista dada à edição de julho próximo da revista Cosmopolitan (visto a partir do LifeSiteNews.com), a atriz americana Cameron Diaz declarou magistralmente que

 

“We don’t need any more kids. We have plenty of people on this planet.”

 

Como aponta a matéria do LifeSite, a atriz já tem um memorável histórico de excelentes opiniões acerca dos assuntos correlatos, como quando declarou ser favorável ao aborto pelo genial argumento que faz sucesso em conversas de salão – nas quais pensar seriamente equivale a ser banido –, o qual parte do “inalienável” direito das mulheres sobre o próprio corpo.

Entretanto, o que mais me incomoda neste tipo de declaração não é a ignorância acerca damulhereflor queda das taxas de natalidade, sobretudo no ocidente (veja também aqui), mas um pressuposto um tanto irrefletido que, há pouco tempo não passava de clichê ou frase de efeito, mas tem se tornado uma espécie de axioma, a saber, que o homem é uma praga mundial e que seu crescimento populacional é um perigo horrendo para o planeta.

A primeira falácia que impregna o tal axioma a partir do qual se deduz que estamos sobrando no planeta é a de que a Terra está agonizando. Já tratei disso aqui. O ponto fundamental é que os maiores afetados pela má conservação do planeta não é o planeta – que continuará firme e forte vagando pelo espaço –, mas nós que poderemos deixar de existir. Vai daí que, no máximo, somos uma ameaça a nós mesmos e não à Terra que existirá tranquilamente sem nós e os pandas.

Mas o que é pungente é o crescente esvaziamento da dignidade própria ao ser humano de modo que ele passa agora a ser visto como excessivo ou nocivo para a boa ordem das coisas. Em geral, os grandes problemas sociais não advêm da falta de recursos frente a uma demanda que não pode ser suprida devido ao seu enorme tamanho. Os problemas que se ocultam por detrás de clichês como o da superpopulação são, em verdade, éticos. Num nível superior, tentativas meramente intra-históricas de resolver tais problemas, ou seja, sem fazer referência a um pensamento antropológico-filosófico e ético sério está, a priori, fadado ao fracasso. Dito de outro modo, a simples redução do número de pessoas no planeta não é suficiente – e certamente nem necessária –, para dar conta dos problemas da humanidade.

Derivar dessa falsa construção a ideia de que o homem é nocivo à bela ordem do mundo é o mote fundamental dos discursos contemporâneos que acabam por nivelar o homem com os outros entes naturais, movidos em geral por um fisiologismo tacanho e por clichês neo-pagãos. Favor não confundir com a visão dos filósofos gregos que viam uma unidade profunda na Physis que, obviamente, incluiria o homem. É óbvio para Aristóteles e, arrisco dizer, para qualquer um dos referidos filósofos que o homem pode distanciar-se pelo lógos e por aquilo que poderíamos chamar de liberdade ou capacidade de deliberação, patentemente não presente nos animais e nas plantas.

O novo discurso antropológico é então quase um pedido de desculpas por nossa existência e procura estupidamente resolver problemas humanos esvaziando o homem justamente de suas singularidades que tornam possível a ele decifrar e solucionar problemas. Bem-vindo à contemporaneidade.

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Monstruosidade em Linz

junho 15th, 2009 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Vídeos

 

Cân. VI. Se alguém disser que não se deve adorar com culto de latria também externo o Unigênito Filho de Deus no santo sacramento da Eucaristia; e que por isso também não se deve venerar com festividade particular, nem levar solenemente em procissão, segundo o louvável rito e costume da Igreja universal; ou que não se deve expor publicamente ao povo para ser adorado, e que seus adoradores são idólatras — seja excomungado. (Concílio de Trento, Cânones sobre a Santíssima Eucaristia)

 

Que a diocese de Linz, na Áustria, não prima pela ortodoxia nem pela ortopraxia, já é sabido. Mas o vídeo abaixo, do ocorrido na Solenidade de Corpus Christi é de cair o queixo. Dispensa maiores comentários:

 

 

Apenas um adendo: sim, aquilo no alto da haste é uma focaccia Consagrada. E isso era pra ser uma espécie de exibição do Santíssimo. Visto aqui.

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Luis Felipe Pondé – Uivando para a lua

junho 8th, 2009 | 16 Comentários | Postado em Filosofia, Imprensa

Coluna de 01/06 de Pondé, na Folha. Um dos melhores textos do professor em sua coluna. Leitura obrigatória.

LUIZ FELIPE PONDÉ
Uivando para a Lua


Caro leitor, caso queira buscar uma religião, evite aquelas que têm menos de mil anos

 

NÃO SOU contra a religião. Ser religioso não implica ser menos inteligente, informado ou ético. Tem muita gente "inteligente" que comete erros ridículos como esse. Nem todo religioso uiva para a Lua. Tampouco os religiosos detêm o monopólio do apetite por matar seus semelhantes. Religiosos ou não, gostamos de matar e odiar. O século 20 destruiu qualquer ilusão quanto à doçura ou autocrítica dos ateus ou dos que creem na "história" ou na ciência.

Mas de fato há riscos específicos na crença religiosa, ainda mais em tempos de indústria cultural. Caro leitor, caso queira buscar uma religião, evite aquelas que têm menos de mil anos. Em matéria de religião, quanto mais velha, melhor. Outra coisa: se passou pela Califórnia, a chance de a religião ficar boba aumenta muito.

Mas existem umas "novas" religiões por aí, que Deus me perdoe. Pegue o exemplo do tal neopaganismo da deusa-mãe. Pessoas de boa-fé simpáticas aos paganismos antigos devem tomar cuidado com a literatura barata que é comum nessa área. Procurem trabalhos de historiadores da Antiguidade e da Idade Média reconhecidos, e não livros de auto-ajuda espiritual escritos por picaretas quânticos. Infelizmente, muitos dos neopagãos soam como adolescentes mal-informados e de idade um pouco passadinha.

O termo "paganismo" aqui normalmente quer dizer religião celta, mas às vezes pode ser uma salada mista com a Isis egípcia e o Odin escandinavo. Percebe-se que a atitude é basicamente a mesma de quem escolhe uma calça jeans, um CD ou uma praia "cabeça". Na falta de informação arqueológica significativa sobre essas religiões "celtas" (fato que os neopagãos desconhecem), filmes ruins e literatura barata entram no lugar, compondo o imaginário "histórico" acerca do passado celta, que é sempre visto como harmonioso e sábio como se houvesse algum passado harmonioso e sábio em nossa história.

Um dos exemplos da visão adolescente nesse caso é achar que o cristianismo destruiu uma religião (das bruxas celtas) que vivia em paz com o mundo. Não existe religião na história que não tenha tido seu quinhão de sordidez, mas "crianças" não entendem isso. Segundo algumas fontes romanas (não cristãs), há suspeita de que alguns dos cultos "celtas" praticavam sacrifícios humanos, o que para os romanos era um pouco fora dos limites. Os romanos eram conhecidos por sua tolerância religiosa (Roma não foi um desfile de Neros), se eles destruíram alguns desses cultos, é porque coisa boa não era.

O imaginário adolescente é claro: o cristianismo, este perverso, patriarcal, destruiu uma sociedade onde homens e mulheres viviam em comunhão sem opressão. Para eles, queimaram-se milhares de mulheres e homens inteligentíssimos na Idade Média. A verdade é que provavelmente a maior parte dessas infelizes vítimas era gente boba mesmo. Pergunta: como seria o mundo se o paganismo tivesse vencido?
Responderiam os "adoradores da deusa": viveríamos num mundo sem classes, sem machismo, sem ódio, sem guerras, mas, ainda assim, rico, com antibióticos, internet, sexo aos montes, aviões e baladas.

As bobagens também aparecem no uso absurdo de referências advindas de sistemas religiosos que ainda existem. Por exemplo, alguns neopagãos afirmam que a cabala (mística judaica medieval) foi uma criação egípcia pré-era cristã! A tal "árvore da cabala", onde aparecem os atributos de Deus, é uma das coisas que mais sofrem com o besteirol neopagão. A culpa do mau uso da cabala é, em parte, infelizmente, de alguns "cabalistas" judeus atuais que a vendem como receita barata de conseguir dinheiro, amor e sexo. Jung também vira bobagem nas mãos dos neopagãos: tudo é "arquétipo" a serviço de qualquer ideia besta que você tenha.

O neopaganismo é em grande parte invenção de caras ingleses esquisitos e suas namoradas mal-amadas do século 20 mesmo. Junte-se a isso um pouco de física quântica (aquela que, segundo alguns "entendidos", faz acontecer tudo o que você quiser contanto que se diga a palavra mágica "energia!"), a mania incontrolável de falar sobre si mesma, uma pitada de feminismo místico, e você será uma neobruxa.

Tenho um critério para levar religiosos a sério: se usar a palavra "energia" e disser que posso fazer tudo o que eu quiser porque tudo o que preciso saber está em meu inconsciente, pulo fora. O próximo passo dele será uivar para a Lua.

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Artigo Pastoreando – 4

junho 1st, 2009 | 1 Comentário | Postado em Igreja, Opinião

Na edição passada, fizemos algumas considerações sobre a catequese, seu sentido e sua importância profunda. A partir desta edição do Pastoreando, vamos iniciar um comentário sobre os conteúdos da catequese.

Durante a história da Igreja tais conteúdos foram reunidos, com fins pedagógicos, em catecismos, isto é, em pequenos escritos, como a Didaché ou em volumes grandes como o Catecismo de Trento ou Romano. Merece ainda menção especial o belíssimo catecismo elaborado pelo papa S. Pio X, já em nossos tempos. Atualmente, temos o Catecismo da Igreja Católica, promulgado pelo papa João Paulo II a partir da motivação advinda do Concílio Vaticano II.

Tal como é organizado hoje, o Catecismo da Igreja é composto de 4 partes que, se não pretendem esgotar todo o conhecimento possível sobre o que crê a Igreja, querem dar conta do básico que todo fiel deve conhecer para bem vivenciar a sua fé, a saber, são: a explicitação da nossa Profissão de Fé (o Credo que rezamos na missa), a exposição da doutrina sobre os sacramentos e a Sagrada Liturgia, a reflexão sobre o agir cristão a partir dos Dez Mandamentos e, por fim, a oração cristã na reflexão e exposição sobre o Pai-Nosso. Como já podemos perceber, estão aí presentes as dimensões principais da vida da Igreja e, portanto, da nossa.

A primeira parte, o Credo, divide-se por sua vez em 12 artigos. A Tradição, que credita o símbolo que comumente usamos aos Apóstolos (por isso chamado “Símbolo Apostólico”), por vezes se refere a tal divisão como sendo originária do fato de que cada um dos apóstolos teria sido responsável pela proposição de um dos artigos (como Pseudo-Agostinho, Rufinus e mesmo Santo Ambrósio). Independentemente da confecção, está aí uma das mais antigas coleções de teses nas quais a Igreja de Cristo crê. São os doze artigos:

 

1. Creio em Deus, Pai, Todo-Poderoso, Criador do céu e da terra;

2. E em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor;

3. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria;

4. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;

5. Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia;

6. Subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso;

7. Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos;

8. Creio no Espírito Santo;

9. Na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos;

10. Na remissão dos pecados;

11. Na ressurreição da carne;

12. Na vida eterna. Amém.

 

Assim, para começar, a partir da próxima edição vamos comentar e refletir, ainda que brevemente, sobre cada um dos artigos.

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Para que sejam um

maio 28th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Vídeos

 

Em 28 de junho de 2008, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Papa Bento XVI celebrou a Santa Missa tendo ao lado o Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

 

O vídeo apresenta os instantes finais da celebração e dispensa maiores comentários.

 

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Naturalmente ecumênico ou naturalmente herético?

maio 27th, 2009 | 8 Comentários | Postado em Igreja, Vídeos

 

Vamos começar do começo:

 

Can. 751: Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela. (Código de Direito Canônico).

 

Agora aos fatos:

 

 

 

 

 

Atenção para as pérolas:

se nós somos cristãos, não importa que você seja evangélico, que eu seja católico…não importa! O que importa é que a gente descubra o essencial que Jesus nos ensina.” (aos 4 min, + ou -)

Eu não vou ficar dizendo: “a sua religião está errada, a minha está certa… Não!” (aos 5 min, + ou -)

É igual a gente querer evangelizar os índios, que as vezes tem uma vida muito mais saudável do que nós, uma vida muito mais divina do que nós!” (aos 3:20 da 2ª parte)

“…ah, aquela pessoa se converteu ao protestantismo, que pena! Peraí…se aquilo que ela está acreditando faz bem ao coração dela, se Deus está ali presente, se Jesus está agindo mais no coração dela através da voz do pastor do que da minha, vamos dar graças a Deus que ela encontrou um pastor que falasse ao coração dela.” (aos 3:50 +ou – da 2ª parte)

 

E ele se denomina “naturalmente ecumênico”…

 

Para entender as origens dessas tolices, veja este post.

 

A partir daqui.

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Carlos MInc, AIDS, Homofobia, Papa e burrice

maio 21st, 2009 | 5 Comentários | Postado em Igreja, Imprensa

 

Dá até desânimo, mas vamos lá. Notícia do dia 18 de maio: Minc critica a Igreja ao lançar conselho LGBT. Há muito tempo em que não leio tanta besteira em tão poucas linhas. Diz o gênio:

"Tem alguns momentos em que a Igreja erra feio. Um deles é a questão da camisinha. Se a gente fosse atrás da Igreja, quantas pessoas não estariam doentes?", discursou o ministro, em meio a aplausos da plateia.

A platéia aplaude porque é só o que sabe fazer. Se a platéia e o ministro soubessem também pensar, iriam se dar conta da estupidez sem tamanho que incensam. Sabe o que diz “a Igreja”?:

§2337 A vocação à castidade A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher.

§2362 "Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, significam e favorecem a mútua doação pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido." A sexualidade é fonte de alegria e de prazer:

O próprio Criador… estabeleceu que nesta função (i.é, de geração) os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e em gozá-lo. Eles aceitam o que o Criador lhes destinou. Contudo, os esposos devem saber manter-se nos limites de uma moderação justa.  (Catecismo da Igreja Católica)

Mais do que jamais poderiam conceber o ministro e seus ouvintes, a Igreja trata o sexo como ato extremamente digno, prazeroso e muito profundo. Justamente por isso deve estar cercado de cuidado e respeito. Portanto, senhor ministo falastrão, se “a gente fosse atrás da Igreja”, problemas derivados da sexualidade simplesmente não existiriam. É um ato de extremada ignorância e falta de honestidade intelectual proferir tais estultices perante uma platéia absolutamente condicionada e ignorante e, esta sim, preconceituosa em relação ao que diz a Igreja.

Mas o ministro populista continua:

"Outra questão é a da homofobia. Como é que uma religião pode dizer que é fraterna e solidária com todos se pressiona os parlamentares a não aprovarem a lei que criminaliza a homofobia?", indagou, em seguida, o ministro. Para ele, quem cria obstáculos à aprovação do projeto de lei "é corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários". Segundo Minc, 3 mil pessoas morreram no País em dez anos por causa de crimes homofóbicos.

Obviamente a questão é dupla (mas só quem sabe pensar é que acompanha. Caso diferente daquele do ministro):

1. Sobre a lei: Quando se refere à lei, o ministro está se referindo ao Projeto de Lei 122/2006, que tem por objetivo “coibir a discriminação de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”.

Ora, eu desafio qualquer crítco da Igreja a apontar algum comentário ou posicionamento oficial da mesma, que propugne a violência ou a descriminação por conta de homossexualidade. Ao contrário, como vou apontar no segundo item, a Igreja professa em documentos públicos e oficiais, vertidos para inúmeros idiomas, que homossexuais devem ser respeitados e acolhidos pois são seres humanos e filhos de Deus como toda criatura humana.

Aquilo a que a Igreja se opõe firmemente são as derivações de tal lei, a partir de artigos redigidos por alguém que simplesmente não sabe escrever. Há lá coisas do tipo:

Art. 20. § 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”

Se você é um pouquinho esperto, perceberá que a Igreja estará incorrendo em crime ao reprovar ética, filosófica e teologicamente a prática homossexual como pecado. Assim como qualquer um que se manifeste ainda que teoricamente sua discordância. Fala-se ainda em punição por recusa de fornecimento de bens etc. (alguém pensou aí na Eucaristia?). O que ocorre é que  lei é problemática. E pelo amor de Deus vamos parar de utilizar a palavra “homofobia”. Não se trata de medo ou aversão, mas de um posicionamento contrário. Daqui a pouco os direitistas vão ser acusados de “sinistrofobia” ou coisa que o valha. Criminalizar posicionamento teórico é absurdo em sua própria natureza.

2. Sobre o que diz a Igreja: Vamos direto ao que diz a Igreja:

§2357 CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.

§2358 Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.

§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

Renovo o desafio de que se encontre algum posicionamento oficial da Igreja que vá em sentido contrário ao explícito acima. O que ocorre é que os críticos da Igreja têm um discurso antropológico absolutamente acrítico e inconsistente que nem sequer consegue estabeler bases minimamente sólidas para a construção da idéia de sexualidade como em processo. Chamar a Igreja de “homofóbica” é, como costumo dizer, ou ignorância ou má-fé.

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A política como ciência primeira – II

maio 14th, 2009 | Comente | Postado em Igreja, Opinião

 

O texto abaixo começou como uma resposta ao comentário do meu amigo Carlo sobre o post anterior (leia na caixa de comentários correspondente), mas tomou proporções maiores. Enfim, está aí para que continuemos a conversa:

* * *

De fato, suas considerações são importantes e mesmo sua dúvida ao final realmente eleva a discussão a um nível superior – que diga-se de passagem, já está acima daqueles que tem na política a causa primeira do real.

Visto a partir do ponto de vista do duplo plano de ação no qual o Papa e a Igreja se inserem, realmente não há nenhum problema em se predicar "política" de "Igreja". Mas o perigoso é quando "Política" faz o papel de primeiro motor ou explicação última das ações da Igreja. Ora, ela se define justamente por ter sua preocupação última para além da esfera das ações humanas. É "para fazer Ó Deus, a tua vontade" (Hb. 10,9) que ela existe.

Assim, repito: dizer que as ações do papa e da Igreja têm sua dimensão política é, sobretudo na acepção grega e mais forte dessa palavra, óbvio. O problema surge quando se propõe que toda a explicação para suas ações estão submissas à dimensão política, o que é, também obviamente, falso. É esse o sentido do título do post: para Aristóteles a “filosofia ou sabedoria primeira” é a metafísica; dito de outro modo, o conhecimento das causas primeiras. Substituir a causa primeira da Igreja por uma de viés essencialmente político: é aí que começa o problema.

Tal afirmação não condiz nem com os fatos recentes: a tão aclamada impopularidade de Bento XVI (sobretudo em vista da comparação sempre infeliz com João Paulo II). Se os objetivos últimos fossem políticos no sentido que você mesmo aponta de "Habilidade no agir e no tratar, tendo em vista a obtenção de algo; Diplomacia”, o Papa e a Igreja estaria falhando catastroficamente. Mas como o papa se vê na função de um mensageiro cuja excelência no serviço é entregar a intacta a mensagem de quem o enviou, não pode se render ao sentido comum de simples "diplomacia". A Igreja desagrada na medida mesma em que não se rende a fazer, essencialmente, política.

Novamente, colocar em relevo a dimensão política de sua prática como paradigma último de ação, como em geral fizeram alguns blogueiros por esses dias é, no mínimo, desconhecer a Igreja e, inclusive, estar fora do universo das últimas notícias. Apenas como mote para outras conversas, tal erro pode ser encontrado também no seio da Teologia da Libertação, fonte de erro crasso.

 

Abraços.

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A Política como Ciência Primeira

maio 11th, 2009 | 4 Comentários | Postado em Blogs, Igreja, Imprensa

Definitivamente, a política é a metafísica dos papajordaniaincapazes de contemplação, no sentido grego da palavra. Para alguns a última esfera de explicação do real ou, dito de outro modo, a ciência das causas primeiras de tudo aquilo que é, para certas pessoas, a política.

As reações ao discurso do papa numa mesquita na Jordânia se deram, em alguns blogs, com adjetivos como “palhaço” e “cara-de-pau”. É no mínimo curioso acusar o alguém que professa publicamente que a realidade última das coisas não é a humana e, portanto, não pode ser política, de ser, justamente, estritamente político. Há aí algo de uma projeção da limitação cognitiva e contemplativa dos que fazem esse discurso, sobre os ombros do papa. Exatamente o papa que opta por discursos que causam pavores e reações exacerbadas, algo totalmente contrário a qualquer tentativa de manipulação política (ou seria uma nova tática de angariar apoios, concessões e pactos políticos através do despertar do ódio?).

O que ocorre é que o papa e seus críticos partem de pressupostos diferentes e, obviamente, chegam em respostas e conclusões irreconciliáveis. Mas só o papa sabe disso.

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